O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (27) que o Irã não receberá alívio nas sanções econômicas em troca da entrega de seu estoque de urânio altamente enriquecido. A declaração aumenta a pressão sobre Teerã em meio às negociações para um possível acordo envolvendo o programa nuclear iraniano e a estabilidade no Oriente Médio.
Questionado em entrevista à PBS News se o atual entendimento em discussão previa que o Irã entregasse o urânio em troca da retirada de sanções, Trump foi direto: “Não, não, de jeito nenhum. Sem alívio de sanções, não”. A fala reforça a posição de Washington de que qualquer concessão iraniana sobre material nuclear não será automaticamente compensada por benefícios econômicos imediatos. A Reuters também informou que Trump disse que os EUA ainda não estão satisfeitos com as tratativas e que não discutem, neste momento, aliviar sanções contra o Irã.
Segundo o presidente norte-americano, o Irã deverá entregar seu material altamente enriquecido, mas sem que isso seja tratado como uma moeda de troca direta. “Eles vão entregar o urânio altamente enriquecido deles, mas não em troca de alívio nas sanções”, afirmou Trump, em uma tentativa de afastar a ideia de que Washington estaria cedendo economicamente para obter avanços no campo nuclear.
A declaração ocorre em um momento delicado das conversas entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, autoridades próximas às negociações indicaram que Teerã teria aceitado, em princípio, discutir um mecanismo para se desfazer do urânio altamente enriquecido. Ainda assim, não há acordo final assinado, e os detalhes sobre como esse material seria entregue, armazenado, diluído ou destruído continuam em aberto.
O programa nuclear iraniano é o principal ponto de impasse entre os dois países. Washington insiste que o Irã não pode desenvolver armas nucleares e defende restrições severas ao enriquecimento de urânio. Teerã, por sua vez, historicamente afirma que seu programa tem fins pacíficos, como produção de energia, pesquisa científica e aplicações médicas.
A tensão em torno do tema não é nova. Em 2015, o Irã assinou com Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China o Plano de Ação Conjunto Global, conhecido pela sigla JCPOA. O acordo previa limites ao programa nuclear iraniano e maior fiscalização internacional em troca da suspensão de parte das sanções impostas ao país. O próprio Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA registra que o pacto buscava garantir que o programa nuclear iraniano tivesse finalidade exclusivamente pacífica, em troca do amplo levantamento de sanções dos EUA, da União Europeia e da ONU.
Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo, em maio de 2018, alegando que o pacto era insuficiente por não tratar de temas como mísseis balísticos e a atuação regional do Irã. A saída americana levou à retomada de sanções e abriu um novo período de instabilidade diplomática.
Desde então, o Irã ampliou suas atividades nucleares e aumentou seus estoques de urânio enriquecido, o que elevou a preocupação de governos ocidentais e de organismos internacionais. Em avaliação apresentada em 2025, a comunidade de inteligência dos Estados Unidos afirmou que continuava avaliando que o Irã não estava construindo uma arma nuclear, mas alertou que o estoque de urânio enriquecido iraniano estava em nível recorde para um país sem armas nucleares.
Além do impasse nuclear, as negociações também envolvem temas estratégicos, como a reabertura e a segurança do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Trump afirmou que, em um eventual acordo, a passagem seria aberta imediatamente, mas não ficaria sob controle de nenhum país. Para Washington, o estreito deve permanecer como uma via internacional.
Outro obstáculo é a resistência dentro do próprio Irã. Segundo a Reuters, fontes iranianas disseram que o líder supremo do país determinou que o urânio altamente enriquecido permaneça em território iraniano. A posição endurece as tratativas e contraria uma das principais exigências americanas, que é a retirada ou neutralização do material.
Apesar do tom duro, Trump afirmou que o Irã quer chegar a um acordo, mas disse que as propostas atuais ainda não atendem às exigências dos Estados Unidos. “Eles querem muito fazer um acordo. Até agora, não chegaram lá”, declarou. O presidente também deixou em aberto a possibilidade de novas ações caso a diplomacia não avance, ao dizer que os EUA terão de “terminar o trabalho” se não houver entendimento satisfatório.
A fala de Trump sinaliza que a Casa Branca pretende manter a política de pressão máxima sobre Teerã, exigindo concessões nucleares concretas antes de qualquer discussão mais ampla sobre sanções. Na prática, a posição americana reduz o espaço para concessões imediatas e pode dificultar a construção de um acordo rápido.
Enquanto isso, diplomatas tentam encontrar uma fórmula que permita ao Irã recuar no programa nuclear sem parecer derrotado internamente, ao mesmo tempo em que ofereça aos Estados Unidos garantias verificáveis de que Teerã não avançará em direção à produção de uma arma nuclear. O caminho, porém, segue cercado por desconfiança, disputas políticas e risco de nova escalada no Oriente Médio.

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