A região metropolitana de Maceió tem potencial de receber a primeira rede de transporte público coletivo de média e alta capacidade (TPC-MAC), com 42 quilômetros de extensão, previsão de investimentos entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,08 bilhões e atendimento a 259,48 mil passageiros por dia.
Corredores de ônibus e BRT
A expansão projetada para a capital alagoana está prevista por meio de dois projetos de implantação de corredores de ônibus e três projetos de BRT, um deles podendo ser implantado alternativamente como VLT (veículo leve sobre trilhos). Entre os projetos mapeados para Maceió estão os corredores de ônibus da Avenida Menino Marcelo e da Josefa de Melo, além da implantação do BRT Fernandes Lima e sua extensão até o Aeroporto.
O estudo também prevê uma redução de 7% no tempo médio de deslocamento na cidade e a prevenção de 187 vítimas de sinistros de trânsito por ano.
Outro indicador analisado foi o RTR (Rapid Transit to Resident), que compara a população urbana de cidades com mais de 500 mil habitantes à extensão das linhas de TPC-MAC. Com a implantação da rede completa prevista, Maceió alcançaria índice superior ao registrado por cidades como Lisboa e Bogotá.
O que é o ENMU
É o que aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério das Cidades. O ENMU é um mapeamento de projetos e a proposição de políticas para estabelecer as bases para a transformação do transporte público coletivo em 21 regiões metropolitanas do Brasil. O portal https://mobilidadebrasil.bndes.gov.br/ consolida todas as informações do estudo, além dos projetos por região metropolitana.
“O ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas principais regiões metropolitanas do país. Investimentos que terão impacto na geração de emprego, na melhoria da infraestrutura, da segurança no trânsito e na qualidade de vida”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Panorama nacional
O relatório final do ENMU reúne um banco de dados com 187 projetos de mobilidade urbana, que correspondem a mais de 3 mil km de metrôs, BRTs, trens e VLTs, com investimentos estimados entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões em todo o país. Cada projeto acompanha mais de 100 indicadores técnico-operacionais, econômico-financeiros, socioambientais e urbanísticos que permitem sua priorização, incluindo o impacto na redução de emissões de poluentes e gases do efeito estufa (GEE) e em sinistros, além da previsão de embarques por dia e de investimento.
Juntos, os projetos poderão evitar 27 mil vítimas de sinistros de trânsito e 3 milhões de toneladas anuais de CO₂, reduzir em 11% o custo das viagens e em 16% o tempo médio de deslocamento da população, gerando benefícios sociais superiores a R$ 400 bilhões. Os impactos também se estendem à cadeia produtiva, com potencial para mobilizar mais de 1 milhão de empregos e demandar até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 carros metroferroviários.
O estudo foi elaborado entre 2024 e 2026 e tem como foco as 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil, considerando projeções populacionais e de demanda em um horizonte de 30 anos, com o objetivo de apoiar o planejamento de sistemas de transporte mais integrados, eficientes e sustentáveis.
Próximos passos
Para o Ministério das Cidades, o estudo representa uma ferramenta estratégica para fortalecer a política nacional de mobilidade urbana e apoiar estados e municípios na estruturação de projetos. A proposta é transformar o diagnóstico técnico em ações capazes de reduzir desigualdades, melhorar os deslocamentos diários da população e ampliar o acesso a emprego, educação, saúde e oportunidades.
A viabilização dos projetos deve depender da combinação de recursos públicos, financiamentos do BNDES e parcerias público-privadas, já que, segundo o próprio estudo, as receitas tarifárias tendem a cobrir apenas uma parcela dos custos necessários para implantação e operação dos sistemas ao longo de décadas.

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