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Desmatamento no Brasil cai ao menor nível em seis anos, aponta MapBiomas

País perdeu 984,7 mil hectares de vegetação nativa em 2025, queda de 20,6% em relação ao ano anterior; apesar do avanço, Cerrado segue como bioma mais pressionado e Amazônia ainda perde cerca de cinco árvores por segundo

Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

O desmatamento no Brasil caiu em 2025 ao menor nível desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (27), o país perdeu 984.794 hectares de vegetação nativa no ano passado, uma redução de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez que a área desmatada ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares.

A queda foi registrada em todos os biomas brasileiros e representa um sinal positivo para a política ambiental do país, especialmente em um momento em que o Brasil tenta reforçar sua imagem internacional na área climática após sediar a COP30, em Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.

Apesar da redução, os números ainda revelam um ritmo elevado de destruição. De acordo com o MapBiomas, a média diária de desmatamento no Brasil foi de 2.698 hectares em 2025, o equivalente a cerca de 112 hectares por hora. Na Amazônia, foram 792 hectares perdidos por dia, o que representa aproximadamente cinco árvores derrubadas por segundo.

Cerrado lidera perdas de vegetação

O Cerrado voltou a ser o bioma mais atingido pelo desmatamento no país. Em 2025, foram 540.614 hectares desmatados, o que corresponde a 54,9% de toda a vegetação nativa perdida no Brasil no período. Mesmo com queda de 16,9% em relação a 2024, o bioma segue no centro das preocupações ambientais.

Já a Amazônia registrou 289.478 hectares desmatados em 2025, uma redução de 23,5% em comparação com o ano anterior. Juntos, Cerrado e Amazônia responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Pantanal, por sua vez, apresentou a maior queda proporcional entre os biomas: 48,4%, somando 12.260 hectares perdidos.

Fiscalização e transparência ajudaram na queda

Para especialistas do MapBiomas, a redução está relacionada ao aumento das ações de fiscalização, embargos e maior transparência sobre autorizações de supressão de vegetação. À AFP, Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas, afirmou que esses fatores têm relação direta com a queda observada em todos os biomas brasileiros.

Segundo ele, 65% das áreas com perda de vegetação identificadas pelo MapBiomas tiveram algum tipo de ação concreta das autoridades em 2025. Em 2024, esse índice era de 54%; em 2019, primeiro ano da série, era de apenas 5%.

Agropecuária segue como principal vetor

O relatório também aponta que a expansão agropecuária continua sendo o principal vetor de pressão sobre a vegetação nativa. Segundo o MapBiomas, esse fator respondeu por 99% da área desmatada no Brasil em 2025. Nos últimos sete anos, a agropecuária esteve associada a mais de 97% da perda de vegetação nativa no país.

A região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, aparece novamente como uma das áreas mais pressionadas. Ao lado de Mato Grosso, esses estados concentraram mais de 63% da área total desmatada no país em 2025.

Avanço ambiental ocorre em meio a disputas políticas

Os dados chegam em um momento de forte debate sobre a política ambiental brasileira. O governo federal tem defendido o combate ao desmatamento como uma de suas principais bandeiras, com a meta de eliminar o desmatamento ilegal até 2030. Ao mesmo tempo, ambientalistas criticam propostas em tramitação no Congresso que, segundo eles, podem enfraquecer mecanismos de fiscalização e controle.

Na última semana, a Câmara dos Deputados avançou com projetos criticados por entidades ambientais e pelo Ibama. Segundo o órgão, as propostas podem fragilizar o uso de embargos remotos com base em imagens de satélite, reduzir proteções ambientais e afetar instrumentos usados no combate ao desmatamento ilegal.

Outro ponto de tensão é o apoio do governo à exploração de petróleo na Margem Equatorial, área próxima à foz do rio Amazonas, tema que divide autoridades, ambientalistas e setores econômicos. Para organizações ambientais, a redução do desmatamento é um avanço, mas precisa ser acompanhada por políticas climáticas mais amplas e coerentes.

Desafio continua

Embora o resultado de 2025 seja o melhor da série histórica do MapBiomas Alerta, especialistas avaliam que o Brasil ainda enfrenta um desafio de grandes proporções. Desde 2019, o país perdeu mais de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa, área superior ao território de Pernambuco.

A queda no desmatamento mostra avanço nas ações de controle, mas o volume ainda expressivo de áreas destruídas indica que a pressão sobre os biomas brasileiros permanece alta. Para o país consolidar a redução, o desafio será manter a fiscalização, ampliar a transparência dos dados, combater a ilegalidade e reduzir a pressão econômica sobre áreas de vegetação nativa.

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