sexta-feira , 10 julho 2026
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Bebê morre por chikungunya em São Miguel dos Campos; cidade registra terceira morte pela doença

Foto: Reproduçã/ TV PAJUÇARA

Uma bebê de apenas 18 dias morreu em decorrência da chikungunya na cidade de São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas. O óbito foi registrado nesta quarta-feira (8) e representa a terceira morte causada pela doença no município em menos de dois meses.

Transmissão ainda na gestação

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Ademir Vieira, a mãe da recém-nascida contraiu chikungunya ainda durante a gestação e apresentava sintomas da doença no dia do parto. A bebê nasceu infectada, mas sem sinais clínicos aparentes. Dias depois, começou a manifestar os sintomas, foi internada, mas não resistiu às complicações, evoluindo para falência múltipla de órgãos. O parto foi realizado em um hospital da rede privada da cidade, e o sepultamento ocorreu nesta quinta-feira (9).

“O bebê nasceu com a doença. Sobreviveu por 18 dias com a imunidade baixa e não suportou os sintomas”, afirmou o secretário.

Segundo relatos da família, a criança apresentou um quadro de saúde cada vez mais grave até evoluir para o óbito. Estudos indicam que a transmissão perinatal da chikungunya pode ocorrer quando a mãe é infectada próximo ao parto, com risco de até 50% para o recém-nascido e alta probabilidade de evolução para formas graves da doença.

Terceira morte no município em dois meses

Com essa morte, São Miguel dos Campos contabiliza três vítimas da chikungunya desde o fim de maio. As outras duas foram de mãe e filha: Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, que faleceu em 30 de maio, e Crisleine Lins dos Santos, servidora pública de 34 anos, que foi internada no Hospital Helvio Auto em 23 de junho e morreu no dia 4 de julho, após evoluir com pressão arterial baixa, infecção bacteriana e falência múltipla de órgãos.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), apenas a morte de Rubenita consta oficialmente confirmada no boletim epidemiológico estadual até o momento; os outros dois óbitos ainda passam pelos protocolos de investigação, já que os dados são atualizados quinzenalmente.

Panorama da doença em Alagoas

O Panorama Mensal das Arboviroses, divulgado pela Sesau nesta quinta-feira (9), aponta que Alagoas registrou 910 casos prováveis de chikungunya entre 1º de janeiro e 8 de julho de 2026. No mesmo período, o estado contabilizou 3.042 casos prováveis de dengue, com dois óbitos confirmados, e 38 casos prováveis de zika, sem registro de mortes.

Especialistas alertam que, embora a chikungunya seja popularmente associada a sintomas leves, a doença pode evoluir para quadros graves, principalmente em idosos, gestantes, recém-nascidos e pessoas com o sistema imunológico comprometido, podendo desencadear complicações sistêmicas capazes de colocar a vida do paciente em risco.

Combate ao mosquito

Em pronunciamento, o secretário Ademir Vieira reforçou que o município tem intensificado as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, com visitas de agentes de endemias, aplicação de larvicidas e recolhimento de objetos que acumulam água. No entanto, destacou que a participação da população é essencial para conter o avanço da doença.

“Precisamos da ajuda da população. Abram suas portas para os agentes, eliminem os criadouros do mosquito e mantenham os quintais limpos. Não conseguimos fazer esse trabalho sozinhos”, declarou.

A Sesau reforça que mantém ações permanentes de enfrentamento às arboviroses por meio do Programa Estadual de Controle de Zoonoses, com capacitação de profissionais de saúde e agentes de combate às endemias, além de suporte técnico aos 102 municípios alagoanos.

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