terça-feira , 11 agosto 2026
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Maceió reforça diagnóstico e tratamento da hanseníase para evitar sequelas

Unidades de Saúde são a principal porta de entrada para identificar a doença; tratamento é gratuito pelo SUS e pode durar de 6 a 12 meses

Foto: Victor Vercant/Ascom SMS

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió reforça a importância do diagnóstico precoce da hanseníase e do acompanhamento regular dos pacientes para evitar o avanço da doença e o surgimento de incapacidades permanentes. A orientação ganha destaque diante da necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre os sinais que podem indicar a infecção.

As Unidades de Saúde da capital funcionam como principal porta de entrada para pessoas que apresentam sintomas ou têm suspeita de hanseníase. Após a avaliação inicial, os casos que necessitam de investigação complementar podem ser encaminhados para serviços de referência.

Segundo a coordenadora do Programa de Controle da Hanseníase em Maceió, Vânia Bernardino, a falta de informação, a baixa percepção sobre os riscos e o medo do diagnóstico ainda estão entre os fatores que podem atrasar a procura pelo atendimento.

“A informação é a melhor arma contra o estigma e o preconceito em relação à hanseníase”, destacou a profissional.

Manchas na pele estão entre os principais sinais

A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Entre os sinais mais comuns estão manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele acompanhadas de redução ou perda da sensibilidade ao calor, à dor ou ao toque.

Também podem ocorrer formigamentos, fisgadas, diminuição da força muscular nas mãos, pés ou face, redução de pelos e suor em determinadas regiões e aparecimento de caroços na pele.

A doença também pode comprometer nervos periféricos. Quando alterações neurológicas não são identificadas e tratadas adequadamente, podem surgir incapacidades físicas. Por isso, a Organização Mundial da Saúde destaca o diagnóstico precoce e o controle das reações hansênicas e das inflamações dos nervos como medidas fundamentais para prevenir danos permanentes.

Diagnóstico começa na Unidade de Saúde

A identificação da hanseníase é predominantemente clínica. Durante o atendimento, os profissionais avaliam a pele, a sensibilidade e possíveis alterações nos nervos periféricos.

Em Maceió, pacientes com suspeita são avaliados inicialmente na Atenção Primária. Quando há dúvidas ou necessidade de exames complementares, o usuário pode ser encaminhado para uma unidade de referência para confirmação diagnóstica.

A estratégia permite que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível, reduzindo o risco de complicações.

SUS oferece tratamento gratuito

Uma vez confirmado o diagnóstico, o paciente recebe tratamento gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O protocolo utiliza uma combinação de medicamentos conhecida como Poliquimioterapia Única (PQT-U), formada por rifampicina, dapsona e clofazimina.

O tempo de tratamento depende da classificação da doença. Nos casos paucibacilares, a duração prevista é de seis meses. Já nos casos multibacilares, o tratamento normalmente dura 12 meses.

O acompanhamento é feito, preferencialmente, de forma ambulatorial. Nas consultas mensais, o paciente recebe a medicação e toma uma dose sob supervisão de um profissional de saúde. As demais doses da cartela são utilizadas em casa, conforme orientação médica.

Tratamento interrompe transmissão

Além de permitir a cura, o tratamento regular tem papel importante no controle da transmissão. De acordo com o Ministério da Saúde, a pessoa deixa de transmitir a doença já no início do tratamento, reforçando a importância de procurar atendimento assim que surgirem sinais suspeitos.

O Ministério da Saúde também recomenda que familiares, pessoas que convivem com o paciente e outros contatos sejam avaliados por profissionais de saúde.

Informação também combate o preconceito

Além dos efeitos físicos, a hanseníase ainda está associada a estigma e preconceito. Para a Secretaria Municipal de Saúde, ampliar o acesso à informação é uma das estratégias para estimular o diagnóstico precoce e reduzir o medo relacionado à doença.

Em Maceió, as ações de controle incluem atividades educativas, busca ativa de pessoas com sinais suspeitos, acompanhamento de pacientes que abandonaram o tratamento e avaliação de contatos de casos diagnosticados. A SMS também realiza ações de conscientização nas unidades de saúde.

A orientação é que qualquer pessoa que perceba manchas com alteração de sensibilidade, formigamentos persistentes ou perda de força procure uma Unidade de Saúde para avaliação. O aparecimento desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha hanseníase, mas merece investigação profissional.

Diagnóstico precoce pode evitar incapacidades

O avanço da doença pode comprometer nervos e provocar alterações motoras e sensitivas. Por isso, iniciar o tratamento antes que ocorram danos permanentes é uma das principais estratégias de prevenção de incapacidades.

A OMS ressalta que as reações hansênicas podem atingir pele, nervos, olhos e membros e, quando não são tratadas adequadamente, podem provocar comprometimento da função nervosa e deficiências.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o atendimento é gratuito e que a população deve procurar a rede pública diante de qualquer suspeita, evitando atrasos no diagnóstico e garantindo acompanhamento adequado.

A hanseníase tem cura, e o tratamento está disponível gratuitamente pelo SUS.

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