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Após dopar casal de idosos, Paola Stefany ligou para parente das vítimas que a indicou para o trabalho

Advogado Vinícius Mitre recebeu telefonema da diarista horas antes do crime; ela disse que idosa estava passando mal e pediu que não ligasse para o marido da vítima

Foto: Reprodução

A diarista Paola Stefany Neto Cirino, que confessou ter matado um casal de idosos no bairro São Pedro, região Centro-Sul de Belo Horizonte, ligou para o primo da vítimas poucas horas antes do crime. O advogado Vinícius Moreira Mitre recebeu o telefonema de Paola no último sábado (28), quando ela afirmou que Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, estava passando mal.

O que Vinícius não sabia naquele momento era que a idosa já havia sido dopada pela diarista, assim como o marido dela, Cláudio Atala Inácio, de 76 anos. Ambos foram assassinados dentro da própria casa, em um crime que chocou a capital mineira.

A ligação suspeita

Segundo Vinícius, Paola ligou dizendo que Maria Clotilde estava passando mal e que havia medido a pressão dela, mas estava normal. O advogado estranhou o contato e orientou a diarista a acordar Cláudio ou acionar o filho do casal.

“Ela me ligou dizendo que a Maria Clotilde estava passando mal. E falou que tinha ido medir a pressão dela, mas estava tudo normal. Aí falei: ‘Paola, você está me ligando pra quê? Eu não tenho nada a ver com isso. Ela é minha prima, mas eu não sou um primo presente. O marido dela está aí, vai lá e acorda ele. Se a mulher está passando mal, acorda o Cláudio.’ Ela falou: ‘Não liga pro Cláudio, não, viu? Não liga, por favor, não ligue pra ele.’ Eu desliguei. Só fui entender a situação na terça-feira”, lamenta.

Confiança conquistada e a indicação

Vinícius conhecia Paola desde outubro do ano passado, quando a contratou como diarista por indicação da irmã dela. O advogado afirma que ela sempre foi uma profissional exemplar.

“Contratei a Paola em outubro do ano passado, por indicação da irmã dela. Ela fez uma revolução na minha casa de tanta organização e cuidado.”

Foi justamente pela confiança que depositava nela que decidiu repassar o contato ao primo Cláudio, quando ele procurava uma profissional para trabalhar na residência do casal.

“Ela sempre foi exemplar lá em casa. Nunca sumiu um alfinete. Era muito caprichosa, muito atenciosa e cuidava até das minhas roupas e da comida.”

Agora, Vinícius convive com um forte sentimento de culpa:

“Estou me sentindo muito mal. Desde terça-feira fico me cobrando por ter feito essa indicação.”

Mudança de comportamento após viagem

Apesar do bom histórico inicial, o advogado percebeu mudanças significativas no comportamento da diarista nos últimos meses. Tudo começou após uma viagem ao Rio Grande do Sul, que terminou na Argentina.

“Ela me falou que ia viajar para o Sul para visitar o pai e que ficaria uma semana. Só que essa uma semana durou três. Depois fui ver que ela não tinha viajado para ver o pai. Ela foi com um homem e acabou parando na Argentina. Depois teve até dificuldade para voltar e eu tive que mandar dinheiro para ela voltar”, conta.

Após a viagem, Paola passou a apresentar instabilidade emocional e a fazer uso frequente de medicamentos de tarja preta.

“Ela começou muito bem, mas de uns tempos para cá mudou completamente o comportamento. Depois dessa viagem ela começou a tomar muito remédio. Mandava foto da mão cheia de comprimidos de tarja preta. Eu falei que ela estava exagerando e que poderia ter uma parada cardiorrespiratória”, explica.

Dificuldades financeiras e ameaças

Ainda de acordo com Vinícius, a diarista também enfrentava dificuldades financeiras e havia relatado ameaças de agiotas por causa de dívidas. Ele afirma que chegou a orientá-la a procurar a polícia e até a ajudá-la financeiramente.

“Hoje de manhã fiquei estarrecido ao ver que ela confessou o crime. Não é a Paola que eu conheci”, conclui o advogado.

O crime

O casal Cláudio e Maria Clotilde foi encontrado morto dentro de casa na terça-feira (30). As investigações apontam que a diarista dopou as vítimas antes de cometer o latrocínio — roubo seguido de morte.

Paola Stefany confessou o crime e está presa à disposição da Justiça. A Polícia Civil de Minas Gerais investiga se ela agiu sozinha ou teve comparsas.

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