Neurocirurgião alegou que acionou equipamento de uso restrito porque estava atrasado para uma reunião; caso será analisado pela Justiça após audiência de custódia
Um neurocirurgião foi detido na noite de segunda-feira (13), em São Paulo, após ser flagrado dirigindo uma Mercedes-Benz equipada com um giroflex semelhante ao utilizado por viaturas policiais. A abordagem foi realizada por equipes da Rondas Ostensivas com Motocicletas (Romo), da Guarda Civil Metropolitana (GCM), na Avenida Paulista, uma das vias mais movimentadas da capital paulista.
Segundo a GCM, o veículo chamou a atenção dos agentes por trafegar em zigue-zague e utilizar um dispositivo luminoso de emergência cuja utilização é restrita a veículos autorizados, como viaturas policiais, ambulâncias e outros serviços públicos específicos.
Ao ser abordado, o motorista afirmou que havia acionado o giroflex porque estava atrasado para uma reunião. A justificativa, no entanto, não impediu a condução do caso à delegacia para investigação.
Durante a vistoria no automóvel, os agentes localizaram duas armas de fogo: uma pistola Glock G19 calibre 9 mm e um revólver calibre .357, que estava guardado dentro de uma sacola.
O médico apresentou seus documentos pessoais e informou ser CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). Entretanto, segundo a GCM, ele não portava a documentação obrigatória que comprovaria a regularidade das armas no momento da abordagem.
De acordo com o relato aos policiais, a documentação teria ficado em sua residência.
A utilização de dispositivos luminosos conhecidos como giroflex é regulamentada pela legislação brasileira e destinada exclusivamente a veículos previamente autorizados. O uso indevido desse equipamento pode configurar infrações administrativas e, dependendo das circunstâncias, também pode resultar em responsabilização criminal.
Além disso, a legislação referente aos CACs determina que o transporte de armas deve obedecer a regras específicas, incluindo a apresentação da documentação exigida quando solicitada pelas autoridades.
Após a abordagem, o neurocirurgião foi levado ao 78º Distrito Policial, onde a ocorrência foi registrada. As armas foram apreendidas para verificação da situação legal, enquanto a Polícia Civil deverá analisar toda a documentação apresentada posteriormente.
O médico também passou por audiência de custódia nesta terça-feira (14), procedimento em que a Justiça avalia a legalidade da prisão e define as medidas cabíveis durante o andamento das investigações.
As autoridades ainda irão apurar se houve apenas irregularidades administrativas relacionadas ao porte e transporte do armamento ou se outras infrações poderão ser atribuídas ao investigado conforme o avanço do inquérito.
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