Elon Musk deixou de integrar o seleto grupo dos trilionários. Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, o patrimônio do empresário recuou para cerca de US$ 957 bilhões, depois de ter superado a marca histórica de US$ 1 trilhão neste mês — feito inédito até então para qualquer pessoa no mundo.
A ascensão repentina de Musk ao topo aconteceu em 12 de junho, quando a SpaceX (SPCX34) fez sua estreia na bolsa avaliada em torno de US$ 2 trilhões, com a euforia do mercado levando a empresa a flertar com os US$ 3 trilhões em valor poucos dias depois. O entusiasmo, porém, não durou: as ações chegaram a atingir um pico intradiário de US$ 225 em 16 de junho e, desde então, recuaram mais de 30%, fechando a última terça-feira (23) em torno de US$ 156 — ainda acima dos US$ 150 da abertura, mas bem distante do auge.
Correção em massa no setor de tecnologia
A queda da SpaceX não foi um caso isolado. Avaliações mais cautelosas sobre o setor de inteligência artificial provocaram uma onda de vendas que eliminou cerca de US$ 1,3 trilhão do valor de mercado das empresas do Nasdaq 100 em apenas dois pregões. A Tesla (TSLA34), outra companhia de Musk, também foi afetada e chegou a cair 5,8% em um único dia de negociação, em meio à cautela generalizada com papéis ligados a tecnologia e inteligência artificial.
Para analistas, parte da desconfiança em torno da SpaceX está relacionada ao ritmo de crescimento da companhia, às suas necessidades de captação de recursos e ao temor de juros mais altos nos Estados Unidos. Danni Hewson, chefe de análise financeira da AJ Bell, avaliou que ações recém-listadas costumam atravessar um período natural de volatilidade, enquanto o mercado ainda está testando o preço de entrada da empresa.
A SpaceX continua sendo, de forma isolada, o principal ativo da fortuna de Musk: a participação do empresário na companhia é avaliada em cerca de US$ 744 bilhões, o que representa aproximadamente 80% de todo o seu patrimônio. É justamente essa concentração que faz qualquer oscilação no preço das ações se refletir quase imediatamente no tamanho da fortuna do bilionário — o intervalo de poucos dias foi suficiente para reduzir seu patrimônio em mais de US$ 100 bilhões.
Vale destacar que há divergências entre os principais rankings de bilionários: enquanto a Bloomberg estimava o patrimônio de Musk em US$ 957 bilhões, a Forbes calculava o valor em torno de US$ 972 bilhões no mesmo período. A diferença decorre principalmente da metodologia usada por cada publicação para avaliar participações em empresas de capital mais recente na bolsa, como a própria SpaceX.
Líder isolado, mesmo fora do clube do trilhão
Apesar do tombo, Musk continua de longe como o homem mais rico do planeta. A distância para o segundo colocado do ranking, Larry Page, cofundador do Google, é de mais de US$ 650 bilhões. Veja como ficou a lista atualizada dos dez maiores bilionários do mundo, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg:
1. Elon Musk – US$ 957 bilhões – Tesla e SpaceX
2. Larry Page – US$ 297 bilhões – Google (Alphabet)
3. Sergey Brin – US$ 276 bilhões – Google (Alphabet)
4. Jeff Bezos – US$ 257 bilhões – Amazon
5. Michael Dell – US$ 223 bilhões – Dell
6. Larry Ellison – US$ 219 bilhões – Oracle
7. Mark Zuckerberg – US$ 200 bilhões – Meta (Facebook e Instagram)
8. Jensen Huang – US$ 166 bilhões – Nvidia
9. Bernard Arnault – US$ 161 bilhões – LVMH (Louis Vuitton)
10. Jim Walton – US$ 147 bilhões – Walmart
O episódio reforça o quanto fortunas concentradas em participações acionárias estão sujeitas a oscilações bruscas: em poucos dias, Musk passou de um recorde histórico para uma perda expressiva — sem, no entanto, perder a liderança folgada entre os bilionários do mundo.

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