A parte alta de Maceió atravessa um dos maiores processos recentes de transformação urbana da capital alagoana. Obras de mobilidade, acessibilidade, drenagem, urbanização e modernização de espaços públicos estão modificando a rotina de moradores, comerciantes e trabalhadores que circulam diariamente por bairros como Tabuleiro do Martins, Benedito Bentes, Antares, Canaã, Cidade Universitária e Jardim Petrópolis.
Entre as principais intervenções estão a ampliação da Avenida Durval de Góes Monteiro, a construção da Linha Verde, a requalificação de mercados públicos e as ações do programa Brota na Grota. O conjunto busca reduzir gargalos históricos, melhorar a conexão entre bairros e criar condições para o fortalecimento da atividade econômica na região.
Além de facilitar os deslocamentos, as obras podem gerar reflexos diretos no comércio local. Vias mais acessíveis, iluminação modernizada, novos mercados e espaços públicos estruturados tendem a ampliar a circulação de consumidores, melhorar as condições de trabalho e valorizar áreas que durante anos enfrentaram problemas de infraestrutura.
Durval de Góes Monteiro ganha novas pistas e tecnologia
Principal corredor de ligação entre a parte alta, o Centro de Maceió, o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares e municípios da Região Metropolitana, a Avenida Durval de Góes Monteiro está no centro das mudanças.
No início de junho, um novo trecho de 1,2 quilômetro foi liberado entre as regiões da Imperador e da Carajás, no sentido Aeroporto/Centro. Com a entrega, o segmento passou a operar duplicado nos dois sentidos.
A ampliação da avenida é dividida em etapas. A primeira, com aproximadamente 2,2 quilômetros entre o Parque do Horto e o trevo da Tupan, havia sido entregue anteriormente. A segunda fase prevê cerca de 3,4 quilômetros de vias laterais duplicadas até as proximidades do viaduto da BR-316.
Quando o projeto estiver integralmente concluído, a expectativa é que a capacidade da avenida seja ampliada em cerca de 60%, reduzindo congestionamentos e oferecendo maior segurança para motoristas, passageiros do transporte coletivo, ciclistas e pedestres.
O projeto também inclui:
- Ciclovia com 5,7 quilômetros de extensão;
- Calçadas acessíveis e vias laterais;
- Sistema de drenagem de águas pluviais;
- Nova rede elétrica e iluminação pública;
- Monitoramento inteligente do trânsito;
- Passarela acessível na região do Canaã.
Câmeras instaladas ao longo da avenida monitoram o fluxo de veículos durante as 24 horas do dia. Integrado ao Centro de Controle Operacional, o sistema calcula os intervalos mais adequados para os semáforos, ajustando o funcionamento conforme a movimentação registrada em cada cruzamento.
Na região do Canaã, a nova passarela sobre a Durval de Góes Monteiro está na fase final de implantação. Com 61 metros de extensão, cobertura, escadas e elevadores, a estrutura pretende tornar a travessia mais segura para idosos, pessoas com deficiência e cidadãos com mobilidade reduzida.
Linha Verde cria nova ligação entre bairros
Outra intervenção considerada estratégica é a Linha Verde, corredor viário projetado para ligar as avenidas Durval de Góes Monteiro e Menino Marcelo.
Com extensão total prevista de 2,38 quilômetros, a nova via contará com duas pistas, ciclovia, espaço para pedestres, iluminação em LED, pontos de ônibus, rotatória e duas pontes de grande porte.
A primeira etapa, formada por aproximadamente 800 metros, foi formalmente entregue em abril. Apesar disso, a via permanece fechada para o tráfego enquanto as demais etapas são concluídas.
Quando liberada integralmente, a Linha Verde deverá oferecer uma alternativa para moradores de bairros como Tabuleiro do Martins, Antares, Benedito Bentes, Santa Lúcia, Eustáquio Gomes e Jardim Petrópolis. A Prefeitura estima que o corredor poderá beneficiar cerca de 300 mil pessoas.
A obra também apresenta uma particularidade financeira importante. Parte das intervenções de mobilidade executadas na região, incluindo a Linha Verde e melhorias na Durval de Góes Monteiro, integra o Termo de Acordo Socioambiental firmado após o desastre provocado pela mineração de sal-gema em Maceió.
As obras são definidas pelo município, executadas por empresas contratadas pela Braskem e fiscalizadas pelo poder público. O pacote de mobilidade possui orçamento inicial de R$ 360 milhões, com previsão de correção anual.
Novos mercados podem fortalecer comércio popular
As mudanças na parte alta também alcançam equipamentos ligados diretamente à economia dos bairros. O Mercado do Biu, no Benedito Bentes, e o futuro Mercado do Tabuleiro estão entre os espaços contemplados por projetos de modernização.
O novo Mercado do Biu recebeu investimento de aproximadamente R$ 9 milhões. Com área superior a 1,5 mil metros quadrados, o equipamento possui mais de 100 boxes, banheiros adaptados, lanchonetes e espaços destinados à comercialização de carnes, pescados, cereais e outros produtos.
A modernização pode oferecer melhores condições de trabalho aos permissionários, atrair consumidores e estimular o comércio no entorno do mercado.
No Tabuleiro do Martins, o terreno destinado ao novo mercado já recebeu serviços de infraestrutura. O projeto prevê estrutura com ventilação natural, entrada de luz, piso tátil, rampas de acessibilidade, áreas de alimentação e espaços destinados aos diferentes tipos de comércio.
Mercados públicos exercem uma função que vai além do abastecimento. Eles são centros de geração de renda, circulação de consumidores e convivência social. Por isso, a qualidade da estrutura pode influenciar diretamente o movimento dos comerciantes e a experiência dos clientes.
Brota na Grota amplia acesso e gera oportunidades
Nas áreas mais vulneráveis, as intervenções avançam por meio do programa Brota na Grota. Segundo dados divulgados pela Prefeitura, Maceió possui 94 grotas, que vêm recebendo ações de mobilidade, drenagem, contenção, iluminação, acessibilidade e urbanização.
O programa também leva serviços de saúde, assistência social, capacitação e encaminhamento profissional às comunidades. A gestão municipal informa que a iniciativa já realizou mais de 250 mil atendimentos e recebeu investimentos superiores a R$ 150 milhões.
Um dos diferenciais apresentados pelo município é a contratação de moradores das próprias comunidades para trabalhar nas intervenções. A medida gera renda temporária, movimenta a economia local e aproxima a população das obras executadas nos territórios.
Na Grota da Alegria, foram concluídos pontilhão, muro de contenção, escadarias e sistema de drenagem. As equipes trabalham agora na construção de um canal que dará origem a um Parque Linear, com área de convivência, parque infantil e quadra de futmesa.
Na Grota do Ouro Preto, os serviços incluem recuperação de escadarias e melhorias nos acessos. As intervenções buscam reduzir riscos, principalmente durante o período chuvoso, e facilitar o deslocamento de moradores que enfrentam trajetos íngremes e áreas de difícil acesso.
Infraestrutura pode impulsionar desenvolvimento, mas resultados precisam ser acompanhados
O conjunto de obras aponta para uma tentativa de integrar mobilidade, desenvolvimento urbano e inclusão social na parte alta de Maceió. Novos corredores viários podem reduzir o tempo de deslocamento, enquanto mercados modernizados e comunidades mais acessíveis podem favorecer trabalhadores, pequenos comerciantes e prestadores de serviços.
No entanto, o impacto definitivo dependerá da conclusão dos projetos, da manutenção das estruturas e do acompanhamento de indicadores como tempo médio de viagem, número de acidentes, movimento do comércio e acesso da população aos serviços públicos.
Também será necessário garantir que ciclovias, passarelas, elevadores, sistemas de drenagem e equipamentos comunitários continuem funcionando adequadamente após as entregas.
Entre obras concluídas, trechos liberados e intervenções ainda em andamento, a parte alta de Maceió ganha novas conexões e assume uma posição cada vez mais relevante no crescimento urbano e econômico da capital.

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