quarta-feira , 22 julho 2026
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Golpistas usam inteligência artificial para criar vídeos falsos de famosos e vender medicamentos; Anvisa faz alerta à população

Agência orienta consumidores a desconfiar de recomendações feitas por celebridades, influenciadores e até supostos médicos nas redes sociais e reforça que medicamentos só devem ser adquiridos em estabelecimentos autorizados

Drauzio Varella, Susana Vieira, Simone Mendes estão entre os famosos mais utilizados ilegalmente. - Wanezza Soares/Reprodução/Instagram

A popularização da inteligência artificial tem impulsionado novas formas de golpes na internet. Desta vez, o alerta veio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que chamou a atenção para o uso de vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial (IA) para promover medicamentos e suplementos alimentares nas redes sociais.

Segundo a agência, criminosos estão utilizando a tecnologia conhecida como deepfake para alterar imagens e vozes de celebridades, influenciadores digitais e até profissionais da saúde, fazendo parecer que essas pessoas recomendam produtos que, na realidade, nunca indicaram. O objetivo é transmitir credibilidade e convencer consumidores a comprar medicamentos clandestinos, falsificados ou sem autorização sanitária.

Como funciona o golpe

Os vídeos manipulados simulam entrevistas, depoimentos ou recomendações médicas utilizando a imagem e a voz de pessoas conhecidas. Em muitos casos, o conteúdo promete resultados considerados milagrosos, como cura de doenças crônicas, emagrecimento rápido ou tratamento definitivo para diversos problemas de saúde.

A Anvisa destaca que essas promessas costumam estar associadas à venda de produtos sem registro ou falsificados, que podem colocar a saúde do consumidor em risco.

Nem toda recomendação de famoso é confiável

O órgão reforça que, mesmo quando um influenciador ou celebridade realmente divulga determinado produto, isso não significa que ele seja adequado para todas as pessoas.

Cada paciente possui histórico clínico, condições de saúde e utiliza medicamentos diferentes. Por isso, iniciar qualquer tratamento apenas por recomendação vista nas redes sociais pode representar riscos importantes.

A orientação é sempre procurar um médico ou outro profissional de saúde habilitado antes de utilizar qualquer medicamento ou suplemento alimentar.

Médicos também podem ser falsificados

Outro ponto que preocupa a agência é o uso de médicos criados ou manipulados por inteligência artificial para transmitir uma falsa sensação de autoridade científica.

Quando houver dúvida sobre a autenticidade de um profissional, a recomendação é verificar seu registro no Conselho Federal de Medicina (CFM) ou no conselho profissional correspondente antes de confiar nas informações divulgadas. A própria regulamentação médica exige que profissionais identifiquem seu número de CRM nas publicações realizadas nas redes sociais.

Compra de medicamentos exige atenção

A Anvisa lembra que, no Brasil, medicamentos só podem ser vendidos por farmácias e drogarias regularmente autorizadas pela vigilância sanitária ou por seus canais oficiais na internet.

A compra de remédios em redes sociais, marketplaces, aplicativos de mensagens ou diretamente com vendedores desconhecidos representa um grande risco, já que não há garantia sobre a origem, qualidade ou composição do produto.

Suplementos não podem prometer cura

O alerta também vale para suplementos alimentares. Esses produtos são destinados apenas à suplementação nutricional e não podem anunciar propriedades de tratamento, prevenção ou cura de doenças.

Promessas de resultados extraordinários, como emagrecimento rápido, controle do diabetes ou cura de enfermidades, devem ser encaradas como sinais de possível propaganda enganosa ou comercialização irregular.

Produtos “100% naturais” também exigem cuidados

Outro argumento frequentemente utilizado pelos golpistas é a promessa de produtos “100% naturais” ou “sem qualquer risco”. Segundo a Anvisa, essa afirmação não significa que o produto seja seguro.

Até mesmo medicamentos fitoterápicos podem provocar efeitos adversos e precisam estar devidamente regularizados pela agência antes de serem comercializados.

Como evitar cair no golpe

A Anvisa orienta os consumidores a adotarem alguns cuidados antes de comprar qualquer produto de saúde:

  • Desconfie de vídeos de celebridades ou médicos prometendo resultados milagrosos;
  • Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento;
  • Verifique se o medicamento possui registro na Anvisa;
  • Compre apenas em farmácias e drogarias autorizadas;
  • Evite adquirir medicamentos por redes sociais, aplicativos de mensagens ou vendedores informais;
  • Desconfie de promessas de cura rápida ou garantida.

Segundo a agência, o avanço da inteligência artificial tornou os golpes mais sofisticados e difíceis de identificar. Por isso, a principal forma de proteção continua sendo a verificação da procedência dos produtos e a busca por orientação médica antes de qualquer tratamento.

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