O que parecia ser apenas uma moldura antiga abandonada em uma rua de Sevilha, na Espanha, acabou se transformando em uma das histórias mais curiosas do ano. O espanhol Andrés Hurtado, de 57 anos, encontrou uma pintura deixada na calçada durante um passeio pela cidade e decidiu levá-la consigo apenas porque gostou da moldura dourada. Dias depois, descobriu que havia encontrado uma obra original do renomado pintor espanhol Joaquín Sorolla, avaliada em cerca de 150 mil euros — aproximadamente R$ 880 mil.
Segundo Andrés, ele viu algumas crianças deixando o quadro na rua e imaginou que se tratava de um objeto descartado. Sem dar muita atenção à pintura, colocou a peça no hotel e retornou para sua casa, em Puebla de Soto, na região de Múrcia.
Já em casa, ao observar melhor a tela, que retrata dois barcos diante de uma praia, ele resolveu utilizar uma ferramenta de inteligência artificial para identificar a obra. O sistema apontou que a pintura poderia ser de Joaquín Sorolla, um dos artistas mais importantes da história da arte espanhola, conhecido pelas paisagens litorâneas e pelo domínio da luz em suas obras impressionistas. Apesar da indicação, Andrés acreditava que se tratasse apenas de uma cópia, já que existem inúmeras reproduções e falsificações do artista.
Para confirmar a suspeita, ele procurou uma casa de leilões, que autenticou a pintura como um Sorolla original. A avaliação inicial estimou o valor da obra em até 150 mil euros.
Entretanto, antes que qualquer negociação fosse realizada, Andrés descobriu que o quadro havia sido perdido por uma família de Sevilha. Os proprietários esqueceram a obra na calçada enquanto organizavam a bagagem do carro para viajar de férias. Depois que perceberam o desaparecimento, registraram ocorrência na polícia e espalharam cartazes pela cidade em busca do quadro, inicialmente acreditando que ele havia sido roubado.
Ao tomar conhecimento da notícia pela imprensa, Andrés entrou imediatamente em contato com as autoridades para explicar que havia encontrado o quadro na rua e desconhecia sua origem. A Polícia Nacional recuperou a obra e a devolveu à família, encerrando o caso sem acusações contra o turista.
Além do elevado valor financeiro, o quadro possui um forte valor histórico e afetivo, pois traz uma dedicatória escrita pelo próprio Joaquín Sorolla aos antigos proprietários da família, o que contribuiu para confirmar sua autenticidade.
Embora tenha aberto mão de uma verdadeira fortuna, Andrés afirmou não se arrepender da decisão. Segundo ele, manter a consciência tranquila e devolver a obra ao legítimo dono valeu mais do que qualquer recompensa financeira. A família chegou a prometer um presente em agradecimento pelo gesto de honestidade.

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