quinta-feira , 10 setembro 2026
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Novas manchas de óleo são encontradas no litoral de Marechal Deodoro; origem ainda é investigada

Vestígios foram identificados na Praia do Saco um dia após ocorrência semelhante entre Riacho Doce e Guaxuma, em Maceió; amostras serão analisadas pelo Ibama e pela Marinha

Reprodução/Instagram

Novos vestígios de uma substância semelhante a óleo foram encontrados, na manhã desta quarta-feira (9), na faixa de areia da Praia do Saco, em Marechal Deodoro, no Litoral Sul de Alagoas. A ocorrência foi registrada um dia depois de manchas escuras terem sido identificadas entre as praias de Riacho Doce e Guaxuma, em Maceió.

A presença do material mobilizou o Instituto Biota, que acompanha a situação e deverá encaminhar amostras para análise do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Marinha do Brasil. O objetivo é identificar a composição da substância e buscar indícios que permitam determinar sua procedência.

Até o momento, não há confirmação de que os dois episódios tenham a mesma origem, nem de que o material esteja relacionado ao grande derramamento de petróleo que atingiu o litoral brasileiro em 2019.

Origem permanece sem resposta

A hipótese de uma relação com o desastre ambiental de sete anos atrás ainda precisa ser comprovada tecnicamente. Outra possibilidade que deverá ser considerada na investigação é a existência de alguma fonte relacionada à atividade petrolífera em estados próximos.

O episódio registrado em Maceió na terça-feira (8) também permanece sob investigação. Na ocasião, manchas foram observadas tanto na água quanto na faixa de areia entre Riacho Doce e Guaxuma, e o Instituto Biota coletou material para análise.

A identificação química das amostras será fundamental para diferenciar a substância e, eventualmente, estabelecer uma conexão entre as ocorrências.

Prefeitura deve atuar na retirada do material

A limpeza da área atingida em Marechal Deodoro deverá ser realizada pela administração municipal. A recomendação é que a retirada seja feita o quanto antes e por trabalhadores devidamente protegidos.

A preocupação ambiental está relacionada não apenas à permanência do material na areia, mas também à possibilidade de que ele seja levado novamente para o mar pela maré ou acabe entrando em contato com a fauna marinha.

O Instituto Biota orienta que moradores, turistas e frequentadores das praias não manipulem as manchas diretamente e não tentem fazer a retirada por conta própria. A orientação é comunicar a ocorrência aos órgãos responsáveis para que o recolhimento seja realizado de maneira adequada.

Risco para animais marinhos

A permanência de resíduos oleosos na faixa de areia pode favorecer a mistura do material com sedimentos, algas e outros componentes do ambiente costeiro. Existe ainda o risco de contato ou ingestão por animais marinhos, incluindo tartarugas.

Por isso, a rapidez na identificação e remoção dos resíduos é considerada importante enquanto a composição da substância não é conhecida.

Ainda não há confirmação oficial sobre a extensão total da área afetada em Marechal Deodoro, a quantidade de material encontrada ou eventuais impactos ambientais decorrentes da ocorrência.

O que aconteceu em 2019?

A lembrança do desastre ambiental de 2019 aumenta a preocupação diante do aparecimento de novas manchas no litoral alagoano.

Naquele episódio, resíduos de óleo foram registrados em todos os nove estados do Nordeste e posteriormente também alcançaram o Espírito Santo e o Rio de Janeiro. Segundo informações da Marinha, mais de 5 mil toneladas de resíduos foram recolhidas e a ocorrência atingiu mais de 3 mil quilômetros da costa brasileira.

Em Alagoas, a contaminação alcançou diferentes pontos do litoral. A foz do Rio São Francisco, em Piaçabuçu, foi atingida por manchas de petróleo cru em outubro daquele ano.

Apesar da associação feita naturalmente pela população, não há, até agora, comprovação de que os resíduos encontrados em 2026 sejam remanescentes daquele desastre. A composição e a possível origem do material encontrado agora dependerão das análises técnicas.

Enquanto os resultados não são divulgados, a recomendação é evitar o contato direto com as manchas e comunicar novos registros às autoridades ambientais.

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