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Dois suspeitos de ordenar duplos homicídios morrem em confrontos durante Operação Sufoco em Alagoas

Wagner e Milas Pereira eram apontados pela polícia como mandantes de quatro assassinatos ocorridos em Maceió; investigação apura possível retaliação entre grupos criminosos

Milas e Wagner morreram em confrontos com policiais

Dois homens apontados pelas forças de segurança como suspeitos de ordenar dois duplos homicídios em Maceió morreram na noite desta quarta-feira (2) durante a Operação Sufoco, realizada em diferentes pontos de Alagoas para o cumprimento de mandados de prisão.

Os investigados foram identificados como Wagner, conhecido como “Vaqueiro”, e Milas Pereira, chamado de “Jogador”. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), os dois eram apontados como integrantes de grupos criminosos rivais e teriam ligação com quatro mortes ocorridas na capital em agosto.

A principal linha investigativa considera que os dois duplos homicídios podem fazer parte de uma sequência de ataques motivados por uma disputa entre os grupos, com o segundo crime sendo tratado como possível retaliação ao primeiro.

Primeiro duplo homicídio ocorreu em 26 de agosto

O primeiro crime investigado aconteceu na noite de 26 de agosto, em uma residência localizada no Conjunto Paraíso do Horto, no bairro Petrópolis, em Maceió.

Um casal foi surpreendido dentro do imóvel por homens armados, que invadiram a residência e efetuaram diversos disparos. As vítimas foram identificadas como Rosângela Rocha de Albuquerque e Eduardo dos Santos.

Segundo informações da Polícia Militar divulgadas após o crime, Rosângela foi atingida por 18 disparos e Eduardo por aproximadamente 13. As circunstâncias e a autoria eram inicialmente desconhecidas e ficaram sob investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

De acordo com a investigação que resultou na Operação Sufoco, Wagner teria sido responsável por ordenar a execução do casal. A polícia o apontava como integrante do Comando Vermelho e relacionava sua atuação a esse primeiro ataque.

Segundo ataque aconteceu três dias depois

O segundo duplo homicídio ocorreu na noite de 29 de agosto, no bairro Chã da Jaqueira.

As vítimas foram identificadas como Natanael dos Santos, de 23 anos, e Bruno Santos da Silva, de 25. Segundo os primeiros levantamentos, criminosos chegaram ao imóvel, arrombaram a porta e efetuaram vários disparos contra os dois homens, que morreram antes da chegada do socorro.

A investigação passou a considerar a possibilidade de que o crime tivesse sido cometido em resposta ao assassinato do casal três dias antes.

Milas Pereira, conhecido como “Jogador” e apontado pela polícia como integrante do grupo conhecido como “Neutros”, era investigado como possível mandante da morte dos dois homens. Para a Segurança Pública, a sequência dos ataques reforça a hipótese de uma disputa entre organizações criminosas rivais.

Wagner foi localizado em Santa Amélia

Durante a Operação Sufoco, equipes do Batalhão de Rotam foram até o bairro Santa Amélia, em Maceió, para cumprir um mandado de prisão contra Wagner.

Segundo a versão apresentada pela polícia, o investigado reagiu à chegada dos militares e efetuou disparos contra a equipe. Houve troca de tiros, e Wagner foi atingido.

O suspeito recebeu atendimento e foi levado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas morreu após dar entrada na unidade.

Milas morreu após confronto em Major Izidoro

A segunda ação ocorreu no município de Major Izidoro, no Sertão de Alagoas.

Milas Pereira foi localizado por equipes da Companhia de Operações Policiais Especiais do Sertão (Copes), com apoio da Polícia Penal, durante o cumprimento do mandado.

Conforme o relato policial, o investigado atirou contra os agentes quando percebeu a aproximação da equipe. Os policiais reagiram e Milas foi baleado.

Ele também foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu posteriormente no hospital.

Armas, munições e droga foram apreendidas

Durante as duas ações da Operação Sufoco, as forças de segurança apreenderam pistolas, uma quantidade significativa de munições e porções de cocaína.

O material deverá ser incorporado às investigações e poderá ajudar na apuração da atuação dos suspeitos e de possíveis conexões com outros integrantes dos grupos criminosos.

Polícia investiga possível guerra entre grupos

A sequência dos crimes é considerada pela polícia como um possível confronto entre grupos rivais.

A hipótese investigativa aponta que o primeiro ataque teria sido ordenado por Wagner e que, posteriormente, integrantes do grupo adversário teriam promovido o segundo duplo homicídio como forma de retaliação.

A relação entre os crimes, entretanto, ainda está sendo investigada. A Polícia Civil deve continuar levantando informações para determinar quem participou diretamente das execuções, quais foram as motivações e se existem outros envolvidos.

Mortes ocorreram durante cumprimento de mandados

Os dois investigados não chegaram a ser levados para interrogatório porque morreram depois de serem baleados nas intervenções policiais.

Os relatos divulgados pela Segurança Pública indicam que ambos teriam efetuado disparos contra as equipes, provocando os confrontos. As circunstâncias das mortes em intervenções policiais devem seguir os procedimentos de registro e apuração previstos para esse tipo de ocorrência.

A operação não encerra as investigações sobre os quatro homicídios. Ao contrário, a análise de provas e informações reunidas pelas forças de segurança deverá buscar identificar os demais responsáveis pelos ataques.

Até o momento, as acusações atribuídas a Wagner e Milas decorrem das investigações policiais e não de condenações judiciais. A responsabilidade criminal individual dos envolvidos nos homicídios dependerá das provas produzidas e da análise da Justiça.

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