O governo federal anunciou, nesta terça-feira (30), a retirada da subvenção por litro do diesel a partir de quarta-feira (1º de julho). A medida foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista coletiva em Brasília, ao lado de representantes do Ministério do Planejamento e Orçamento e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
“Fomos atentos para colocar o auxílio e também seremos para retirar”, afirmou Durigan, referindo-se ao fim do subsídio que foi implementado para conter a alta dos combustíveis.
O ministro também indicou que medida semelhante deve ser aplicada à gasolina nas próximas semanas, embora não tenha detalhado prazos ou valores.
O que muda com o fim do subsídio do diesel
O subsídio ao diesel foi adotado pelo governo como forma de segurar os preços do combustível, que impactam diretamente o transporte de cargas, o agronegócio e, consequentemente, a inflação de alimentos e outros produtos.
Com a retirada da subvenção, o valor do diesel deve sofrer reajuste nas bombas. Economistas estimam que o impacto pode variar entre R$ 0,15 e R$ 0,30 por litro, dependendo da política de preços da Petrobras e da margem de distribuidoras e revendedores.
A ANP informou que acompanhará de perto a evolução dos preços para evitar abusos e garantir que o repasse seja feito de forma transparente.
Medida semelhante para a gasolina
Durante a coletiva, Durigan sinalizou que o governo também estuda retirar o subsídio da gasolina, mas sem definir uma data exata. A decisão dependerá do comportamento do mercado internacional do petróleo e da arrecadação federal.
“Vamos monitorar os preços internacionais e a capacidade de absorção do mercado interno. Não há pressa, mas a direção é a mesma”, disse o ministro.
Atualmente, a gasolina conta com uma subvenção federal que ajuda a manter o preço mais baixo ao consumidor. A retirada desse benefício pode elevar o valor do combustível entre R$ 0,20 e R$ 0,40 por litro, segundo analistas.
Contexto econômico
A decisão ocorre em meio a um esforço do governo para equilibrar as contas públicas. O subsídio aos combustíveis representou um custo bilionário aos cofres da União nos últimos anos. Com a melhora na arrecadação e a queda nos preços internacionais do petróleo, o governo avalia que chegou o momento de reduzir esses gastos.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a retirada gradual dos subsídios faz parte de uma estratégia de responsabilidade fiscal, sem comprometer o poder de compra da população de forma abrupta.
Reações do mercado e dos caminhoneiros
A notícia foi recebida com cautela pelo mercado financeiro. Analistas apontam que o fim do subsídio pode pressionar a inflação no curto prazo, mas é visto como positivo para a saúde fiscal do país.
Já representantes de caminhoneiros e do setor de transportes manifestaram preocupação. A categoria já havia sido impactada por sucessivos aumentos no diesel nos últimos anos e teme novos reajustes.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) divulgou nota pedindo que o governo mantenha algum mecanismo de compensação para os profissionais do setor.
Próximos passos
A portaria assinada pelo ministro será publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (1º) e entra em vigor imediatamente. A ANP será responsável por fiscalizar o cumprimento das novas regras e divulgar relatórios periódicos sobre a evolução dos preços.
O governo promete manter diálogo com os setores produtivos e com a sociedade para avaliar os impactos da medida.

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