O governo brasileiro voltou à mesa de negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos exportados pelo Brasil. A reunião, realizada nesta terça-feira (14), ocorreu às vésperas da decisão do governo norte-americano, que deve anunciar nesta quarta-feira (15) se manterá a sobretaxa proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O encontro marcou a quinta rodada de conversas de alto nível entre representantes dos dois países e reuniu integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e da Assessoria Especial da Presidência da República com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. O objetivo foi tentar construir uma solução negociada e evitar impactos para a economia brasileira.
Governo brasileiro contesta justificativas dos Estados Unidos
Em nota oficial, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “injustificadas” as recomendações apresentadas pelo USTR. Segundo o Planalto, os argumentos utilizados pelos norte-americanos não sustentam a adoção de medidas tarifárias contra produtos brasileiros.
O governo também voltou a afirmar que uma eventual sobretaxa prejudicaria empresas e consumidores dos próprios Estados Unidos, uma vez que diversas cadeias produtivas dependem de matérias-primas e produtos importados do Brasil.
Entre os pontos questionados pelo USTR estão políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol, ao combate à corrupção e ao enfrentamento do desmatamento ilegal. As autoridades brasileiras rejeitam as alegações e afirmam que as políticas adotadas respeitam a legislação nacional e os acordos internacionais.
Tarifa pode atingir milhares de produtos brasileiros
A proposta apresentada pelo governo norte-americano prevê uma tarifa de 25% sobre mais de 4 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Alguns itens considerados estratégicos, como carne bovina, café, peças aeronáuticas e determinados minerais, ficaram de fora da lista preliminar, mas diversos produtos industriais poderão ser afetados caso a medida seja confirmada.
Além dessa investigação, os Estados Unidos também analisam uma segunda medida que poderá impor uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos provenientes de países considerados insuficientemente rigorosos no combate ao trabalho forçado, processo que também inclui o Brasil entre os países avaliados.
Setor produtivo acompanha decisão com preocupação
Representantes da indústria e do agronegócio acompanham as negociações com atenção. Entidades empresariais dos dois países têm defendido a manutenção do diálogo e alertado que uma guerra tarifária pode elevar custos de produção, reduzir investimentos e afetar empregos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro admitem que ainda existe risco elevado de implementação da tarifa, apesar das sucessivas rodadas de negociação. Caso a sobretaxa seja confirmada, o Palácio do Planalto estuda medidas diplomáticas e comerciais para responder à decisão, embora continue defendendo uma solução negociada para preservar a relação entre os dois países.

Deixe um comentário