O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou a capacidade de atendimento remoto para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A iniciativa, disponível pelo Meu SUS Digital, busca facilitar o acesso ao cuidado em saúde mental e encaminhar usuários para a Rede de Atenção Psicossocial quando necessário.
O serviço começou a funcionar em março deste ano com previsão inicial de cerca de 600 teleatendimentos mensais. Com o aumento da procura, o governo federal ampliou a estrutura contratada, que poderá alcançar até 100 mil atendimentos por mês.
Atendimento é feito de forma remota
O atendimento ocorre por videochamada e conta com profissionais de diferentes áreas, incluindo psicólogos e enfermeiros. Além dos próprios apostadores, familiares e pessoas da rede de apoio também podem procurar orientação.
A proposta é oferecer uma porta de entrada para quem percebe que as apostas começaram a provocar consequências financeiras, emocionais, familiares ou sociais.
Entre os sinais de alerta estão gastar mais dinheiro ou tempo do que o planejado, preocupação frequente com apostas e mudanças no sono, humor, rotina ou relacionamento com outras pessoas.
Como acessar o serviço
O acesso é feito pelo Meu SUS Digital, utilizando uma conta gov.br.
O usuário deve:
- Entrar no aplicativo ou na versão web do Meu SUS Digital;
- Fazer login com a conta gov.br;
- Acessar a área “Miniapps”;
- Selecionar “Problemas com jogos de apostas?”;
- Responder ao autoteste disponível na plataforma.
O questionário é utilizado para identificar possíveis sinais de uso problemático. Quando o resultado aponta risco moderado ou elevado, o usuário pode ser encaminhado automaticamente para o teleatendimento.
Autoteste não substitui avaliação médica
O Ministério da Saúde ressalta que o questionário disponibilizado no aplicativo não é um instrumento diagnóstico. Ele serve como ferramenta de orientação e identificação de sinais que podem indicar a necessidade de procurar ajuda profissional.
Quem não for direcionado ao teleatendimento também pode receber orientações para procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Governo também oferece bloqueio das bets
Além do atendimento em saúde, o governo federal disponibiliza uma ferramenta de autoexclusão administrada pelo Ministério da Fazenda.
Por meio dela, o cidadão pode solicitar voluntariamente o bloqueio de suas contas nas plataformas de apostas autorizadas. O sistema também impede a abertura de novas contas vinculadas ao CPF e interrompe o recebimento de publicidade direcionada das empresas.
A ferramenta pode ser utilizada como uma estratégia complementar para pessoas que identificam dificuldade em controlar o comportamento de apostar.
Busca por ajuda pode começar pela atenção básica
O Ministério da Saúde orienta que pessoas afetadas pelas apostas não precisam esperar que o problema se agrave para procurar atendimento.
A rede pública oferece acolhimento nas UBSs e atendimento especializado nos CAPS. O tratamento pode envolver acompanhamento individual ou em grupo e, quando necessário, outras estratégias definidas por profissionais de saúde.
A ampliação do teleatendimento representa uma tentativa de reduzir uma das principais barreiras ao tratamento: a dificuldade ou resistência de procurar presencialmente uma unidade de saúde.
Serviço também atende familiares
Outro aspecto da iniciativa é a possibilidade de atendimento para familiares e pessoas próximas de quem enfrenta problemas com apostas.
Segundo o Ministério da Saúde, essas pessoas podem buscar acolhimento e orientação sobre como lidar com a situação e auxiliar quem apresenta dificuldades relacionadas ao jogo.
A orientação oficial também é evitar estigmatizar quem enfrenta problemas com apostas e buscar acompanhamento profissional.
Medida ocorre em meio à expansão das apostas online
A ampliação do serviço acontece enquanto o governo federal intensifica ações de prevenção aos impactos das apostas online. Em julho, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional voltada à conscientização sobre os riscos do uso problemático das plataformas.
A estratégia reúne prevenção, redução de danos, atendimento psicológico e orientação, além da possibilidade de bloqueio voluntário do acesso às plataformas.
A recomendação é que pessoas que percebam perda de controle sobre as apostas procurem ajuda o quanto antes, seja pelo teleatendimento do SUS, pelas UBSs ou pelos CAPS.

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