terça-feira , 29 setembro 2026
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Megaoperação no DF mira rede de anabolizantes clandestinos e bloqueia R$ 32 milhões

Operação Narciso cumpre mais de 100 ordens judiciais e investiga fabricação, distribuição e venda de produtos sem controle sanitário em oito estados e no Distrito Federal

Ascom PC-DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Narciso, contra uma organização investigada por fabricar, distribuir e comercializar anabolizantes e outros produtos de forma clandestina. A ofensiva mobiliza equipes no Distrito Federal e em outros estados e busca atingir diferentes etapas da estrutura mantida pelo grupo.

Ao todo, a Justiça autorizou 43 mandados de prisão preventiva e temporária e 64 mandados de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas patrimoniais, incluindo o bloqueio e sequestro de R$ 32 milhões em ativos e a quebra do sigilo bancário de 58 investigados.

A operação alcança o Distrito Federal e os estados de Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais. Segundo a investigação, a organização também mantinha uma rota de abastecimento relacionada ao Paraguai.

Laboratórios funcionavam em locais improvisados

De acordo com a PCDF, os investigadores identificaram pontos utilizados para a fabricação dos produtos em residências, depósitos e outros imóveis sem estrutura adequada para produção de medicamentos ou substâncias destinadas ao consumo humano.

Os próprios integrantes do grupo utilizariam o termo “cozimento” para se referir ao processo de fabricação.

A investigação aponta que insumos provenientes de países como China, Índia e Paraguai eram utilizados na produção. Em alguns casos, segundo a polícia, as substâncias encontradas nos produtos não correspondiam às informações apresentadas nos rótulos.

A ausência de controle sobre composição, concentração, armazenamento e fabricação é um dos principais pontos de preocupação das autoridades.

Mais de 20 estabelecimentos foram fechados

Durante a operação, mais de 20 estabelecimentos foram lacrados. As equipes também apreenderam dez veículos de luxo e retiraram do ar mais de 30 sites apontados como irregulares.

A estrutura investigada, segundo a polícia, não estaria limitada à produção. A organização teria desenvolvido uma cadeia envolvendo fornecedores de matéria-prima, fabricação, distribuição, publicidade e comercialização.

As medidas patrimoniais determinadas pela Justiça têm como objetivo impedir que recursos eventualmente relacionados às atividades investigadas sejam movimentados ou ocultados durante o avanço das apurações.

Influenciadores estariam entre os investigados

Outro ponto identificado pelos investigadores é a utilização de profissionais e influenciadores para divulgar os produtos.

A suspeita é de que a publicidade nas redes sociais ajudasse a ampliar o alcance das vendas e a apresentar os produtos a consumidores de diferentes regiões do país.

A polícia também investiga a utilização de empresas, contas de terceiros e até casas de apostas em operações financeiras que poderiam ter sido empregadas para dificultar o rastreamento da origem dos valores.

As movimentações financeiras serão analisadas a partir da quebra dos sigilos bancários autorizada judicialmente.

Investigação começou em 2025

A Operação Narciso é resultado de uma investigação iniciada a partir da Operação Béquer, deflagrada em fevereiro de 2025.

Naquela ocasião, policiais encontraram equipamentos, insumos, cápsulas e embalagens em um imóvel no Distrito Federal. A análise do material apreendido, especialmente de aparelhos celulares, teria permitido aos investigadores ampliar o mapeamento da estrutura.

A partir dessas informações, a polícia identificou possíveis fornecedores, laboratórios clandestinos, gráficas, distribuidores e intermediários, além de uma rota internacional associada ao Paraguai.

O trabalho de investigação passou, então, a acompanhar não apenas os locais de produção, mas também a logística e os mecanismos utilizados para comercializar os produtos.

Por que o comércio clandestino preocupa?

Anabolizantes e medicamentos produzidos sem fiscalização podem apresentar riscos que vão além do uso inadequado da substância.

Quando um produto é fabricado clandestinamente, o consumidor pode não ter garantia sobre sua composição, concentração, esterilidade ou condições de armazenamento. A presença de substâncias diferentes das indicadas no rótulo aumenta ainda mais o risco.

O problema também envolve produtos vendidos como alternativas para ganho de massa muscular, melhora do desempenho físico ou alterações estéticas, muitas vezes comercializados pela internet e sem acompanhamento profissional.

Operação mira estrutura financeira do grupo

Além das prisões e buscas, o bloqueio de R$ 32 milhões demonstra que a investigação também procura atingir o patrimônio relacionado à organização.

A quebra do sigilo bancário de 58 pessoas permitirá aos investigadores analisar transferências, pagamentos, empresas utilizadas e possíveis conexões financeiras entre os envolvidos.

A expectativa é que a análise dos documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais recolhidos durante a operação ajude a identificar novos participantes e dimensionar o volume de produtos e dinheiro movimentado.

Nome da operação faz referência à vaidade

O nome Narciso faz referência ao personagem da mitologia grega conhecido por sua extrema admiração pela própria aparência. A escolha do nome está relacionada ao contexto investigado, que envolve produtos destinados, entre outras finalidades, à transformação estética e ao aumento de massa muscular.

Investigações continuam

A operação desta quarta-feira representa uma nova etapa da investigação iniciada em 2025. Com o cumprimento das ordens judiciais, a Polícia Civil deverá analisar o material apreendido e cruzar informações financeiras e digitais.

A apuração também deverá verificar a participação individual de cada investigado e o papel desempenhado por fornecedores, fabricantes, distribuidores, divulgadores e demais integrantes da estrutura.

As suspeitas ainda serão submetidas ao devido processo legal, e os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência. A operação, portanto, não representa condenação definitiva dos alvos.

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