A assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) voltou ao centro do debate público em Alagoas nos últimos dias. O tema ganhou repercussão após o influenciador Eric Johnson publicar um vídeo questionando declarações do pré-candidato ao Governo de Alagoas, Renan Filho (MDB), relacionadas às políticas voltadas para crianças neurodivergentes.
Na publicação, o influenciador relembra a interrupção do atendimento de equoterapia oferecido pelo Centro de Equoterapia e Zooterapia de Alagoas, em Maceió. À época, mais de 200 crianças ficaram sem acesso ao serviço por cerca de cinco meses devido à suspensão de repasses estaduais, situação que motivou manifestações de famílias, denúncias de regressão no desenvolvimento de pacientes e discussões na Assembleia Legislativa.
O episódio voltou a mobilizar mães atípicas e representantes da causa, que defendem maior continuidade das políticas públicas voltadas à reabilitação e ao acompanhamento terapêutico de crianças com deficiência.
Enquanto o debate sobre a manutenção dos serviços estaduais é retomado, a Prefeitura de Maceió destaca os investimentos realizados na ampliação da rede municipal de atendimento especializado. O principal equipamento dessa política é a Casa do Autista, inaugurada na gestão do então prefeito JHC com a proposta de oferecer acompanhamento multidisciplinar gratuito a crianças e adolescentes com TEA.
Instalada em uma área de aproximadamente quatro mil metros quadrados e construída com investimento de cerca de R$ 9 milhões, a unidade reúne especialistas de diversas áreas, como neuropediatria, psiquiatria infantil, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, pedagogia, psicopedagogia, nutrição, enfermagem, assistência social e educação física adaptada. A estrutura também contempla espaços como sala de integração sensorial, jardim sensorial, piscina terapêutica, parque inclusivo, minicidade voltada ao desenvolvimento da autonomia e ambientes destinados ao acolhimento das famílias. A previsão é de aproximadamente seis mil atendimentos mensais.
Ainda em 2026, a administração municipal promoveu um processo seletivo para ampliar a equipe da unidade, com vagas para diferentes especialidades e remunerações que variavam entre R$ 2,5 mil e R$ 10 mil.
Durante visita realizada recentemente por uma caravana de mães atípicas do Agreste alagoano, JHC afirmou que o objetivo da Casa do Autista é concentrar em um único espaço diferentes modalidades de atendimento, reduzindo a necessidade de judicialização para garantir acesso às terapias.
Entre as participantes da visita estava a professora Rosangela, mãe de uma criança diagnosticada com Síndrome de Down e autismo. Ela classificou a iniciativa como um modelo que poderia ser expandido para outras regiões do estado, destacando a importância de ampliar o acesso das famílias ao atendimento especializado.
Além da área da saúde, a Prefeitura de Maceió aponta avanços na política de educação inclusiva. Dados da Secretaria Municipal de Educação indicam que a rede atende atualmente 5.489 estudantes da Educação Especial, sendo 3.381 deles com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista.
Os números também mostram crescimento da estrutura de apoio desde 2021. As salas de recursos multifuncionais passaram de 88 para 121 unidades, enquanto o número de Profissionais de Apoio Escolar (PAEs) aumentou de 500 para 1.730, beneficiando mais de 2,5 mil estudantes. O transporte escolar acessível foi ampliado de 72 para 289 alunos, e as ações de formação continuada voltadas ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) e à Libras registraram crescimento, passando de 508 para 2.399 participações. A rede municipal também ampliou o número de intérpretes de Libras, que passou de oito para 25.
Para especialistas e familiares, a continuidade dos atendimentos terapêuticos representa um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento de crianças com TEA e outras deficiências. Por isso, o tema permanece em evidência tanto nas discussões sobre a manutenção de serviços estaduais quanto na ampliação da rede municipal de assistência.
O debate reforça a importância da integração entre saúde, educação e assistência social para garantir atendimento contínuo às famílias, especialmente diante do aumento da demanda por serviços especializados em todo o estado.

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