quarta-feira , 4 novembro 2026
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Lito Sousa recebe medicamento experimental e permanece estável na UTI

Influenciador é o primeiro paciente a receber o ALN-6457 contra a doença de Creutzfeldt-Jakob; médicos ainda precisarão acompanhar evolução para avaliar possível efeito

Reprodução

O influenciador e criador do canal Aviões e Músicas, Lito Sousa, de 59 anos, permanece estável na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, após receber o medicamento experimental ALN-6457, desenvolvido para tentar desacelerar a progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).

A informação foi divulgada por sua esposa, Mila Seidl, em um vídeo publicado no canal de Lito. Segundo ela, a aplicação da substância ocorreu sem intercorrências. Ainda não é possível, porém, afirmar se o tratamento produzirá algum benefício clínico.

O medicamento foi administrado em 11 de setembro, depois de uma operação especial para trazer a substância ao Brasil. A carga chegou ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em um voo vindo de Nova York, e foi liberada rapidamente pela Receita Federal. Em seguida, o produto foi transportado de helicóptero até o hospital.

Tratamento ainda é considerado experimental

O ALN-6457 ainda não passou por estudos clínicos formais em seres humanos para doenças priônicas. A substância está em uma etapa anterior ao desenvolvimento clínico e, por isso, sua segurança, eficácia e possíveis efeitos adversos ainda não estão estabelecidos.

O medicamento é desenvolvido pela farmacêutica americana Regeneron Pharmaceuticals e utiliza uma tecnologia conhecida como interferência de RNA (RNAi). A estratégia busca diminuir a produção da proteína priônica normal, chamada PrP, que está relacionada ao processo de desenvolvimento das doenças causadas por príons.

A hipótese estudada pelos pesquisadores é que reduzir a quantidade dessa proteína possa dificultar a formação das versões anormais associadas à doença e, consequentemente, retardar sua progressão. Resultados anteriores em modelos animais ajudaram a sustentar a investigação dessa abordagem, mas esses resultados não permitem prever como o tratamento funcionará em humanos.

Anvisa autorizou uso excepcional

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 4 de setembro, a importação e utilização excepcional do ALN-6457 para Lito.

O pedido foi apresentado pelo Hospital Israelita Albert Einstein depois que o paciente foi aceito em um programa de uso compassivo da farmacêutica. Esse mecanismo permite, em situações específicas, o acesso a tratamentos experimentais para pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas satisfatórias.

A autorização da Anvisa, entretanto, não significa que o medicamento tenha sido aprovado para uso geral. A liberação foi específica para o caso de Lito, diante da gravidade e da rápida evolução da doença.

Família enfrentou corrida contra o tempo

Antes da chegada do medicamento, Lito apresentou uma piora em seu quadro e precisou retornar ao hospital após um período de atendimento domiciliar.

Mila Seidl relatou que a evolução da doença foi muito rápida e descreveu o processo para conseguir o tratamento como uma verdadeira corrida contra o tempo.

A logística para trazer o medicamento ao Brasil envolveu diferentes órgãos e etapas de liberação. Como o ALN-6457 não possui registro comercial nem representante legal no país, foi necessário um procedimento excepcional para viabilizar a importação.

O que acontece agora

Após a aplicação, o foco passa a ser o acompanhamento médico da evolução de Lito. Os profissionais deverão observar seu quadro clínico e realizar exames para verificar se houve alguma alteração compatível com uma resposta ao tratamento.

A expectativa, neste primeiro momento, não é de reversão dos danos neurológicos já provocados pela doença, mas de verificar se a progressão pode ser desacelerada.

A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade neurodegenerativa rara, associada ao acúmulo de proteínas priônicas anormais no cérebro. A condição pode provocar uma deterioração rápida das funções neurológicas e, atualmente, não possui tratamento aprovado capaz de interromper sua progressão.

Por isso, a estabilidade apresentada por Lito após a aplicação é considerada uma informação positiva pela família, mas ainda não permite concluir que o medicamento tenha funcionado. A resposta ao ALN-6457 só poderá ser avaliada com o acompanhamento médico ao longo das próximas semanas.

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