Teerã (Irã) – O Irã está elaborando um protocolo para permitir a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circulam aproximadamente 20% do petróleo e do gás liquefeito do mundo. No entanto, navios dos Estados Unidos, Israel e de países que apoiaram a ofensiva militar contra Teerã não terão permissão de tráfego, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baqaei.
O estreito, localizado entre o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia, é considerado um dos pontos mais sensíveis para o transporte de energia no planeta. Desde 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques militares contra o Irã, a passagem pelo canal tem sido bloqueada parcialmente, aumentando tensões regionais e impactando o preço do petróleo e o fornecimento global de energia.
O protocolo de Teerã
O governo iraniano está desenvolvendo um protocolo para garantir a passagem segura de embarcações sem comprometer a soberania nacional. Baqaei explicou que o mecanismo terá como prioridade a segurança do Irã, permitindo a circulação de navios de países neutros ou que não apoiaram a guerra, enquanto exclui os Estados que participaram da agressão, especialmente EUA e Israel.
Segundo o porta-voz, essa medida visa evitar que países agressores utilizem o estreito como via para ações militares ou econômicas que comprometam o território e a estabilidade iraniana. Recentemente, foi criado um órgão regulador, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, para supervisionar o tráfego marítimo e garantir o cumprimento das regras impostas pelo Irã.
Negociações diplomáticas e demandas
O Irã continua engajado em negociações mediadas pelo Paquistão, buscando soluções diplomáticas que respeitem sua soberania. Entre as demandas iranianas estão:
Liberação de ativos financeiros bloqueados por sanções internacionais
Remoção de sanções unilaterais impostas por países ocidentais
Garantia do uso pacífico da energia nuclear, conforme previsto pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear
Baqaei ressaltou que o Irã se recusa a transferir urânio enriquecido para terceiros, questionando a legitimidade das exigências americanas, e lembra que o país cumpriu suas obrigações no acordo nuclear de 2015 (JCPOA), certificado repetidamente pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) antes da retirada unilateral dos EUA em 2018.
Cenário militar e medidas de segurança
Embora um cessar-fogo parcial tenha sido acordado em 8 de abril, o Irã mantém suas forças armadas em estado de alerta máximo. Baqaei enfatizou que as Forças Armadas iranianas estão preparadas para responder imediatamente a qualquer ataque imprudente, lembrando da experiência adquirida durante a guerra Irã-Iraque (1980-1988) e confrontos recentes com forças internacionais.
O governo também atua para proteger a população civil e reduzir impactos econômicos, garantindo acesso a serviços essenciais, estabilidade alimentar e suporte financeiro, mesmo diante de sanções severas e pressões internacionais.
Implicações regionais e internacionais
A reabertura parcial do estreito de Hormuz representa um teste delicado para a diplomacia internacional. Países neutros poderão retomar o tráfego comercial, enquanto EUA, Israel e aliados permanecem excluídos, mantendo uma linha firme de defesa da soberania iraniana.
Baqaei destacou ainda o papel da China e do Brasil como mediadores potenciais, citando iniciativas passadas em que essas nações buscaram soluções diplomáticas em conflitos nucleares e comerciais, enfatizando a necessidade de respeitar o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
Impacto econômico global
O bloqueio parcial do estreito já elevou o preço do petróleo e do gás, provocou volatilidade nas moedas e afetou mercados globais. A retomada segura do tráfego para países neutros poderia aliviar tensões econômicas e estabilizar parcialmente os fluxos comerciais de energia.
A decisão do Irã evidencia que, mesmo em meio a conflitos geopolíticos, o país busca equilibrar interesses estratégicos, diplomáticos e econômicos, usando o estreito de Hormuz como ferramenta de negociação e defesa nacional.

Deixe um comentário