Preço médio nacional recuou para R$ 4,27 o litro, mas Alagoas foi uma das exceções e registrou alta de 3,13%; biocombustível volta a ganhar força no bolso do consumidor e no mercado de combustíveis.
O preço do etanol hidratado voltou a cair na maior parte do país e reforçou sua competitividade frente à gasolina. Segundo levantamento da ANP, divulgado nesta segunda-feira (25), os preços médios do biocombustível recuaram em 20 estados, subiram em quatro e no Distrito Federal, e ficaram estáveis em duas unidades da federação. A pesquisa mais recente da agência corresponde à semana de 17 a 23 de maio de 2026.
Nos postos pesquisados, o preço médio nacional do etanol caiu 2,51%, chegando a R$ 4,27 por litro. Em São Paulo, principal estado produtor e consumidor do combustível, o valor médio recuou 1,97%, para R$ 3,99 o litro. O menor preço encontrado em um posto foi de R$ 2,98, também em São Paulo. Já o maior valor registrado foi de R$ 6,59, em Pernambuco.
Apesar da queda nacional, alguns estados tiveram movimento contrário. As altas foram registradas no Acre, em Alagoas, no Distrito Federal, no Piauí e em Rondônia. Em Alagoas, o aumento foi o mais forte entre as unidades citadas: 3,13%, levando o preço médio do etanol a R$ 5,27 por litro. O dado chama atenção porque mostra que a redução nacional ainda não chega de forma uniforme ao consumidor brasileiro.
A queda do etanol veio acompanhada de recuo também na gasolina, mas em ritmo menor. Na média nacional, a gasolina caiu 0,6% na semana e foi vendida a R$ 6,62 por litro. O etanol, por sua vez, teve baixa de cerca de 2,5%, o que melhorou sua relação de preço com o combustível fóssil.
Na prática, essa relação é decisiva para o consumidor que tem carro flex. Pela regra mais conhecida do mercado, o etanol costuma ser vantajoso quando custa até 70% do valor da gasolina, embora especialistas do setor ressaltem que essa conta pode variar conforme o desempenho de cada veículo. Na média nacional, a paridade ficou em 64,50%, patamar considerado favorável ao biocombustível.
Mesmo assim, o etanol era mais competitivo em apenas sete estados e no Distrito Federal: Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e DF. Entre os melhores resultados, aparecem São Paulo, com paridade de 61,67%, e Mato Grosso, com 61,76%. Isso significa que, nesses locais, abastecer com etanol tende a pesar menos no bolso do motorista em comparação com a gasolina.
Do ponto de vista do mercado financeiro e da cadeia de combustíveis, o movimento indica uma combinação de maior oferta, ajuste de preços nos postos e melhora temporária da competitividade do renovável. O setor sucroenergético brasileiro vem de um período de forte produção: em 2024, a oferta de etanol atingiu 36,83 bilhões de litros, o maior volume da história, segundo a Unica. A EPE também destacou que a produção recorde veio da soma entre cana-de-açúcar e milho, com expansão das unidades produtoras de etanol de milho.
Na ponta das usinas, porém, os preços não caminham sempre no mesmo ritmo dos postos. O indicador semanal do Cepea/Esalq para o etanol hidratado em São Paulo ficou em R$ 2,2492 por litro entre 18 e 22 de maio, alta de 1,27% sobre a semana anterior. Esse comportamento mostra que o preço ao consumidor depende não apenas do valor na origem, mas também de distribuição, tributos, margens dos postos, logística regional e concorrência local.
Para o consumidor, a queda representa alívio direto no orçamento, especialmente em estados onde o etanol voltou a ficar bem abaixo da gasolina. Para motoristas de aplicativo, entregadores e famílias que usam o carro diariamente, uma redução de poucos centavos por litro pode gerar economia relevante ao longo do mês. Já para a inflação, combustíveis mais baratos ajudam a reduzir pressão sobre custos de transporte e serviços, embora o efeito dependa da duração dessa queda nas próximas semanas.
O cenário, no entanto, ainda exige cautela. A disparidade entre estados mostra que o Brasil não vive um preço único de combustível. Enquanto São Paulo registrou o menor preço médio estadual, de R$ 3,99, o Amapá teve a maior média, de R$ 5,84. Essa diferença expõe o peso da logística, da distância dos polos produtores, da estrutura de distribuição e da tributação estadual na formação do preço final.
A tendência para as próximas semanas dependerá do ritmo da safra, da oferta nas usinas, da demanda dos consumidores e do comportamento da gasolina. Se o etanol continuar abaixo da faixa de 70% em relação ao derivado do petróleo, o biocombustível pode ganhar participação nas bombas e aumentar a disputa por mercado. Mas, se houver alta na origem ou aumento de demanda sem reposição suficiente, parte da queda atual pode perder força.
Por enquanto, o recado ao consumidor é claro: vale comparar os preços antes de abastecer. Em boa parte do país, o etanol voltou a ser uma alternativa economicamente interessante, mas em estados como Alagoas, onde houve alta na semana, a conta precisa ser feita posto a posto.
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