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Quem é Maria Montserrat Alvarado, a 1ª mulher não religiosa que chefiará a comunicação do Vaticano

Nomeada pelo papa Leão XIV, executiva da EWTN News assumirá em novembro o comando do dicastério responsável por Vatican News, Rádio Vaticano, L’Osservatore Romano, Sala de Imprensa e outros braços de comunicação da Santa Sé

Foto/ Divulgação/Vatican News

O papa Leão XIV nomeou Maria Montserrat Alvarado como nova prefeita do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, em uma escolha considerada histórica dentro da Cúria Romana. A executiva de mídia, atualmente presidente e diretora operacional da EWTN News, assumirá o cargo em 1º de novembro de 2026.

Alvarado será a primeira mulher não religiosa — ou seja, leiga, não pertencente a uma congregação religiosa — a comandar um dicastério da Santa Sé. A nomeação marca mais um passo na ampliação da presença de leigos e mulheres em cargos de liderança no Vaticano, processo impulsionado pelo papa Francisco e agora mantido por Leão XIV.

O cargo é estratégico. O Dicastério para a Comunicação supervisiona parte central da estrutura midiática da Santa Sé, incluindo Vatican News, Rádio Vaticano, L’Osservatore Romano, Vatican Media, Sala de Imprensa da Santa Sé, Livraria Editora Vaticana, Tipografia Vaticana e Filmoteca Vaticana.

Quem é Maria Montserrat Alvarado

Nascida na Cidade do México, Maria Montserrat Alvarado construiu carreira entre comunicação, gestão institucional e defesa da liberdade religiosa. Ela estudou na Florida International University e na George Washington University, nos Estados Unidos.

Entre 2009 e 2023, atuou em cargos de liderança no Becket Fund for Religious Liberty, organização norte-americana voltada à defesa jurídica da liberdade religiosa. Nesse período, participou de iniciativas ligadas a direitos religiosos, liberdade de expressão e dignidade humana.

Desde 2023, Alvarado comandava a EWTN News, divisão jornalística da Eternal Word Television Network, uma das maiores redes católicas de comunicação do mundo. À frente da operação, supervisionou plataformas internacionais de televisão, rádio, impresso, digital e redes sociais, com produção em vários idiomas.

O que ela vai comandar no Vaticano

A partir de novembro, Alvarado ficará responsável por um dos setores mais sensíveis da Santa Sé: a comunicação institucional e jornalística do Vaticano.

Entre as áreas sob responsabilidade do dicastério estão:

  • Vatican News;
  • Rádio Vaticano;
  • L’Osservatore Romano;
  • Vatican Media;
  • Sala de Imprensa da Santa Sé;
  • Livraria Editora Vaticana;
  • Tipografia Vaticana;
  • Filmoteca Vaticana.

Criado em 2015 pelo papa Francisco, o Dicastério para a Comunicação nasceu dentro da reforma da Cúria Romana com a missão de integrar, modernizar e reorganizar os sistemas de comunicação da Santa Sé. Além da parte operacional e tecnológica, o órgão também atua no aprofundamento de temas pastorais e teológicos ligados à comunicação da Igreja Católica.

Por que a nomeação é histórica

A escolha de Alvarado é simbólica por três motivos principais. Primeiro, porque ela será a primeira mulher leiga a chefiar um dicastério vaticano. Segundo, porque assume uma área diretamente ligada à imagem pública do papa e da Igreja. Terceiro, porque sua nomeação reforça a abertura da Cúria a profissionais que não pertencem ao clero.

A reforma da Cúria promulgada por Francisco, por meio da constituição apostólica Praedicate Evangelium, abriu caminho para que leigos, homens e mulheres, pudessem ocupar funções de governo dentro da estrutura administrativa do Vaticano, conforme a competência e a missão de cada órgão.

Antes dela, Paolo Ruffini havia sido nomeado por Francisco, em 2018, como o primeiro leigo a chefiar um dicastério da Cúria Romana. Agora, Alvarado amplia esse precedente ao se tornar a primeira mulher leiga a assumir uma função desse nível.

O perfil da EWTN e o ponto de atenção

A nomeação também chamou atenção pelo histórico da EWTN, rede católica norte-americana conhecida por forte presença no debate religioso e político dos Estados Unidos. Parte da programação da emissora foi, em diferentes momentos, crítica ao pontificado de Francisco, o que tornou a escolha de Alvarado alvo de leitura política dentro da Igreja.

Ainda assim, a indicação pode ser interpretada como um movimento de equilíbrio de Leão XIV: manter a linha de inclusão de leigos e mulheres aberta por Francisco, mas também dialogar com setores mais conservadores do catolicismo, especialmente nos Estados Unidos.

Ao comentar a nomeação, Alvarado afirmou que recebeu a escolha como uma missão de serviço ao papa e destacou a intenção de fortalecer o dicastério para que a comunicação da Igreja continue chegando a Roma e ao mundo.

Quem ela substitui

Maria Montserrat Alvarado sucederá Paolo Ruffini, jornalista italiano nomeado em 2018 pelo papa Francisco. Ruffini foi o primeiro leigo a comandar um dicastério da Cúria Romana e deixa o cargo em meio ao processo de transição para a nova gestão.

A troca ocorre em um momento em que Leão XIV sinaliza atenção especial à forma como a Igreja se comunica globalmente. O desafio da nova prefeita será administrar uma estrutura ampla, multilíngue e altamente estratégica, em uma época marcada por redes sociais, disputas narrativas, polarização religiosa e necessidade de comunicação institucional mais clara.

Entenda: “não religiosa” não significa “sem religião”

No contexto do Vaticano, a expressão “mulher não religiosa” não quer dizer que Alvarado não tenha fé ou não seja católica. O termo indica que ela é leiga, ou seja, não é freira, religiosa consagrada ou integrante de uma congregação.

Essa diferença é importante porque mulheres religiosas já ocuparam cargos relevantes no Vaticano. O ineditismo, neste caso, está no fato de uma mulher leiga assumir a chefia de um dicastério da Santa Sé.

Uma escolha com peso simbólico e estratégico

A chegada de Maria Montserrat Alvarado ao comando da comunicação do Vaticano combina experiência em mídia, atuação em causas religiosas e um forte simbolismo institucional. Sua nomeação mostra que Leão XIV pretende continuar a reforma administrativa herdada de Francisco, ao mesmo tempo em que busca imprimir sua própria marca na forma como a Igreja fala ao mundo.

Mais do que uma mudança de nomes, a decisão coloca uma mulher leiga no centro de uma das áreas mais importantes da Santa Sé: a construção da mensagem pública do Vaticano em tempos de transformação digital, disputas internas e novos desafios pastorais.

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