segunda-feira , 14 setembro 2026
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Poema de estudante leva debate sobre bullying para escolas da rede municipal de Maceió

Encontro promovido pela Semed reuniu cerca de 150 alunos e professores para discutir prevenção, acolhimento e consequências das agressões

Foto: Caio Cruz/Ascom Semed

O relato de uma estudante sobre as marcas deixadas pelo bullying ganhou espaço em uma ação de conscientização promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed). Um poema escrito por Paula, aluna da Escola Municipal Silvestre Péricles, serviu como ponto de partida para uma atividade voltada à prevenção do bullying e do cyberbullying entre estudantes da rede pública.

O encontro ocorreu nesta sexta-feira (11), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), em Jacarecica, e reuniu aproximadamente 150 participantes. A atividade contou com estudantes e professores de seis escolas que integram a rede de Educação Integral do município, principalmente adolescentes matriculados do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

Durante a programação, Paula declamou o poema produzido por ela, que aborda o sofrimento provocado pelas agressões e os impactos que esse tipo de violência pode causar na vida de quem é vítima. O momento também serviu para estimular os demais alunos a refletirem sobre comportamentos que muitas vezes são tratados como simples brincadeiras.

A iniciativa foi realizada em parceria com o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e a Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal). A palestra foi conduzida pelo juiz de Direito Marcell Menezes, que discutiu com os participantes aspectos relacionados ao bullying, ao cyberbullying e às consequências das atitudes praticadas contra outras pessoas.

Grêmios estudantis terão papel na prevenção

Além dos alunos e professores, o encontro contou com representantes dos grêmios estudantis das escolas participantes. A proposta é que esses estudantes levem as discussões para dentro das unidades de ensino e contribuam para ampliar a identificação de situações de bullying.

A expectativa da Semed é utilizar os grêmios como agentes de disseminação das informações, ajudando colegas a reconhecer situações de violência, buscar apoio e compreender a importância de não normalizar agressões físicas, verbais ou virtuais.

Para Claudiane Pimentel, coordenadora técnica da Educação Integral da Semed, o trabalho desenvolvido nas escolas precisa avançar para além da conscientização e do acolhimento.

Segundo ela, a iniciativa também busca mostrar aos estudantes que determinadas atitudes podem gerar consequências e que a responsabilidade não desaparece quando a agressão ocorre em tom de brincadeira ou por meio da internet.

“A gente faz todo um trabalho na escola de conscientização das crianças e de acolhimento, mas a gente quer avançar para outro patamar desse universo de acolhimento e trazer essa conscientização para as crianças e para os adolescentes da responsabilidade civil quando a gente comete o bullying”, explicou.

Cyberbullying também entra na discussão

Um dos focos do encontro foi mostrar que as agressões não ficam restritas ao ambiente físico da escola. Comentários ofensivos, humilhações, ameaças e exposições nas redes sociais podem alcançar um público muito maior e continuar circulando mesmo depois que o episódio inicial termina.

A discussão também procurou alertar os adolescentes para a responsabilidade sobre aquilo que é publicado, compartilhado ou enviado pela internet.

O estudante João Guilherme, do 8º ano, destacou justamente a necessidade de compreender os limites entre uma brincadeira e uma atitude que pode causar sofrimento.

“Às vezes, uma pessoa pode achar que está só brincando, mas aquilo pode deixar o outro muito mal. Acho importante falar sobre isso porque nem todo mundo sabe até onde uma brincadeira pode machucar”, afirmou.

Adryan Samuel, também do 8º ano, chamou atenção para a forma como as redes sociais podem ampliar os efeitos de uma agressão.

“Na internet, às vezes a pessoa acha que pode falar qualquer coisa porque está atrás de uma tela. Mas o que acontece ali também pode afetar a vida de quem está recebendo aquelas mensagens. Por isso é importante pensar antes de postar ou comentar alguma coisa”, disse.

Professores são considerados peças importantes

A formação também teve um momento específico destinado aos professores da Educação Integral. A intenção foi reforçar o papel dos profissionais na identificação de mudanças de comportamento que podem indicar que um estudante esteja enfrentando algum tipo de violência.

O professor Carlos Washington, da Escola Municipal Professora Maria José Carrascosa, ressaltou que a proximidade cotidiana com os alunos pode ajudar na percepção de situações que ainda não foram formalmente comunicadas.

“O professor está muito próximo dos alunos e, muitas vezes, consegue perceber mudanças no comportamento antes mesmo de uma situação ser relatada. Por isso, é importante que a escola esteja preparada para acolher, orientar e agir quando identificar um caso de bullying”, destacou.

A Semed pretende ampliar a discussão dentro das unidades de ensino, fortalecendo ações de prevenção e criando espaços para que estudantes e profissionais estejam preparados para reconhecer situações de violência e procurar ajuda.

A proposta é que o poema produzido pela estudante, que nasceu a partir de uma experiência de sofrimento relacionada ao bullying, ultrapasse os limites da sala de aula e contribua para estimular uma reflexão mais ampla entre a comunidade escolar de Maceió.

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