Mais de 2 mil imóveis em Maceió passarão por vistorias técnicas para identificar possíveis alterações estruturais em áreas próximas à região afetada pelo afundamento do solo. A nova campanha começou nesta segunda-feira (19) e prevê a inspeção de aproximadamente 2.093 imóveis localizados nas áreas adjacentes ao Mapa de Linhas de Ações Prioritárias, que delimita o perímetro atingido pelo fenômeno associado à mineração de sal-gema da Braskem.
Os trabalhos são conduzidos pelo Comitê de Acompanhamento Técnico (CAT), com a participação de equipes da Defesa Civil de Maceió, da Defesa Civil Nacional, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), do Instituto Biodiversidade e Clima (Ibioclima), da Braskem e de consultorias especializadas.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Defesa Civil Estadual também foram convidados, mas não participaram do início das atividades.
O que os técnicos procuram nos imóveis?
Durante as visitas, os profissionais avaliam as condições das construções e registram possíveis sinais de alterações estruturais, como rachaduras, fissuras, deformações em paredes e pisos, infiltrações e outros problemas que possam exigir investigação.
Segundo o engenheiro civil Guilherme Henrique, especialista em patologia das construções e integrante do comitê, a presença isolada desses sinais não significa necessariamente que o imóvel esteja sendo afetado pelo afundamento do solo.
As observações feitas durante as inspeções são comparadas com dados de equipamentos de monitoramento e outras informações técnicas disponíveis. O objetivo é identificar possíveis relações entre as manifestações encontradas nas edificações e o comportamento do terreno.
Monitoramento combina vistorias e imagens de satélite
Além das inspeções presenciais, o acompanhamento utiliza tecnologias capazes de detectar movimentações milimétricas do solo e análises de imagens de satélite.
A combinação dessas informações permite aos especialistas avaliar possíveis mudanças na região e identificar a necessidade de investigações complementares.
Os resultados das campanhas são reunidos em relatórios técnicos e analisados em conjunto com os dados do monitoramento instrumental. As conclusões podem subsidiar decisões sobre novas investigações e eventuais atualizações do Mapa de Linhas de Ações Prioritárias.
Campanha anterior vistoriou 2.216 imóveis
Na campanha concluída em maio de 2026, o comitê visitou 2.216 imóveis. Desse total, 704 passaram por vistorias completas, enquanto 1.217 estavam sem moradores no momento da visita. Em outros 295 casos, os residentes não autorizaram a entrada das equipes.
A realização de uma nova campanha permite comparar os registros de diferentes períodos e acompanhar possíveis alterações nas condições das construções.
Segundo as informações divulgadas pelo comitê, o início das vistorias não significa, por si só, que o afundamento do solo tenha avançado ou que haverá ampliação da área delimitada pelo mapa.
A Defesa Civil de Maceió mantém o acompanhamento técnico da região para subsidiar as avaliações com base em evidências e critérios especializados.

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