quarta-feira , 28 outubro 2026
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Fundador do TikTok lidera ranking dos mais ricos da China com fortuna de US$ 100 bilhões

Zhang Yiming ampliou seu patrimônio em 43%, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial; lista também destaca fundadores da DeepSeek e da fabricante de chips Cambricon

Visual China Group/Getty Images

O avanço da inteligência artificial (IA) impulsionou a fortuna de Zhang Yiming, fundador da ByteDance, empresa controladora do TikTok, que voltou a ocupar o primeiro lugar entre os mais ricos da China. Segundo o ranking divulgado nesta terça-feira (27) pelo Instituto de Pesquisa Hurun, o empresário alcançou um patrimônio estimado em US$ 100 bilhões, alta de 43% em relação ao ano anterior.

O resultado representa um recorde para a pessoa mais rica da China, de acordo com Rupert Hoogewerf, presidente do Hurun Report. Segundo ele, boa parte do crescimento da fortuna de Zhang está relacionada ao desempenho da ByteDance no setor de inteligência artificial, especialmente com o Doubao, assistente digital que ganhou popularidade no mercado chinês.

A ByteDance também controla o Douyin, versão chinesa do TikTok, além da plataforma internacional de vídeos curtos. O avanço da companhia reflete a expansão das empresas de tecnologia chinesas em um cenário de crescente disputa global pelo desenvolvimento de ferramentas de IA.

China registra aumento no número de grandes fortunas

O levantamento do Hurun identificou um recorde de 1.529 pessoas com patrimônio superior a 5 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 750 milhões. O número representa um crescimento de 6,6% em comparação com o ano passado.

Considerando a estimativa de patrimônio em dólares, a lista reúne 1.176 bilionários, 155 a mais do que na edição anterior. O total, segundo o instituto, supera o número de bilionários contabilizados nos Estados Unidos.

Apesar do crescimento recente, o resultado ainda fica ligeiramente abaixo do recorde de 1.185 bilionários registrado em 2021, conforme os dados divulgados pelo levantamento.

O ranking também evidencia diferenças entre os setores da economia chinesa. Enquanto empresas ligadas à inteligência artificial, aos semicondutores e à robótica ampliaram o patrimônio de seus fundadores, empresários de áreas como consumo, mercado imobiliário e manufatura tradicional enfrentaram perdas.

Empresários de água e baterias aparecem entre os primeiros

Na segunda posição ficou Zhong Shanshan, magnata do setor de água engarrafada, com uma fortuna estimada em US$ 61 bilhões.

O terceiro lugar foi ocupado por Robin Zeng, presidente da CATL, empresa considerada a maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos. A presença do empresário entre os primeiros colocados reforça a importância da indústria de baterias e da transição energética para a economia chinesa.

O ranking também destacou nomes diretamente ligados ao desenvolvimento da inteligência artificial. Liang Wenfeng, fundador da startup DeepSeek, apareceu pela primeira vez na lista e alcançou a sétima posição.

Já Chen Tianshi, presidente da fabricante de chips de IA Cambricon, ficou em décimo lugar. A presença dos dois empresários entre os mais ricos do país demonstra como o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial e de componentes para processamento de dados tem contribuído para a valorização de empresas chinesas.

Xiaomi registra uma das maiores perdas do ranking

Nem todos os empresários tiveram resultados positivos. Lei Jun, presidente da Xiaomi, fabricante chinesa de eletrônicos e dispositivos inteligentes, foi apontado por Hoogewerf como o maior perdedor da edição.

A fortuna do empresário caiu pela metade, chegando a aproximadamente US$ 25,1 bilhões. O resultado contrasta com os ganhos registrados por empreendedores ligados à inteligência artificial e aos semicondutores.

Para o presidente do Hurun Report, o desempenho dos bilionários neste ano evidencia uma concentração dos ganhos em setores tecnológicos específicos. Enquanto empresas associadas à IA, à robótica e à produção de chips avançam, negócios tradicionais enfrentam maior pressão.

O levantamento reforça, assim, o peso crescente da inteligência artificial na economia chinesa e na formação das grandes fortunas do país, em meio à disputa internacional por inovação e liderança tecnológica.

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