Empresários que foram sócios de Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), estão ligados a empresas que receberam milhões de reais por serviços prestados à campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. A agência Nordx Estratégia e Criatividade, anteriormente denominada M4 Comunicação e Propaganda, recebeu cerca de R$ 37,9 milhões pelo trabalho de marketing e publicidade eleitoral.
Sidônio participou da estrutura empresarial responsável pelos serviços durante a campanha que levou Lula à Presidência. O publicitário deixou a sociedade em dezembro de 2025, quando transferiu sua participação na Nordx, conforme as informações divulgadas pela Revista Oeste.
A movimentação empresarial ocorreu no mesmo período em que antigos parceiros de Sidônio passaram a integrar outra empresa do setor de comunicação.
Sidônio transferiu participação na Nordx
A Nordx era anteriormente conhecida como M4 Comunicação e Propaganda e foi utilizada para prestar serviços à campanha presidencial de Lula em 2022. A empresa mudou de nome em agosto de 2023.
Sidônio detinha 40% da sociedade e transferiu suas cotas em 26 de dezembro de 2025 por R$ 960 mil. Entre os antigos sócios estavam Francisco Kertész, também conhecido como Chico Kertész, e Raul Guedes Rabelo, além de Carlos Eduardo Gumes Andrade.
Os vínculos empresariais são relevantes para compreender a trajetória das empresas envolvidas na comunicação política e publicitária. A contratação para uma campanha eleitoral, por si só, não comprova irregularidade, e os valores recebidos precisam ser considerados dentro do contexto dos serviços contratados.

Nova empresa foi criada em dezembro de 2025
Francisco Kertész e Raul Guedes Rabelo fundaram a Delta em 1º de dezembro de 2025, segundo as informações publicadas pela Revista Oeste.
A criação da empresa ocorreu semanas antes da saída de Sidônio da Nordx. A reorganização das participações societárias marcou uma nova etapa na atuação empresarial dos publicitários.
A relação entre as empresas e seus antigos sócios também envolve outras atividades de publicidade, incluindo contratos relacionados a órgãos e empresas públicas.
Produtora ligada a Kertész recebeu R$ 12 milhões de estatais
A Nordx não é a única empresa relacionada a antigos parceiros de Sidônio que recebeu recursos por serviços de comunicação durante o governo Lula.
Em outubro de 2025, uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que a produtora Macaco Gordo, ligada a Francisco Kertész, recebeu aproximadamente R$ 12 milhões por serviços relacionados a campanhas publicitárias da Caixa Econômica Federal e da Embratur.

Segundo as informações divulgadas, os pagamentos foram realizados no contexto de contratos de publicidade das duas instituições estatais. Kertész, por sua vez, é empresário e mantém atividades no setor de comunicação.
O ministro Sidônio Palmeira já havia afirmado, em manifestações anteriores sobre contratos envolvendo empresas de seus sócios, que não interferiu nas contratações e que se afastou da gestão empresarial ao assumir o cargo público.
Valores e vínculos empresariais ampliam debate sobre transparência
Os pagamentos à Nordx pela campanha eleitoral de 2022 e os contratos relacionados à Macaco Gordo colocam em evidência a dimensão financeira das atividades de empresas ligadas ao setor de publicidade política.
A análise desses valores exige distinguir os pagamentos por serviços efetivamente contratados dos eventuais questionamentos sobre relações empresariais e decisões administrativas. A existência de vínculos societários ou de contratos com recursos públicos não comprova, isoladamente, favorecimento ou irregularidade.
As informações divulgadas permitem identificar as relações empresariais e os valores envolvidos, mas eventuais conclusões sobre conflitos de interesse dependem da análise dos contratos, dos procedimentos de contratação e de possíveis evidências de interferência nas decisões.

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