Polícia Civil investiga o caso como possível feminicídio; violência vicária também é considerada entre as hipóteses
Um homem de 40 anos foi preso preventivamente na noite desta terça-feira (18), suspeito de matar a adolescente Alice Nitz, de 14 anos, a facadas em Encantado, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. O crime aconteceu na segunda-feira (17), dentro de uma residência no bairro Jardim do Trabalhador.
O suspeito foi identificado como Wagno Arezi Henika, ex-companheiro da mãe da vítima e ex-padrasto da adolescente. Segundo a Brigada Militar, ele foi localizado na própria residência, onde o corpo da menina havia sido encontrado pelo irmão do suspeito. Durante a abordagem, o homem teria tentado fugir, mas acabou capturado.
A Polícia Civil trata o feminicídio como a principal linha de investigação. A delegada responsável pelo caso, Dieli Caumo, afirmou que também não descarta a possibilidade de violência vicária, hipótese que ainda será analisada a partir das circunstâncias do crime.
De acordo com a investigação, Wagno e a mãe de Alice mantiveram um relacionamento por cerca de 13 anos e estavam separados havia aproximadamente um mês. A adolescente era filha da ex-companheira do suspeito e, segundo as informações divulgadas pelas autoridades, ele convivia com a família desde quando Alice ainda era bebê.
Informações divulgadas pela imprensa local apontam que o homem teria admitido a autoria do assassinato à própria cunhada após o crime. A declaração faz parte dos elementos levantados durante a investigação e deverá ser confrontada com as demais provas reunidas pela polícia.
A polícia ainda apura a motivação do homicídio e as circunstâncias que levaram ao ataque. O caso segue sob investigação, e a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito.
A possibilidade de vicaricídio está sendo considerada porque a legislação brasileira passou a tratar especificamente da violência vicária.
A Lei nº 15.384/2026, sancionada em abril, incluiu a violência vicária entre as formas de violência doméstica e familiar e criou o crime de vicaricídio. A legislação considera vicaricídio a morte de descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher com a finalidade específica de causar sofrimento, punição ou controle sobre ela. A pena prevista é de 20 a 40 anos de prisão.
No caso de Encantado, porém, a delegada afirmou que o feminicídio continua sendo a principal hipótese. A eventual caracterização de violência vicária dependerá da comprovação da motivação e das circunstâncias do crime.
Alice Nitz era conhecida na comunidade por participar de diferentes atividades. Informações divulgadas após a morte apontam que a adolescente praticava futsal e dança e também escrevia poemas.
O sepultamento ocorreu no Cemitério de São Pedro, e a adolescente deixou a mãe e três irmãos.
O corpo da adolescente foi localizado na residência pelo irmão do suspeito, e a investigação agora busca reconstruir os momentos que antecederam o crime, identificar a motivação e reunir provas que esclareçam a dinâmica do homicídio.
O suspeito permanece preso preventivamente e não foi condenado. A defesa de Wagno Arezi Henika não havia sido localizada pela imprensa até a publicação das informações consultadas, e o espaço permanece aberto para manifestação.
O caso corre sob sigilo judicial, e novas informações poderão ser divulgadas à medida que as investigações avancem.
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