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Datafolha: avaliação negativa do STF chega a 47%, maior índice desde 2019

Pesquisa mostra que 18% consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom e 31% avaliam como regular; entre eleitores de Flávio Bolsonaro, avaliação negativa chega a 69%

Rosinei Coutinho/STF

A avaliação negativa do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 47%, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26). O índice é o maior registrado pelo instituto desde o início da série histórica, em 2019.

De acordo com o levantamento, 18% dos entrevistados consideram o desempenho dos ministros ótimo ou bom, enquanto 31% classificam a atuação como regular. Outros 4% não souberam ou não quiseram opinar.

Em maio, a avaliação negativa do STF era de 40%. O índice positivo de 18% também representa o menor patamar da série, empatado com o resultado registrado em dezembro de 2019.

Avaliação do STF

  • Ótimo/bom: 18%
  • Regular: 31%
  • Ruim/péssimo: 47%
  • Não sabe/não respondeu: 4%

Avaliação varia entre eleitores de Lula e Flávio

O levantamento também identificou diferenças expressivas na avaliação do STF de acordo com a intenção de voto para a Presidência.

Entre os eleitores de Lula (PT), 32% consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom, enquanto 24% avaliam como ruim ou péssimo.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 6% fazem avaliação positiva e 69% classificam o trabalho dos ministros como ruim ou péssimo.

A pesquisa também perguntou sobre a percepção dos entrevistados a respeito da influência do STF na disputa presidencial. Para 33%, a atuação dos ministros mais prejudica do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Outros 23% disseram que a Corte mais prejudica do que beneficia Lula.

Os dados representam a percepção dos entrevistados no momento da pesquisa e não constituem avaliação independente sobre os efeitos das decisões do STF nas campanhas.

Maioria apoia criação de código de ética

O Datafolha também questionou os entrevistados sobre a criação de um Código de Ética e Conduta específico para ministros do STF, proposta defendida pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Ao todo, 45% são favoráveis à criação do código, sendo 23% totalmente a favor e 23% parcialmente a favor. Outros 33% são contrários — 18% totalmente e 15% em parte.

Há ainda 5% que não são nem a favor nem contra, enquanto 17% não souberam responder.

A proposta é uma das pautas defendidas por Fachin durante sua presidência do Supremo. Segundo informações divulgadas pela Folha, a iniciativa busca estabelecer parâmetros relacionados a conflitos de interesse, transparência e conduta dos ministros.

Pesquisa também avaliou condutas de ministros

O levantamento apresentou aos entrevistados diferentes situações envolvendo a atuação de integrantes do STF.

A conduta considerada inaceitável pela maior parcela dos entrevistados foi a hipótese de um ministro julgar um processo envolvendo uma pessoa cujo advogado seja seu parente: 88% classificaram essa situação como inaceitável.

Outros 85% consideraram inaceitável que um ministro aceite convites para eventos pagos por empresas que tenham processos em julgamento no tribunal.

A possibilidade de um ministro tomar decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos à Presidência durante o período eleitoral foi considerada inaceitável por 82%.

Também foram avaliadas situações como ministros serem sócios de empresas privadas, receberem pagamentos por palestras de empresas e concederem entrevistas ou opiniões públicas sobre processos em julgamento.

Relação com o caso Banco Master

A pesquisa foi realizada em um momento de forte debate público sobre o STF e as investigações envolvendo o Banco Master.

Segundo a Folha, 77% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento, ainda que apenas por ouvir falar, das suspeitas envolvendo ministros do Supremo e o caso. 68% afirmaram acreditar que há ministros envolvidos, enquanto 2% disseram não acreditar em envolvimento e 7% não souberam responder.

A existência de suspeitas ou a percepção registrada na pesquisa, entretanto, não estabelece responsabilidade dos ministros. Eventuais acusações ou investigações seguem seus próprios procedimentos e precisam ser analisadas pelas autoridades competentes.

Metodologia

A pesquisa Datafolha foi realizada entre 22 e 23 de setembro de 2026, com 2.002 eleitores, por meio de abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional.

A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo jornal Folha de S.Paulo e pela Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00304/2026.

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