quarta-feira , 9 setembro 2026
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Iraniana é condenada à morte após suposta confissão forçada para proteger irmã gêmea

Família afirma que Taraneh Rahimi teria admitido participação nos protestos após agentes ameaçarem abusar sexualmente de Romina; as duas também relatam tortura durante a prisão

Reprodução

A condenação à morte de uma jovem iraniana de 20 anos provocou novas denúncias sobre o tratamento dado pelo regime do Irã a pessoas detidas durante os protestos que tomaram o país em janeiro. Taraneh Rahimi recebeu pena de morte, enquanto sua irmã gêmea, Romina Rahimi, foi condenada a 25 anos de prisão.

Segundo familiares, Taraneh teria confessado participação nas manifestações depois que agentes responsáveis pela detenção ameaçaram abusar sexualmente de Romina caso ela não assinasse uma confissão. A acusação foi relatada pelo primo das jovens, Masud Nourmohammadi, à Radio Farda, serviço da Radio Free Europe/Radio Liberty.

As irmãs estão presas na penitenciária de Dowlatabad, em Isfahan. A família afirma que as duas sofreram agressões durante os meses em que permaneceram sob custódia e que tiveram acesso limitado a atendimento médico e aos advogados.

Confissão teria sido obtida sob ameaça

De acordo com o relato de Nourmohammadi, interrogadores teriam usado a proximidade entre as irmãs para pressionar Taraneh durante os interrogatórios.

O familiar afirma que a jovem foi ameaçada de que Romina seria violentada sexualmente diante dela caso não assinasse os documentos apresentados pelos agentes. Ele também relatou que Taraneh teria sido obrigada a ouvir os gritos da irmã durante sessões de tortura.

As acusações são feitas pela família e ainda não foram confirmadas de maneira independente. Os advogados das jovens, segundo o mesmo relato, apresentaram reclamações relacionadas às denúncias de tortura e abuso sexual, mas os procedimentos não teriam avançado nos tribunais de Isfahan.

Mãe diz que quase não reconheceu as filhas

A família passou meses sem informações sobre o paradeiro das duas.

Segundo os parentes, Taraneh e Romina foram detidas após participarem dos protestos de janeiro em Isfahan. Elas teriam sido retiradas de suas casas por homens mascarados e permaneceram desaparecidas para a família durante aproximadamente quatro meses.

Quando conseguiu vê-las na prisão, a mãe, Marzieh Nourmohammadi, teria dificuldade para reconhecer as próprias filhas devido aos sinais de violência que apresentavam.

Relatos familiares mencionam hematomas, ferimentos e lesões nos membros. O primo também afirma que Taraneh já possuía problemas em uma das pernas antes da prisão e que sua condição teria piorado durante a detenção.

Uma organização iraniana de direitos humanos também afirma que Taraneh estaria enfrentando problemas de saúde e que existe preocupação com possíveis sequelas permanentes diante da suposta demora para receber tratamento médico.

Julgamento envolve 16 pessoas

O processo não envolve apenas as duas irmãs. Taraneh e Romina estão entre 16 pessoas julgadas em Isfahan por acusações relacionadas aos protestos de janeiro.

Entre os crimes atribuídos aos réus estão moharebeh, expressão utilizada na legislação iraniana para designar “guerra contra Deus”, além de acusações relacionadas à destruição de propriedades públicas, associação e conspiração e propaganda contra a República Islâmica.

No fim de agosto, a Justiça Revolucionária de Isfahan condenou dez dos 16 acusados à morte. Entre eles estava Taraneh. Romina recebeu pena de 25 anos.

As decisões, entretanto, ainda estão sujeitas a recursos. Uma organização de direitos humanos que acompanha o caso informou que o processo de Taraneh está dentro do período de recurso perante a Suprema Corte iraniana.

Protestos de janeiro desencadearam repressão

As irmãs participaram das manifestações realizadas em Isfahan nos dias 8 e 9 de janeiro, em meio a uma onda de protestos contra o governo iraniano.

O caso ganhou maior repercussão porque está relacionado a um processo que envolve dezenas de acusações decorrentes das manifestações. Segundo a Radio Farda, defensores dos direitos humanos questionam a legitimidade do processo e afirmam que confissões teriam sido obtidas por meio de tortura.

Em julho, quando o julgamento ainda estava em andamento, organizações de direitos humanos já alertavam para o risco de condenações severas contra os participantes dos protestos.

Irã enfrenta críticas por aumento das execuções

O caso das irmãs ocorre em meio a um aumento das execuções no Irã.

Segundo dados citados pela organização Iran Human Rights e reproduzidos por veículos internacionais, mais de 500 pessoas foram executadas no país em 2026, incluindo dezenas de pessoas relacionadas aos protestos de janeiro. O número inclui pelo menos 29 execuções que organizações de direitos humanos relacionam às manifestações.

Para organizações que acompanham a situação, o uso da pena de morte contra manifestantes teria também o objetivo de intimidar a população e impedir novas mobilizações contra o regime.

O caso de Taraneh permanece, portanto, em aberto. Embora a Justiça Revolucionária tenha imposto a pena capital, a defesa ainda pode recorrer. Enquanto isso, familiares e organizações de direitos humanos pressionam para que a sentença seja revista e para que as denúncias de tortura e de confissões obtidas sob coerção sejam investigadas.

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