A morte de Lorena Isceri, de 45 anos, chocou a Itália e passou a ser investigada como feminicídio. A mulher foi sequestrada pelo ex-companheiro, Federico Vella, de 36 anos, em Florença, na quinta-feira (3), e posteriormente lançada de um viaduto da rodovia A1, na região de Barberino del Mugello.
Depois de jogar Lorena do viaduto, Vella também se lançou do local e morreu. A investigação conduzida pela polícia e pela Procuradoria de Florença busca reconstruir os últimos momentos da vítima e esclarecer todas as circunstâncias do crime.
Os primeiros resultados da autópsia, divulgados nesta segunda-feira (7), indicam que Lorena ainda estava viva no momento em que foi jogada do viaduto. Os exames apontam que a morte ocorreu em consequência da queda. A conclusão definitiva, contudo, dependerá do laudo médico-legal completo, que deverá ser entregue posteriormente.
Vítima conseguiu ligar para o serviço de emergência
Segundo a reconstrução apresentada pelas autoridades e pela imprensa italiana, Vella teria esperado Lorena retornar para casa e a abordado na região de Rifredi, em Florença.
A mulher foi agredida e colocada no porta-malas de um veículo. Durante o deslocamento pela rodovia, ela conseguiu utilizar um telefone para entrar em contato com o 112, número de emergência da Itália, e avisar que havia sido sequestrada.
A ligação permitiu que a polícia rastreasse a localização do veículo e iniciasse uma operação para tentar localizar a vítima e o suspeito.
O trajeto terminou próximo a um viaduto da A1, na região de Barberino del Mugello. Quando percebeu a aproximação dos policiais, Vella teria retirado Lorena do veículo e a lançado do alto da estrutura.
Em seguida, permaneceu no local e também se jogou do viaduto. Os dois morreram.
Investigação apura se crime foi planejado
A Procuradoria de Florença trabalha com a hipótese de que o ataque tenha sido planejado.
De acordo com informações divulgadas durante a investigação, Vella teria preparado o deslocamento e aguardado a ex-companheira antes de atacá-la. O carro utilizado na ação foi apreendido para a realização de perícias.
Os investigadores também analisam registros telefônicos, imagens de câmeras de segurança e outros elementos capazes de esclarecer a sequência dos acontecimentos.
Antes de morrer, Vella também teria feito contatos com familiares. Segundo a ANSA, ele informou à própria mãe que havia matado a ex-companheira e, posteriormente, uma mensagem foi enviada à mãe de Lorena comunicando que ela estava morta.
Família afirma que Lorena tinha medo do ex
A família da vítima relatou aos investigadores que Lorena tinha demonstrado preocupação com o comportamento de Vella.
A mãe contou que conversou com a filha na manhã do crime e que, naquele momento, Lorena parecia estar bem. Segundo o relato, porém, ela já havia falado anteriormente sobre o relacionamento e demonstrado medo das reações agressivas do ex-companheiro.
Informações posteriormente divulgadas pela imprensa italiana indicam que Lorena teria interrompido o relacionamento depois de descobrir uma suposta relação paralela de Vella. A família também relatou episódios de comportamento agressivo e insistentes contatos por telefone e mensagens.
Segundo os relatos, Lorena chegou a passar parte do mês de agosto na casa dos pais, na região de Puglia, justamente porque estaria receosa com o comportamento do ex.
Relação havia terminado antes do crime
Segundo as informações reunidas pelos investigadores e pela imprensa italiana, Lorena e Vella haviam encerrado o relacionamento antes do assassinato.
O caso teria se deteriorado nas semanas anteriores, com discussões e contatos insistentes. A família afirma que Lorena queria se afastar do homem.
A investigação agora tenta determinar em que circunstâncias ocorreu a separação e se os episódios anteriores podem ajudar a explicar a ação de Vella.
Itália registra nova onda de feminicídios
O assassinato de Lorena ocorreu em um momento de preocupação crescente na Itália com a violência contra mulheres.
Segundo dados citados pela organização feminista Non Una di Meno, 40 mulheres haviam sido assassinadas no país até 8 de agosto de 2026. Desde 15 de agosto, outros sete casos passaram a ser associados a parceiros ou ex-parceiros, incluindo o de Lorena.
O caso também reacendeu críticas de organizações que defendem políticas de prevenção à violência de gênero, especialmente em relação à educação sobre relacionamentos e à identificação precoce de comportamentos abusivos.
Itália criou crime específico de feminicídio
O caso ocorre menos de um ano depois de a Itália aprovar uma legislação específica para o crime de feminicídio.
A Lei nº 181, de 2 de dezembro de 2025, criou o artigo 577-bis do Código Penal italiano e estabeleceu o feminicídio como crime autônomo.
A legislação considera feminicídio o assassinato de uma mulher quando motivado por ódio, discriminação, controle, posse ou domínio em razão de ela ser mulher, ou ainda relacionado à recusa da vítima em manter um relacionamento afetivo ou ao exercício de suas liberdades individuais.
Nessas circunstâncias, a legislação prevê pena de prisão perpétua. A norma entrou em vigor em 17 de dezembro de 2025.
A nova legislação também alterou dispositivos relacionados à proteção das vítimas de violência de gênero e aos direitos de familiares de mulheres assassinadas.
Caso provoca debate sobre prevenção
A morte de Lorena voltou a colocar em discussão a diferença entre criar mecanismos legais mais rígidos e conseguir impedir que situações de violência evoluam para crimes extremos.
Entidades de defesa das mulheres têm cobrado investimentos em prevenção, educação e identificação de sinais de violência em relacionamentos.
No caso de Lorena, os relatos da família indicam que ela já demonstrava receio em relação ao comportamento do ex-companheiro. A investigação deverá esclarecer se havia outros sinais anteriores e se alguma medida de proteção chegou a ser solicitada.
Até o momento, o caso é tratado pelas autoridades italianas como um possível feminicídio seguido do suicídio do autor. Como Federico Vella também morreu, não haverá julgamento criminal do suspeito.
A investigação continua para esclarecer definitivamente a dinâmica do crime e reunir os elementos que deverão constar no procedimento conduzido pela Procuradoria de Florença.

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