quinta-feira , 3 setembro 2026
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Homem de 41 anos é operado após usar supercola para tentar conter incontinência urinária

Caso raro registrado no Irã terminou com um bloco endurecido de 10 centímetros obstruindo a uretra; paciente precisou de cirurgia para recuperar o fluxo de urina

Divulgação

Um homem de 41 anos, no Irã, precisou passar por uma cirurgia de emergência depois de tentar tratar a própria incontinência urinária com supercola. O caso foi publicado na revista médica Caspian Journal of Internal Medicine e voltou a ganhar repercussão internacional nesta semana por causa da natureza incomum do procedimento improvisado.

Segundo o relato médico, o paciente começou a apresentar incontinência urinária e decidiu aplicar cola instantânea diretamente na uretra durante aproximadamente duas semanas, na tentativa de impedir o vazamento de urina. Nos primeiros dias, a estratégia aparentemente produziu o efeito desejado, mas o material acabou endurecendo dentro do canal urinário.

O resultado foi uma obstrução progressiva. Cerca de quatro dias depois do início da aplicação, ele passou a apresentar redução da produção de urina e dor ao urinar. Quando procurou atendimento, duas semanas após interromper o uso da cola, já apresentava retenção urinária e dores intensas na região inferior do abdômen.

Médicos encontraram bloco de cola endurecida

Durante o exame físico, os médicos identificaram um corpo estranho rígido na uretra peniana. Também havia fragmentos quebradiços de supercola na abertura da uretra.

Uma ultrassonografia abdominal mostrou hidronefrose bilateral leve, alteração relacionada ao comprometimento do fluxo urinário, embora sem sinais de cálculo na bexiga. Os exames laboratoriais estavam normais no momento da avaliação.

Os especialistas inicialmente tentaram realizar uma cistoscopia, exame que utiliza um instrumento para visualizar o interior da uretra e da bexiga. O procedimento, porém, não foi possível porque a obstrução impedia a passagem do equipamento.

Cirurgia foi necessária para retirar a cola

Diante da obstrução completa, os médicos decidiram realizar uma intervenção cirúrgica.

Foi feita uma pequena incisão na glande, e a uretra foi irrigada com aproximadamente 3 litros de solução salina durante cerca de 15 minutos. A lavagem ajudou a desprender a camada de cola aderida ao tecido.

Ao final do procedimento, os cirurgiões conseguiram retirar, com auxílio de pinça, um bloco sólido de supercola com cerca de 10 centímetros de comprimento. A incisão foi então fechada com pontos.

Depois da cirurgia, o paciente voltou a urinar normalmente. Segundo o relato publicado, ele recebeu alta no quinto dia após o procedimento e permaneceu com um cateter por dez dias. No acompanhamento realizado seis semanas depois, não apresentava novas queixas e o fluxo urinário permanecia normal.

Tentativa de tratamento era motivada por desespero

Os autores do estudo destacaram que o caso é incomum porque a aplicação da cola não estava associada a uma tentativa de introdução de objeto por curiosidade ou finalidade sexual.

O paciente relatou que tomou a decisão exclusivamente para tentar controlar a incontinência urinária, e os médicos registraram que ele não tinha histórico de transtornos psiquiátricos.

A literatura médica aponta que a presença de corpos estranhos na uretra é rara. Quando ocorre por iniciativa do próprio paciente, os relatos podem estar associados a curiosidade, comportamento desinibido, uso de álcool ou drogas e, em alguns casos, motivos sexuais.

Não era a primeira vez que supercola causava obstrução

O episódio foi descrito pelos autores como um caso raro de supercola solidificada dentro da uretra. Trabalhos posteriores que revisaram a literatura médica também identificaram outros casos semelhantes, incluindo pacientes que precisaram de procedimentos endoscópicos ou cirúrgicos para retirar fragmentos do material.

Uma revisão publicada em Case Reports in Urology em 2025 descreveu diferentes ocorrências de supercola introduzida na uretra e mostrou que as abordagens para retirada variaram de remoção manual e endoscópica até cirurgia aberta, dependendo do local e do grau de aderência do material.

Médicos não recomendaram o uso de solventes

A utilização de produtos químicos para tentar dissolver a cola também foi considerada inadequada.

No caso iraniano, os médicos optaram por não utilizar solventes e recorreram à irrigação com solução salina e à remoção cirúrgica. A razão está no risco de causar lesões adicionais ao delicado tecido da uretra, agravando a obstrução ou provocando complicações.

O caso serve como alerta sobre os riscos de tentar tratar problemas urinários com métodos improvisados, principalmente quando envolvem a introdução de substâncias químicas em estruturas internas do corpo.

Incontinência exige avaliação médica

A incontinência urinária pode ter diferentes causas e tratamentos, dependendo da origem do problema. O relato publicado não detalha qual era a causa da condição apresentada pelo paciente iraniano antes da tentativa de automedicação.

O principal alerta médico decorrente do caso é que sintomas urinários persistentes devem ser investigados por profissionais de saúde. Uma tentativa de fechar fisicamente o canal urinário pode transformar um problema inicial em uma emergência, como aconteceu com o paciente.

Caso foi publicado originalmente em 2020

Apesar de ter voltado a circular internacionalmente em agosto de 2026, o caso não ocorreu recentemente. O artigo científico foi publicado em maio de 2020, no volume 11 da Caspian Journal of Internal Medicine. O estudo tem DOI 10.22088/cjim.11.3.333 e está indexado no PubMed.

A repercussão atual ocorre justamente porque veículos internacionais voltaram a destacar a história, considerada um dos relatos médicos mais incomuns envolvendo tentativa de automedicação e corpo estranho na uretra.

Recuperação foi considerada satisfatória

Após a retirada da supercola, o paciente apresentou recuperação funcional do sistema urinário. No acompanhamento de seis semanas, os médicos relataram fluxo urinário normal e ausência de novas queixas clínicas.

O desfecho positivo, porém, não diminui a gravidade da situação enfrentada pelo homem: uma tentativa de controlar a incontinência acabou provocando retenção urinária completa e a necessidade de cirurgia.

O caso permanece como um exemplo extremo dos riscos da automedicação e da utilização de substâncias inadequadas no organismo. A recomendação médica é não introduzir cola, solventes ou qualquer outro produto químico na uretra para tentar tratar sintomas urinários. Em situações de dificuldade para urinar, dor intensa ou retenção urinária, a busca por atendimento médico deve ser imediata.

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