A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) desembolsou R$ 15.866,83 em passagens aéreas para uma viagem internacional da coordenadora do Centro Estadual de Oncologia de Alagoas, Rafaella Britto Toledo, em dezembro de 2024. Rafaella é prima da primeira-dama do Estado, Júlia Britto, esposa do governador Paulo Dantas (MDB).
Segundo informações publicadas a partir de dados do Portal da Transparência e da documentação relacionada ao pagamento, a viagem ocorreu entre os dias 14 e 20 de dezembro de 2024, período que coincidiu com uma viagem da família do governador aos Estados Unidos.
O gasto foi registrado por meio do empenho 2024NE11506, cuja ordem bancária aponta o pagamento de exatos R$ 15.866,83 referentes às passagens aéreas da coordenadora.

Justificativa apresentada para a viagem
De acordo com a documentação citada na publicação, o afastamento foi formalmente relacionado a compromissos de natureza profissional. Entre eles estavam a apresentação de um estudo científico sobre câncer de mama durante o San Antonio Breast Cancer Symposium 2024 (SABCS) e uma visita técnica ao Moffitt Cancer Center, em Orlando, nos Estados Unidos.
O simpósio em San Antonio terminou em 13 de dezembro de 2024. Conforme os registros apresentados, Rafaella seguiu posteriormente para Orlando, onde a visita técnica ao hospital ocorreu no dia 21 de dezembro, antes do retorno a Maceió.

A documentação indica, portanto, que houve compromissos profissionais durante o deslocamento internacional. O questionamento levantado sobre a despesa está relacionado principalmente ao intervalo entre essas agendas e à coincidência desse período com a viagem de familiares do governador.
Pagamentos adicionais no mesmo mês
Além das passagens custeadas pelo Estado, Rafaella Britto Toledo recebeu, em dezembro de 2024, outros R$ 19.850 vinculados a programas da Secretaria de Estado da Saúde.
Os valores mencionados são de R$ 15 mil referentes ao Programa Emergência de Oncologia e R$ 4.850 relacionados ao programa Saúde até Você. Segundo a publicação, os pagamentos aparecem no Portal da Transparência como realizados “por lista”.
A soma dos valores chama atenção porque o pagamento das passagens ocorreu no mesmo mês em que foram registrados os repasses adicionais relacionados às atividades da profissional na área da saúde.
Viagem coincidiu com período de férias da família
O caso ganhou repercussão pela coincidência entre o período em que a coordenadora permaneceu nos Estados Unidos e a viagem da família do governador Paulo Dantas.
Registros publicados nas redes sociais mostram Rafaella junto a familiares da primeira-dama durante a passagem pelos parques da Disney e da Universal, em Orlando. Também foi registrada uma fotografia na qual aparece Paulo Dantas ao lado de familiares da esposa.

A situação passou a levantar questionamentos sobre a utilização de recursos públicos em viagens internacionais que envolvem agentes públicos e familiares de integrantes do governo.
A justificativa oficial apresentada para a viagem, entretanto, está relacionada à participação no evento científico e à visita técnica ao hospital especializado em oncologia.
O que consta nos registros
O documento de pagamento consultado registra o valor de R$ 15.866,83 para as passagens de Rafaella Britto Toledo. A despesa foi realizada com recursos vinculados ao Fundo Estadual de Saúde.
A discussão em torno do caso está concentrada na necessidade de compatibilidade entre o período custeado pelo poder público e a duração efetivamente necessária para o cumprimento das atividades profissionais informadas na documentação.
Até o momento, a existência dos compromissos profissionais mencionados nos registros não elimina, por si só, a necessidade de esclarecer a composição da agenda e o período de permanência no exterior.
O caso também envolve questionamentos sobre os princípios de impessoalidade, moralidade e eficiência que devem orientar a utilização de recursos públicos, especialmente em viagens internacionais custeadas pelo Estado.
As informações sobre os valores e a viagem têm como base documentos de transparência pública e registros divulgados sobre o caso. A existência de questionamentos ou críticas à despesa não significa, por si só, que tenha sido reconhecida judicial ou administrativamente a ocorrência de irregularidade.

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