A epidemia de ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) se tornou a mais letal já registrada no país. Segundo dados oficiais divulgados neste domingo (16), 2.325 pessoas morreram e 4.945 casos foram confirmados desde o início do surto.
O número de mortes ultrapassou o registrado durante a epidemia de 2018 a 2020, quando 2.299 pessoas morreram. O atual surto também já é considerado o de crescimento mais rápido da história do ebola.
A epidemia foi oficialmente declarada em 15 de maio de 2026, após a confirmação de casos na província de Ituri, no nordeste do país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a doença posteriormente alcançou outras áreas da RDC, enquanto países vizinhos também reforçaram a vigilância.
Variante rara preocupa autoridades
O surto é provocado pelo vírus Ebola da espécie Bundibugyo, uma variante para a qual atualmente não existem vacina ou tratamento específico aprovados. A OMS afirma que pesquisas estão sendo realizadas para avaliar candidatos a vacinas e tratamentos.
Isso diferencia a atual epidemia de outros surtos de ebola, nos quais existem vacinas e terapias específicas disponíveis para determinadas variantes.
Apesar da ausência de tratamento específico, a OMS destaca que o atendimento de suporte, com hidratação, controle dos sintomas e cuidados médicos intensivos, pode aumentar as chances de sobrevivência.
Taxa de letalidade chega a 46%
Outro indicador que chama atenção é a taxa de letalidade entre os casos confirmados. Segundo os dados mais recentes, ela chegou a aproximadamente 46%.
Especialistas ouvidos pela Reuters ressaltam, porém, que o aumento não significa necessariamente que o vírus tenha se tornado mais agressivo. Uma das explicações apontadas é a identificação tardia dos pacientes, que reduz as possibilidades de tratamento eficaz.
A OMS também já havia observado que parte do aumento registrado nos números estava relacionada à ampliação da vigilância, da testagem e da capacidade de diagnóstico.
Infraestrutura e conflitos dificultam combate
As autoridades enfrentam obstáculos para controlar a epidemia em uma região marcada por infraestrutura de saúde limitada, deslocamentos populacionais, conflitos armados e resistência de parte das comunidades.
A situação também dificulta o rastreamento de pessoas que tiveram contato com infectados, uma das principais estratégias para interromper as cadeias de transmissão.
A OMS afirma que o envolvimento das comunidades é fundamental para que medidas como isolamento, identificação de contatos e sepultamentos seguros sejam efetivas.
Uganda conseguiu conter transmissão
O vírus também chegou a Uganda, país vizinho da RDC. Segundo a OMS, foram registrados 20 casos confirmados e duas mortes no país, mas a transmissão foi posteriormente controlada. Uganda declarou o fim do surto após não registrar novos casos por determinado período.
O episódio, entretanto, demonstra o risco de disseminação para outros países da região, especialmente diante da intensa circulação de pessoas através das fronteiras.
Como o ebola é transmitido?
O ebola é transmitido principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, inclusive após a morte. O risco aumenta durante os cuidados com pacientes e em determinadas práticas funerárias quando não são adotadas medidas de segurança.
Os sintomas podem incluir febre, fraqueza intensa, dores musculares, vômitos e diarreia. Em casos graves, podem ocorrer sangramentos e falência de órgãos.
Segundo maior surto da história mundial
Apesar de ser o pior episódio registrado na República Democrática do Congo, o atual surto ainda está abaixo do maior surto de ebola já documentado.
Entre 2014 e 2016, uma epidemia atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental. Segundo dados da OMS, foram registrados mais de 28 mil casos e 11 mil mortes.
O atual surto, entretanto, alcançou mais de 2 mil mortes em menos de três meses, velocidade que preocupa especialistas e autoridades internacionais.
Situação continua sob monitoramento
A OMS mantém apoio às autoridades congolesas em ações de vigilância, rastreamento de contatos, diagnóstico, atendimento médico, controle de infecções e comunicação com as comunidades.
Com quase 5 mil casos confirmados e a transmissão ainda ativa, as próximas semanas serão decisivas para determinar se as medidas adotadas conseguirão frear a epidemia ou se o número de vítimas continuará crescendo.

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