terça-feira , 18 agosto 2026
Lar Internacional Surto de ebola na República Democrática do Congo se torna o mais mortal da história do país
InternacionalSaúdeSegurança Pública

Surto de ebola na República Democrática do Congo se torna o mais mortal da história do país

Epidemia já provocou 2.325 mortes e quase 5 mil casos confirmados; autoridades enfrentam dificuldades para conter a transmissão

Foto: Arquivo/Folhapress

A epidemia de ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) se tornou a mais letal já registrada no país. Segundo dados oficiais divulgados neste domingo (16), 2.325 pessoas morreram e 4.945 casos foram confirmados desde o início do surto.

O número de mortes ultrapassou o registrado durante a epidemia de 2018 a 2020, quando 2.299 pessoas morreram. O atual surto também já é considerado o de crescimento mais rápido da história do ebola.

A epidemia foi oficialmente declarada em 15 de maio de 2026, após a confirmação de casos na província de Ituri, no nordeste do país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a doença posteriormente alcançou outras áreas da RDC, enquanto países vizinhos também reforçaram a vigilância.

Variante rara preocupa autoridades

O surto é provocado pelo vírus Ebola da espécie Bundibugyo, uma variante para a qual atualmente não existem vacina ou tratamento específico aprovados. A OMS afirma que pesquisas estão sendo realizadas para avaliar candidatos a vacinas e tratamentos.

Isso diferencia a atual epidemia de outros surtos de ebola, nos quais existem vacinas e terapias específicas disponíveis para determinadas variantes.

Apesar da ausência de tratamento específico, a OMS destaca que o atendimento de suporte, com hidratação, controle dos sintomas e cuidados médicos intensivos, pode aumentar as chances de sobrevivência.

Taxa de letalidade chega a 46%

Outro indicador que chama atenção é a taxa de letalidade entre os casos confirmados. Segundo os dados mais recentes, ela chegou a aproximadamente 46%.

Especialistas ouvidos pela Reuters ressaltam, porém, que o aumento não significa necessariamente que o vírus tenha se tornado mais agressivo. Uma das explicações apontadas é a identificação tardia dos pacientes, que reduz as possibilidades de tratamento eficaz.

A OMS também já havia observado que parte do aumento registrado nos números estava relacionada à ampliação da vigilância, da testagem e da capacidade de diagnóstico.

Infraestrutura e conflitos dificultam combate

As autoridades enfrentam obstáculos para controlar a epidemia em uma região marcada por infraestrutura de saúde limitada, deslocamentos populacionais, conflitos armados e resistência de parte das comunidades.

A situação também dificulta o rastreamento de pessoas que tiveram contato com infectados, uma das principais estratégias para interromper as cadeias de transmissão.

A OMS afirma que o envolvimento das comunidades é fundamental para que medidas como isolamento, identificação de contatos e sepultamentos seguros sejam efetivas.

Uganda conseguiu conter transmissão

O vírus também chegou a Uganda, país vizinho da RDC. Segundo a OMS, foram registrados 20 casos confirmados e duas mortes no país, mas a transmissão foi posteriormente controlada. Uganda declarou o fim do surto após não registrar novos casos por determinado período.

O episódio, entretanto, demonstra o risco de disseminação para outros países da região, especialmente diante da intensa circulação de pessoas através das fronteiras.

Como o ebola é transmitido?

O ebola é transmitido principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, inclusive após a morte. O risco aumenta durante os cuidados com pacientes e em determinadas práticas funerárias quando não são adotadas medidas de segurança.

Os sintomas podem incluir febre, fraqueza intensa, dores musculares, vômitos e diarreia. Em casos graves, podem ocorrer sangramentos e falência de órgãos.

Segundo maior surto da história mundial

Apesar de ser o pior episódio registrado na República Democrática do Congo, o atual surto ainda está abaixo do maior surto de ebola já documentado.

Entre 2014 e 2016, uma epidemia atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental. Segundo dados da OMS, foram registrados mais de 28 mil casos e 11 mil mortes.

O atual surto, entretanto, alcançou mais de 2 mil mortes em menos de três meses, velocidade que preocupa especialistas e autoridades internacionais.

Situação continua sob monitoramento

A OMS mantém apoio às autoridades congolesas em ações de vigilância, rastreamento de contatos, diagnóstico, atendimento médico, controle de infecções e comunicação com as comunidades.

Com quase 5 mil casos confirmados e a transmissão ainda ativa, as próximas semanas serão decisivas para determinar se as medidas adotadas conseguirão frear a epidemia ou se o número de vítimas continuará crescendo.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Maceió encerra período chuvoso pelo quinto ano seguido sem registrar mortes

Maceió encerrou o período chuvoso de 2026 sem registrar mortes provocadas por...

Câmara instala comissão especial para discutir redução da maioridade penal

A Câmara dos Deputados deu mais um passo nesta quarta-feira (12) na...