domingo , 25 outubro 2026
Lar Economia UE oficializa veto à compra de carne brasileira a partir de setembro
EconomiaInternacionalPolíticaÚltimas notícias

UE oficializa veto à compra de carne brasileira a partir de setembro

Decisão da Comissão Europeia retira o Brasil de lista de países autorizados por falta de garantias sobre controle de antimicrobianos na produção animal; governo brasileiro tenta reverter medida antes do prazo

Foto: Reprodução

A União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco. A decisão foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia e passa a produzir efeitos em 3 de setembro de 2026.

Na prática, se nada mudar até lá, carnes bovina, de aves e de equídeos, além de produtos de aquicultura, mel e tripas de origem brasileira deixarão de ser aceitos no mercado europeu dentro das categorias afetadas pela nova regra.

A medida foi formalizada por meio do Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, que altera normas anteriores sobre a entrada de produtos de origem animal destinados ao consumo humano. O ponto central da decisão é a exigência europeia de garantias mais rígidas sobre o uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar que terá, até setembro, mecanismos capazes de assegurar o cumprimento das regras do bloco. A exigência envolve principalmente a proibição do uso de antimicrobianos para promover crescimento, aumentar rendimento produtivo ou empregar substâncias reservadas ao tratamento de infecções em humanos.

O que muda

A decisão não significa uma interrupção imediata das vendas. Até 3 de setembro de 2026, as exportações brasileiras seguem normalmente. A partir dessa data, porém, os produtos atingidos só poderão continuar entrando na União Europeia se o Brasil voltar a ser incluído na lista de países considerados aptos.

Entre os produtos afetados estão:

  • carne bovina;
  • carne de aves;
  • carne de equídeos;
  • produtos de aquicultura;
  • mel;
  • tripas.

A retirada do Brasil da lista representa uma pressão sanitária e comercial relevante sobre uma das cadeias mais importantes do agronegócio nacional. O mercado europeu não é o maior destino da proteína brasileira, mas é considerado estratégico por agregar valor, exigir padrões elevados e influenciar decisões regulatórias em outros mercados.

Por que a União Europeia tomou a decisão

A justificativa da União Europeia está ligada ao combate à resistência antimicrobiana, um problema de saúde pública global. O uso inadequado ou excessivo de antibióticos e outros antimicrobianos em animais pode contribuir para o surgimento de microrganismos resistentes, dificultando o tratamento de infecções em humanos e animais.

O bloco europeu já restringe internamente o uso desses medicamentos como forma de acelerar crescimento ou aumentar produtividade. Agora, a regra também passa a pesar com mais força sobre países terceiros que vendem alimentos de origem animal para o mercado europeu.

Para a União Europeia, não basta que o produto final esteja dentro de determinados padrões. O país exportador precisa demonstrar controle ao longo da cadeia produtiva, incluindo criação, manejo, rastreabilidade, fiscalização e certificação sanitária.

Governo brasileiro tenta reverter

O governo brasileiro reagiu afirmando que recebeu a decisão com surpresa e que adotará medidas para tentar reverter a exclusão. A posição oficial é de que o Brasil possui um sistema sanitário robusto, com reconhecimento internacional, e exporta produtos de origem animal para a União Europeia há décadas.

A expectativa agora é que os ministérios envolvidos, especialmente Agricultura, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, intensifiquem as negociações técnicas com autoridades europeias.

O ponto mais sensível será comprovar, com documentação e garantias verificáveis, que a produção destinada ao bloco cumpre as exigências europeias sobre antimicrobianos. Sem essa comprovação, a barreira tende a entrar em vigor no prazo previsto.

Impacto econômico

Do ponto de vista econômico, a decisão acende um alerta para frigoríficos, exportadores, produtores e para a imagem sanitária do Brasil no comércio internacional. Mesmo que outros mercados sejam mais relevantes em volume, a União Europeia costuma ser uma vitrine regulatória.

Quando o bloco europeu endurece uma regra, outros compradores podem observar o movimento e cobrar exigências semelhantes. Por isso, o impacto não se limita ao volume exportado diretamente para a Europa. Há também um efeito reputacional e diplomático.

Além disso, a medida ocorre em um momento sensível para as relações comerciais entre Brasil, Mercosul e União Europeia, justamente em meio a debates sobre integração econômica, padrões ambientais, segurança alimentar e competição entre produtores europeus e sul-americanos.

Países vizinhos permanecem autorizados

Enquanto o Brasil ficou fora das categorias afetadas, outros países da região continuam habilitados em diferentes segmentos. Argentina, Paraguai e Uruguai, por exemplo, aparecem em situação mais favorável nas listas europeias, o que aumenta a pressão sobre o governo brasileiro e sobre o setor produtivo nacional.

A permanência de concorrentes sul-americanos no mercado europeu pode abrir espaço para substituição de fornecedores caso o veto seja mantido. Para o Brasil, isso torna a negociação ainda mais urgente.

Entenda o que são antimicrobianos

Antimicrobianos são substâncias usadas para combater microrganismos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas. Entre eles estão os antibióticos, amplamente usados na medicina humana e veterinária.

O problema surge quando esses medicamentos são utilizados de forma inadequada, excessiva ou com finalidade produtiva, como acelerar o crescimento animal. Esse tipo de prática pode favorecer o desenvolvimento de resistência, fazendo com que tratamentos importantes percam eficácia.

Por isso, a União Europeia passou a exigir que países exportadores demonstrem que não utilizam determinados medicamentos com finalidade de ganho produtivo e que respeitam a restrição de substâncias consideradas essenciais para a saúde humana.

Próximos passos

A partir de agora, o Brasil terá uma janela curta para apresentar as garantias exigidas e tentar recuperar a autorização antes de setembro. Caso não consiga, os produtos afetados deixarão de entrar no bloco europeu nas categorias indicadas pelo regulamento.

O desfecho dependerá de negociações técnicas, comprovação documental, ajustes na certificação e eventual aceitação das autoridades europeias. Até lá, o setor produtivo acompanha a movimentação com preocupação, porque a decisão envolve não apenas exportações, mas a credibilidade sanitária do país em um dos mercados mais exigentes do mundo.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

“Vou fazer um estrago”: mensagens revelam planos de Daniel Vorcaro para entrar no mercado de bets

Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam como...

Projeto de Dra. Eudócia estabelece regras para uso de inteligência artificial na saúde

O uso da inteligência artificial em hospitais e clínicas brasileiras poderá passar...