segunda-feira , 1 junho 2026
Lar Economia Trump devolve proposta ao Irã e exige mudanças para fechar acordo que pode encerrar a guerra
EconomiaInternacionalPolíticaSegurança PúblicaÚltimas notícias

Trump devolve proposta ao Irã e exige mudanças para fechar acordo que pode encerrar a guerra

Presidente americano cobra garantias mais rígidas sobre programa nuclear iraniano, reabertura do Estreito de Ormuz e condições financeiras antes de aprovar cessar-fogo ampliado

WIN MCNAMEE / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devolveu ao Irã o texto de uma proposta de acordo que vinha sendo negociada para tentar encerrar a guerra envolvendo Washington, Israel e Teerã. A decisão adia novamente a expectativa de um anúncio diplomático e mostra que, apesar do otimismo demonstrado pela Casa Branca nos últimos dias, ainda existem divergências centrais entre os dois lados.

Segundo autoridades ouvidas pela imprensa internacional, Trump pediu alterações no documento após uma reunião com seus principais assessores na Casa Branca. As mudanças exatas não foram divulgadas, mas integrantes do governo americano afirmam que o presidente quer uma linguagem mais firme sobre os compromissos nucleares do Irã e garantias concretas de que o Estreito de Ormuz será reaberto sem restrições.

A proposta em discussão prevê a ampliação do cessar-fogo por 60 dias, período em que os negociadores tentariam avançar em um acordo mais amplo. O plano também inclui a retomada do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural.

O que Trump exige

Entre os pontos defendidos pela Casa Branca está a necessidade de impedir que o Irã mantenha capacidade para desenvolver uma arma nuclear. Trump também quer que o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido seja colocado sob controle externo ou descartado dentro de um processo supervisionado.

Outro ponto considerado indispensável por Washington é a abertura imediata do Estreito de Ormuz, sem cobrança de pedágios, tarifas ou qualquer forma de controle unilateral por parte do Irã. Para os Estados Unidos, a passagem deve funcionar como uma via internacional livre para embarcações comerciais.

O governo americano também pressiona Teerã a reduzir ou encerrar o apoio a grupos armados aliados no Oriente Médio, como Hezbollah, Hamas, houthis e milícias xiitas iraquianas. Esse tema, porém, é um dos mais sensíveis da negociação, já que o Irã considera esses grupos parte de sua rede de influência regional.

Irã resiste a discutir programa nuclear nesta etapa

Do lado iraniano, a principal resistência está na tentativa americana de incluir o programa nuclear no centro do acordo inicial. Autoridades de Teerã têm sustentado que a negociação atual deve tratar primeiro do fim das hostilidades, da reabertura das rotas comerciais e do alívio econômico ao país.

O Irã também cobra garantias de que sanções serão flexibilizadas e que parte de seus ativos congelados no exterior poderá ser liberada. Esse ponto preocupa Trump, que historicamente critica o acordo nuclear firmado no governo Barack Obama e tenta evitar qualquer medida que possa ser apresentada por adversários como concessão excessiva a Teerã.

A decisão final do lado iraniano deve passar pelo líder supremo Mojtaba Khamenei e pela cúpula política e militar do país. No Parlamento iraniano, autoridades já indicaram que nenhum acordo será aprovado sem garantias consideradas concretas para os interesses de Teerã.

Estreito de Ormuz virou peça-chave da negociação

O Estreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos de pressão da guerra. A rota liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é fundamental para o escoamento de petróleo e gás natural. Desde o início do conflito, restrições impostas pelo Irã aumentaram a tensão no mercado energético e contribuíram para a alta nos preços dos combustíveis em diferentes regiões.

Pelo desenho preliminar do acordo, o Irã teria que remover minas e permitir navegação irrestrita. Em troca, os Estados Unidos poderiam reduzir gradualmente o bloqueio naval a portos iranianos e discutir alívio de sanções, especialmente no setor de petróleo.

Mesmo assim, há desconfiança dos dois lados. Washington quer garantias antes de suspender medidas de pressão. Teerã, por sua vez, quer benefícios econômicos claros antes de aceitar compromissos mais duros.

Pressão política cresce sobre Trump

Trump tenta equilibrar duas pressões ao mesmo tempo. De um lado, precisa mostrar força diante do Irã, especialmente para setores republicanos que rejeitam concessões ao regime. De outro, enfrenta cobrança interna por uma solução que reduza os impactos econômicos da guerra, principalmente no preço dos combustíveis.

Caso aceite um acordo visto como fraco, o presidente pode ser criticado por aliados conservadores e por defensores de uma política externa mais dura. Se mantiver o conflito aberto, corre o risco de prolongar a instabilidade no Oriente Médio e ampliar o desgaste político dentro dos Estados Unidos.

Nos últimos dias, Trump tem afirmado que o Irã deseja chegar a um acordo e que o resultado será favorável aos Estados Unidos e seus aliados. Ainda assim, a devolução do texto mostra que a Casa Branca não pretende assinar a proposta sem alterações consideradas essenciais.

Próximos passos

As negociações devem continuar nos próximos dias, com participação de mediadores regionais e consultas a aliados dos Estados Unidos no Golfo. A expectativa é que o texto revisado seja analisado pela liderança iraniana antes de uma nova rodada de respostas.

Por enquanto, o acordo segue próximo, mas ainda longe de estar fechado. O avanço diplomático depende de uma fórmula que permita a Trump apresentar a proposta como uma vitória estratégica e, ao mesmo tempo, ofereça ao Irã garantias econômicas e políticas suficientes para justificar a assinatura.

Enquanto isso, o Oriente Médio permanece em alerta. A continuidade do cessar-fogo, a situação no Estreito de Ormuz e o comportamento das forças apoiadas pelo Irã serão decisivos para medir se a negociação caminha para o fim da guerra ou para uma nova escalada militar.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *