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Casa do Autista de Maceió avança nas triagens e inicia elaboração de planos terapêuticos

Unidade especializada aprofunda avaliações multiprofissionais de crianças e adolescentes com TEA e prepara início dos atendimentos individualizados pelo SUS

Foto: David Silas/Ascom Maceió Saúde

A Casa do Autista de Maceió entrou em uma nova fase de funcionamento com o avanço das triagens de crianças e adolescentes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde. A etapa é considerada fundamental para definir, caso a caso, os planos terapêuticos que irão orientar o acompanhamento dos pacientes atendidos pela unidade.

O trabalho reúne profissionais de diferentes áreas da saúde e do desenvolvimento infantil, em um processo que envolve escuta das famílias, análise do histórico de cada criança ou adolescente, observação clínica, avaliação comportamental e identificação das necessidades específicas de suporte.

A proposta é que cada usuário tenha um atendimento individualizado, construído a partir do seu perfil, das suas dificuldades, das suas habilidades e da realidade familiar em que está inserido. A partir dessas informações, a equipe técnica irá montar os Projetos Terapêuticos Singulares, conhecidos como PTS, que funcionarão como uma espécie de roteiro de cuidado para cada paciente.

A unidade, localizada no bairro Gruta de Lourdes, foi apresentada pela gestão municipal como a primeira estrutura multidisciplinar do Brasil voltada exclusivamente ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. O serviço funciona pelo SUS e tem capacidade prevista para cerca de seis mil atendimentos por mês quando estiver em pleno funcionamento.

Triagem define o caminho terapêutico

As sessões de triagem têm duração média de 45 minutos, mas podem ser ampliadas de acordo com a necessidade identificada pela equipe. Durante o processo, os responsáveis fornecem informações sobre o desenvolvimento da criança ou adolescente, rotina familiar, comportamento, comunicação, dificuldades de interação, habilidades já adquiridas e principais demandas observadas no dia a dia.

Enquanto isso, os pacientes passam por atividades e observações conduzidas por profissionais especializados. A avaliação busca compreender como cada criança ou adolescente se comunica, interage, responde a estímulos, lida com mudanças, executa tarefas e se comporta em ambientes terapêuticos.

Com base nesse levantamento, a equipe define quais especialidades serão necessárias, qual intensidade de acompanhamento é mais adequada e que tipo de suporte a família também poderá receber.

A diretora-geral da Casa do Autista, Fabiana Lisboa, destacou que a fase de triagem é decisiva para garantir um cuidado mais humano e eficiente. Segundo ela, o objetivo é compreender a realidade de cada família antes do início das terapias, permitindo que o tratamento seja estruturado de forma personalizada.

Equipe multiprofissional participa das avaliações

As triagens contam com profissionais de psicologia, pedagogia, psicopedagogia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, nutrição, assistência social, educação física, fisioterapia, musicoterapia e enfermagem.

A próxima etapa será conduzida por uma junta técnica, responsável por consolidar as avaliações, fechar laudos quando necessário e definir os Projetos Terapêuticos Singulares. Esse documento deverá reunir as condutas indicadas para cada paciente, levando em consideração não apenas o diagnóstico, mas também o nível de suporte, o contexto familiar e os objetivos de desenvolvimento.

Na prática, o PTS ajuda a organizar o cuidado de forma integrada. Em vez de atendimentos isolados, a proposta é que os profissionais atuem de maneira coordenada, acompanhando a evolução do paciente e ajustando as intervenções conforme os avanços ou novas necessidades.

Acolhimento também alcança as famílias

Além da avaliação das crianças e adolescentes, a Casa do Autista também tem olhado para as demandas emocionais e sociais dos familiares. Esse ponto é considerado essencial no atendimento a pessoas com TEA, já que mães, pais e responsáveis participam diretamente da rotina terapêutica e, muitas vezes, enfrentam sobrecarga emocional, dúvidas sobre o diagnóstico e dificuldades no acesso à rede de cuidados.

Entre as famílias atendidas nesta fase está a de Aline Thaise Oliveira dos Santos, moradora do bairro Prado, que acompanhou os dois filhos autistas durante as avaliações. Ela relatou ter se sentido acolhida pela equipe e demonstrou expectativa para o início das terapias.

O acolhimento familiar é um dos diferenciais anunciados pela unidade. A proposta é que os responsáveis não sejam apenas acompanhantes, mas também parte do processo terapêutico, recebendo orientações e suporte para fortalecer o desenvolvimento das crianças fora do ambiente clínico.

Estrutura reúne terapias e ambientes adaptados

A Casa do Autista foi planejada para oferecer atendimento completo e integrado. Entre os serviços previstos estão neuropediatria, psiquiatria infantil, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, psicopedagogia, pedagogia, educação física adaptada, nutrição, enfermagem e assistência social.

A unidade também contará com terapias especializadas, como musicoterapia e aquaterapia. Os espaços foram pensados para estimular o desenvolvimento sensorial, motor, cognitivo, social e emocional dos pacientes.

Entre os ambientes disponíveis estão sala de integração sensorial, jardim sensorial, viveiro, piscina, parque inclusivo, auditório, áreas de convivência e a chamada “Maceiozinha”, uma minicidade criada para simular situações do cotidiano e ajudar no desenvolvimento da autonomia.

A ideia é que as crianças e adolescentes possam praticar, em um ambiente seguro e acompanhado, experiências que fazem parte da vida diária, como circulação em espaços públicos, interação social e execução de pequenas rotinas.

O que se sabe sobre esta etapa

A Casa do Autista segue realizando triagens de crianças e adolescentes encaminhados pela rede municipal de saúde;

As avaliações são feitas por equipe multiprofissional e analisam o perfil clínico, comportamental, social e familiar de cada paciente;

As sessões duram, em média, 45 minutos, podendo ser ampliadas conforme a necessidade;

A próxima fase prevê o fechamento dos laudos e a definição dos Projetos Terapêuticos Singulares;

Os primeiros pacientes avaliados deverão iniciar as terapias após a conclusão dessa etapa técnica;

A unidade atenderá crianças e adolescentes de até 17 anos e 11 meses;

A capacidade prevista é de aproximadamente seis mil atendimentos por mês;

O acesso ao serviço ocorre por meio da Secretaria Municipal de Saúde, após análise técnica e regulação da rede.

Como ter acesso ao serviço

As famílias interessadas no atendimento devem procurar a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, localizada na Avenida Fernandes Lima, nº 2335, no bairro Farol. É necessário apresentar os documentos da criança ou adolescente e do responsável legal.

Após a solicitação, a rede municipal realiza análise técnica e regulação do caso. Os encaminhamentos para a Casa do Autista acontecem de forma gradual, conforme os critérios assistenciais e a capacidade de atendimento da unidade.

A implantação da Casa do Autista representa um avanço na rede pública de cuidado especializado em Maceió. Com a fase de triagens, o serviço deixa de ser apenas uma estrutura inaugurada e passa a organizar, na prática, os caminhos terapêuticos das primeiras famílias atendidas.

Mais do que ampliar a oferta de atendimentos, a proposta é construir uma assistência contínua, individualizada e humanizada, capaz de olhar para cada criança e adolescente com TEA a partir de suas necessidades reais — e também acolher as famílias que fazem parte dessa jornada.

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