O surto de Ebola na República Democrática do Congo se espalhou para uma oitava província. Dois casos foram confirmados em Ubangi do Norte, incluindo uma morte, segundo informações divulgadas neste domingo (18) pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do país.
A nova área afetada faz fronteira com a República Centro-Africana e representa mais um desafio para as autoridades de saúde que tentam conter a epidemia. Até então, a maior parte dos casos estava concentrada no leste congolês, especialmente na província de Ituri.
De acordo com o relatório epidemiológico com dados até 16 de outubro, o país acumulava 9.415 casos confirmados e 4.536 mortes desde o início do surto. Somente nas 24 horas anteriores ao levantamento, foram registrados 67 novos casos e 26 mortes.
Oito províncias já foram afetadas
Com a confirmação dos casos em Ubangi do Norte, o surto alcança oito províncias da República Democrática do Congo: Kivu do Norte, Ituri, Haut-Uele, Tshopo, Kivu do Sul, Bas-Uele, Ubangi do Sul e Ubangi do Norte.
A província de Ituri concentrou 44 dos 67 novos casos contabilizados no relatório mais recente, mantendo-se como um dos principais focos da epidemia.
A ampliação da área atingida exige o reforço da vigilância epidemiológica, da identificação de pessoas que tiveram contato com infectados e do acompanhamento de possíveis novos casos.
Países vizinhos também estão em alerta
A epidemia preocupa autoridades sanitárias de outros países da região. O vírus já foi identificado fora do território congolês, e o Quênia confirmou casos relacionados ao surto neste mês.
A circulação do Ebola entre diferentes países aumenta a necessidade de cooperação regional, monitoramento de viajantes e preparação dos serviços de saúde para reconhecer rapidamente possíveis infecções.
Uganda também registrou casos relacionados à epidemia, mas a Organização Mundial da Saúde informou anteriormente que o surto naquele país havia sido declarado encerrado em agosto, após o cumprimento dos critérios epidemiológicos para o fim da transmissão.
Variante do vírus dificulta o combate
O surto atual é provocado pelo vírus Ebola da variante Bundibugyo. Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, não há vacina ou tratamento específico aprovado para essa variante.
A resposta à epidemia também enfrenta dificuldades relacionadas a conflitos armados, deslocamentos populacionais, acesso limitado a comunidades remotas e desconfiança de parte dos moradores em relação às equipes de saúde.
Esses fatores podem atrasar a identificação de infectados e dificultar o rastreamento de pessoas que tiveram contato com o vírus. Entre as medidas de controle estão a busca ativa de casos, o acompanhamento de contatos e o atendimento aos pacientes em estruturas preparadas para reduzir o risco de transmissão.
Como ocorre a transmissão do Ebola
O Ebola é uma doença viral grave que pode provocar febre, fraqueza intensa, dores musculares, vômitos e diarreia. Em casos graves, também podem ocorrer hemorragias.
A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas, ou com objetos contaminados.
O período de incubação varia de dois a 21 dias. Por isso, o acompanhamento de pessoas expostas ao vírus é fundamental para identificar novos casos e interromper cadeias de transmissão.
A confirmação de infecções em Ubangi do Norte amplia a área de atuação das autoridades sanitárias e reforça a necessidade de manter a vigilância. A evolução do surto dependerá da capacidade de identificar rapidamente novos casos, garantir atendimento aos pacientes e conter a disseminação do vírus.

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