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Quem é quem no esquema de família investigada por tráfico e lavagem de dinheiro em Uberlândia

Operação Mens Occulta, da Polícia Federal, mira grupo familiar suspeito de atuar no tráfico internacional de cocaína, ocultar patrimônio e lavar dinheiro por meio de empresas de fachada e bens de luxo

Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Federal colocou uma família de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, no centro de uma investigação que apura tráfico internacional de cocaína, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A apuração faz parte da Operação Mens Occulta, deflagrada na terça-feira (2), com mandados cumpridos em cidades de Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Segundo a investigação, o grupo teria movimentado cerca de R$ 70 milhões sem origem financeira compatível nos últimos cinco anos. A PF também relaciona a organização à apreensão de aproximadamente 2,9 toneladas de cocaína, em diferentes flagrantes realizados ao longo da apuração.

O núcleo familiar investigado é formado por pai, mãe, duas filhas e um ex-genro. Para os investigadores, a estrutura teria usado empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e aquisição de bens de alto valor para dar aparência legal a recursos supostamente ligados ao tráfico.

A defesa da família Nunes informou que ainda não teve acesso integral aos autos, que tramitam sob sigilo, e afirmou confiar no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa. Os investigados são considerados suspeitos, e eventuais responsabilidades deverão ser apuradas pela Justiça.

O que é a Operação Mens Occulta

A Operação Mens Occulta foi deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa sediada em Uberlândia e suspeita de atuar no tráfico transnacional de cocaína.

De acordo com a PF, a droga teria origem na região de fronteira, entrando no Brasil pelo Mato Grosso do Sul e sendo transportada em caminhões até Uberlândia. A partir da cidade mineira, os entorpecentes seriam distribuídos para outros municípios e estados.

O nome da operação, em latim, significa “mente oculta” e faz referência à forma como o suposto líder do grupo atuaria: sem se expor diretamente, usando familiares, laranjas e empresas para manter o funcionamento da estrutura criminosa.

Quem é quem no esquema, segundo a investigação

Mario Sergio Nunes, o “Serjão”

Mario Sergio Nunes é apontado pela Polícia Federal como o principal líder da organização criminosa investigada. Ele foi preso em um hotel em Uberaba, junto com a filha Brenda, durante o cumprimento dos mandados.

Segundo os investigadores, Mario seria responsável por comandar a estrutura operacional e financeira do grupo. A PF também apura a suposta ligação dele com o PCC e o papel que exerceria na coordenação de motoristas usados no transporte de drogas.

A investigação aponta ainda que Mario teria influência sobre rotas, contatos e movimentações financeiras, utilizando terceiros para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes

Maria Lourdetis, esposa de Mario Sergio, também é investigada. Segundo a PF, ela teria participação na estrutura financeira do grupo, especialmente na cessão de nome, contas bancárias e empresas usadas para movimentações suspeitas.

A investigação aponta que a participação dela estaria mais ligada à manutenção da estrutura patrimonial e financeira do que à parte operacional do tráfico. Até o momento, a Justiça considerou suficiente o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra ela.

Brenda da Silva Nunes

Brenda Nunes, filha de Mario, é apontada como uma das integrantes do núcleo principal da organização. Ela também foi presa em Uberaba, no mesmo hotel onde o pai foi localizado.

De acordo com a investigação, Brenda atuaria no controle financeiro do grupo e na comunicação com outros suspeitos. A PF também aponta que ela movimentava recursos ligados a uma empresa considerada de fachada e que os valores seriam usados para despesas pessoais da família.

Brenda é formada em Direito e, segundo a apuração, mantinha padrão de vida incompatível com a renda formal declarada. Entre os bens citados estão cavalos de competição, embarcações, motos aquáticas e outros itens de alto valor.

Bruna Nunes

Bruna Nunes, também filha de Mario Sergio, é apontada pela PF como integrante do núcleo familiar investigado. Ela era considerada foragida até a última atualização da reportagem original.

Segundo a investigação, Bruna teria atuado como intermediária de comunicações e usado contas bancárias para movimentações financeiras consideradas suspeitas. A PF também afirma que ela apresentava padrão de vida incompatível com a renda declarada.

Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam, segundo a polícia, preocupação em apagar conversas e possível conhecimento das atividades atribuídas ao grupo. Bruna atua como psicóloga infantil.

Rhanniery Nunes Graciano

Rhanniery Nunes Graciano, ex-namorado de Brenda, é investigado por suspeita de atuar como “laranja” da organização criminosa. Ele também foi preso durante a operação.

A PF aponta que ele teria ajudado a ocultar bens e dar continuidade a movimentações atribuídas ao grupo. Um dos pontos investigados envolve a compra e revenda de uma carreta considerada suspeita, ligada a veículo usado em transporte de cocaína apreendida anteriormente.

Segundo a apuração, a movimentação financeira atribuída a Rhanniery seria incompatível com a renda formal registrada em seu nome. Nas redes sociais, ele também aparecia em registros com veículos, lanchas, cavalos e outros bens de alto padrão.

Como funcionaria o esquema

A investigação aponta que a organização trazia cocaína da região de fronteira, especialmente a partir do Mato Grosso do Sul, e transportava a droga escondida em caminhões até Uberlândia.

Depois, segundo a PF, os entorpecentes eram distribuídos para cidades do Triângulo Mineiro e outros estados. A cidade de Uberlândia teria papel estratégico como ponto de chegada, armazenamento e redistribuição.

Para lavar o dinheiro, o grupo teria usado empresas de fachada, contas bancárias de familiares e terceiros, além da compra de bens de luxo. Entre os itens citados pela investigação estão ranchos, apartamentos, embarcações, motos aquáticas, cavalos de raça, veículos importados e um motorhome avaliado em cerca de R$ 1,2 milhão.

Bens de luxo chamaram atenção da PF

Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu veículos, embarcações, motos aquáticas, propriedades rurais e um motorhome de luxo. Também foram localizados cavalos de competição ligados aos investigados.

Um dos cavalos apreendidos estaria avaliado entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. A PF também encontrou um flutuante motorizado, com estrutura de lazer, fogão, sistema de som e até pista de dança.

Para os investigadores, o conjunto de bens reforça a suspeita de lavagem de dinheiro, já que o patrimônio acumulado não seria compatível com a renda formal declarada pelos investigados.

O que dizem as autoridades

A Polícia Federal afirma que a investigação identificou uma estrutura organizada, com divisão de funções, uso de intermediários e movimentações financeiras sem lastro compatível.

Segundo a corporação, os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A apuração segue em andamento e o processo tramita sob sigilo.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa da família Nunes afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo e que, por isso, qualquer manifestação sobre o mérito seria prematura.

A defesa também disse que a família confia nas instituições, no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa, colocando-se à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

O caso segue sob investigação, e todos os citados devem ser tratados como investigados até eventual decisão da Justiça.

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