O popular “Jogo do Aviãozinho”, conhecido oficialmente como Aviator, entrou na mira do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O órgão instaurou um inquérito civil público para apurar a atuação da empresa Spribe, desenvolvedora do jogo eletrônico, em meio a suspeitas de irregularidades no mercado de apostas on-line no Brasil.
A investigação foi aberta pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor e tem como foco a conformidade regulatória da empresa, possíveis práticas comerciais abusivas, publicidade enganosa e a eventual oferta do jogo a operadores de apostas que não possuem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
De acordo com o MPDFT, há indícios de que o Aviator estaria sendo disponibilizado simultaneamente em plataformas regularizadas, com domínio “.bet.br”, e também em sites sem autorização para operar no país. A situação acendeu um alerta entre os investigadores, já que as plataformas irregulares não estariam submetidas às mesmas exigências de fiscalização, tributação, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção ao consumidor e políticas de jogo responsável.
O Aviator ficou conhecido nas redes sociais por sua dinâmica simples e de forte apelo visual. No jogo, o usuário acompanha a decolagem de um avião virtual enquanto o multiplicador do valor apostado aumenta. O jogador precisa retirar o dinheiro antes que a aeronave desapareça da tela. Caso não consiga, perde a aposta. Por causa desse formato rápido e da ampla divulgação por influenciadores digitais, o jogo se tornou um dos mais populares entre usuários de plataformas de apostas.
Um dos pontos apurados pelo Ministério Público envolve possíveis diferenças entre o percentual de retorno ao jogador, conhecido pela sigla RTP, anunciado pelas plataformas e o que seria efetivamente praticado em ambientes não autorizados. Para os investigadores, caso a discrepância seja confirmada, o consumidor pode ter sido levado a apostar com base em informações que não refletiam as reais condições do jogo.
A apuração também mira a chamada “dupla atuação” da empresa. Na avaliação preliminar do MPDFT, o fornecimento do mesmo produto tanto para operadores autorizados quanto para sites clandestinos pode gerar desequilíbrio no mercado. Enquanto empresas regularizadas precisam cumprir obrigações legais, pagar tributos, seguir regras de compliance e adotar mecanismos de proteção aos apostadores, operadores ilegais poderiam atuar sem os mesmos custos e controles.
Como medida cautelar, o MPDFT recomendou à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda a suspensão da certificação técnica aplicável aos jogos da Spribe, especialmente ao Aviator, até que a empresa comprove a interrupção do fornecimento a operadores não autorizados e demonstre a implementação de mecanismos efetivos de integridade e proteção ao consumidor.
A pasta deverá informar, em até 48 horas, quais medidas emergenciais foram adotadas. Além disso, terá o prazo de dez dias úteis para apresentar uma resposta conclusiva sobre o caso.
O Ministério Público também recomendou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) o bloqueio de links, domínios, subdomínios e outros pontos de acesso identificados na investigação em que o Aviator estaria sendo ofertado em desacordo com a legislação brasileira. A agência deverá comunicar, também no prazo de 48 horas, quais providências foram tomadas ou se há limitações técnicas ou legais para cumprir a recomendação.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, promotores que acompanham o caso avaliam a possibilidade de intimar influenciadores digitais que divulgaram o jogo em plataformas irregulares. A medida, caso avance, poderá ampliar o alcance da investigação para além da desenvolvedora e dos operadores de apostas, alcançando também pessoas que ajudaram a promover o produto para o público.
Apesar da gravidade dos indícios, o inquérito ainda está em fase de apuração. Isso significa que a investigação busca reunir elementos para confirmar ou descartar as suspeitas. Até o momento, não se trata de condenação, mas de uma análise sobre a eventual responsabilidade dos envolvidos na cadeia de fornecimento e exploração do jogo no Brasil.
O caso ocorre em um momento de maior fiscalização sobre o setor de apostas on-line no país. Desde a regulamentação das bets, apenas empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem atuar legalmente no mercado nacional. Os sites autorizados devem operar com domínio “.bet.br” e seguir regras voltadas à segurança dos usuários, transparência nas apostas, combate a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro.
Para o MPDFT, se confirmada a oferta do Aviator a plataformas clandestinas, a prática pode representar risco direto aos consumidores e à integridade do mercado regulado. A investigação também poderá apontar eventuais danos à ordem econômica, já que operadores não autorizados poderiam concorrer de forma desleal com empresas que cumprem as exigências legais.
A apuração segue em andamento.

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