quarta-feira , 29 julho 2026
Lar Política Governada pelos Calheiros há mais de 30 anos, Murici enfrenta nova operação da PF por suspeitas de corrupção em menos de um ano
PolíticaÚltimas notícias

Governada pelos Calheiros há mais de 30 anos, Murici enfrenta nova operação da PF por suspeitas de corrupção em menos de um ano

Operação Delivery apura suspeitas de corrupção em contratos de obras públicas; cidade administrada por integrantes da família Calheiros há mais de três décadas volta a ser alvo de ação da Polícia Federal e da CGU

Divulgação/PF-AL

O município de Murici, na Zona da Mata de Alagoas, voltou a ser alvo de uma grande operação da Polícia Federal (PF). Na manhã desta terça-feira (28), agentes federais, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagraram a Operação Delivery para aprofundar investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos de obras públicas financiadas com recursos federais.

A ação marca a segunda operação de grande porte realizada pela PF no município em menos de um ano e concentra as apurações em possíveis irregularidades na execução de obras de construção e reforma de escolas e quadras esportivas. Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e associação criminosa.

Cidade é administrada pelo mesmo grupo político há mais de 30 anos

Murici é governada, de forma consecutiva, por integrantes do grupo político da família Calheiros desde o início da década de 1990.

A partir da eleição de Olavo Calheiros Novais para a Prefeitura, em 1992, o comando do Executivo municipal permaneceu sob a influência da família, passando posteriormente por gestores como Remi Calheiros, Renan Filho, Olavo Neto e, atualmente, Remi Filho.

Apesar desse contexto político, a Polícia Federal não atribuiu, até o momento, responsabilidade criminal a integrantes da família Calheiros no âmbito da Operação Delivery, nem informou qualquer medida judicial contra eles relacionada à investigação.

Investigação começou após prisão de empresário com R$ 270 mil

De acordo com a Polícia Federal, o inquérito teve início em novembro de 2025, após a prisão em flagrante do engenheiro civil e empresário Diogo José Andrade Romão.

Na ocasião, ele foi abordado nas dependências da Prefeitura de Murici transportando R$ 270 mil em espécie, além de anotações manuscritas que, segundo os investigadores, podem indicar pagamentos relacionados a contratos públicos.

Ainda conforme a PF, o empresário informou que participaria de reuniões com integrantes da administração municipal. As investigações identificaram que empresas ligadas a ele mantinham contratos milionários com o município, principalmente na área da educação.

PF aponta suspeita de pagamento de vantagens indevidas

Ao longo das investigações, a Polícia Federal afirma ter encontrado indícios de que servidores públicos municipais solicitavam vantagens indevidas e recebiam percentuais sobre contratos de obras públicas.

Segundo a corporação, o suposto esquema envolveria o repasse de informações privilegiadas e favorecimento em processos licitatórios relacionados à construção e reforma de unidades escolares e quadras esportivas.

Com base nesses elementos, a Justiça autorizou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em Murici e Maceió, além do afastamento cautelar de servidores investigados e do bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 1,3 milhão.

Dinheiro em espécie e moedas estrangeiras foram apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam:

  • R$ 123 mil em dinheiro
  • US$ 1.697
  • 7.345 euros
  • 550 libras esterlinas.

Segundo a Polícia Federal, os valores somam aproximadamente R$ 178 mil e passarão por análise durante o andamento da investigação.

Encontro com ministro também ganhou repercussão

Antes da nova fase da investigação, o empresário investigado participou de uma reunião com o ministro dos Transportes, Renan Filho, em Brasília.

O encontro foi divulgado pelo próprio empresário em suas redes sociais, em publicação posteriormente removida. Na ocasião, ele afirmou que a reunião tratou de projetos de infraestrutura e desenvolvimento para Alagoas.

Até o momento, não há indicação da Polícia Federal de que essa reunião tenha relação com os fatos investigados na Operação Delivery, nem qualquer acusação formal envolvendo o ministro. A publicação, entretanto, repercutiu politicamente após a deflagração da operação.

Investigações continuam

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos, aprofundar a análise dos contratos públicos e dimensionar eventual prejuízo aos cofres públicos.

Até o momento, não houve denúncia criminal aceita pela Justiça nem condenação relacionada aos fatos apurados. Os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa durante todo o processo.

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

IPTU 2026: quinta parcela vence nesta sexta-feira (31); veja como emitir a guia em Maceió

Os contribuintes de Maceió que escolheram parcelar o Imposto Predial e Territorial...

Mega-Sena acumula em R$ 86 milhões; 17 apostas de Alagoas faturam prêmio no concurso desta terça

A Mega-Sena voltou a acumular e deve movimentar milhares de apostadores em...

Anvisa aprova cinco novas canetas de semaglutida para tratamento do diabetes; número de opções no Brasil aumenta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (29), o...