A Coreia do Norte lançou diversos mísseis balísticos nesta segunda-feira (12) em direção ao mar a leste de seu território, em mais um episódio de tensão na Península Coreana. Os disparos foram detectados por autoridades da Coreia do Sul e do Japão e ocorreram poucos dias depois de Seul testar uma arma hipersônica desenvolvida nacionalmente.
Segundo o Estado-Maior Conjunto sul-coreano, os lançamentos partiram de uma região próxima a Pyongyang e envolveram diferentes tipos de mísseis. Um dos projéteis percorreu mais de 900 quilômetros antes de cair no mar. O governo sul-coreano não divulgou o número total de armas detectadas.
No Japão, o vice-ministro da Defesa, Takashi Koyari, afirmou que foram identificados pelo menos dois mísseis, lançados com intervalo de 17 minutos. Ambos caíram fora da zona econômica exclusiva japonesa, e não houve relatos de danos a embarcações ou aeronaves.
Japão identifica trajetórias distintas
De acordo com Koyari, o primeiro míssil percorreu aproximadamente 220 quilômetros, enquanto o segundo voou mais de 910 quilômetros. O segundo projétil teria seguido uma trajetória considerada irregular pelas autoridades japonesas, característica associada em avaliações anteriores a determinados sistemas de armas hipersônicas.
O governo japonês informou que apresentou um protesto formal à Coreia do Norte por meio de canais diplomáticos em Pequim.
Os lançamentos aumentam a preocupação de países da região com o desenvolvimento militar de Pyongyang, que tem ampliado os testes de sistemas capazes de transportar ogivas nucleares.
Teste sul-coreano pode ter motivado os disparos
A nova ação norte-coreana aconteceu poucos dias depois de a Coreia do Sul realizar, na sexta-feira (9), um teste de uma arma hipersônica desenvolvida internamente.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, afirmou que o projeto é importante para fortalecer as capacidades convencionais de defesa do país. Segundo seu gabinete, o sistema poderá ampliar a capacidade de atingir alvos estratégicos com rapidez na Península Coreana quando estiver concluído.
O porta-voz militar sul-coreano Jang Do-young afirmou que os disparos do Norte podem ter dois objetivos: avançar o desenvolvimento tecnológico de seus mísseis e responder ao teste realizado pelo país vizinho.
A possível relação entre os episódios, porém, ainda não foi confirmada de forma independente.
Coreia do Norte amplia programa militar
Pyongyang tem intensificado os testes de armamentos em meio à paralisação das negociações diplomáticas com Seul e Washington.
Em 3 de outubro, o regime norte-coreano anunciou ter testado um míssil hipersônico de alcance intermediário. Segundo as autoridades do país, o sistema foi projetado para superar defesas antimísseis da Coreia do Sul e do Japão.
Além dos testes, a Coreia do Norte realizou exercícios com fogo real e colocou em operação um novo navio de guerra. O líder Kim Jong Un também mantém uma postura contrária à retomada das negociações nos termos propostos pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul.
O governo sul-coreano pediu que Pyongyang interrompa imediatamente os lançamentos balísticos, afirmando que as ações violam resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e dificultam a estabilidade regional.
Relações entre as Coreias seguem deterioradas
A tensão militar ocorre em meio ao agravamento das relações entre os dois países. Nos últimos anos, Kim Jong Un interrompeu as iniciativas diplomáticas com Seul e passou a classificar a Coreia do Sul como um inimigo permanente.
As negociações nucleares entre Washington e Pyongyang também permanecem paralisadas desde 2019. O governo norte-coreano rejeita as condições impostas pelos Estados Unidos para a retomada do diálogo, especialmente a exigência de desnuclearização como ponto de partida.
O presidente americano, Donald Trump, já manifestou interesse em retomar as conversas, mas Pyongyang exige que Washington abandone o que considera uma política hostil.
No mês passado, as tensões aumentaram após três soldados sul-coreanos ficarem feridos em explosões de minas terrestres perto da fronteira. Militares da Coreia do Sul e o Comando das Nações Unidas atribuíram os artefatos à Coreia do Norte, que negou responsabilidade.
Os novos disparos reforçam o cenário de instabilidade na região, enquanto os países envolvidos ampliam suas capacidades militares e seguem sem avanços concretos nas negociações diplomáticas.

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