A oposição no Congresso Nacional reuniu 86 assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a empresária e lobista Roberta Luchsinger.
Até a noite de segunda-feira (19), o requerimento ainda não havia alcançado o número mínimo de apoios necessários para ser protocolado. São exigidas 198 assinaturas, sendo 171 de deputados federais e 27 de senadores.
A iniciativa é da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), com apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Entre os parlamentares que assinaram o documento estão integrantes de partidos como PL, Republicanos, PP, Novo, União Brasil, MDB, PSDB e Podemos.
O requerimento também recebeu apoio de parlamentares ligados à base governista, entre eles a líder no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o senador Jaques Wagner (PT-BA).
Abertura da comissão depende de Alcolumbre
Mesmo que o número mínimo de assinaturas seja alcançado, a instalação da CPMI não ocorre automaticamente. O requerimento precisa ser lido pelo presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), etapa necessária para o andamento da proposta.
Sem essa leitura, a investigação não avança formalmente no Legislativo. Outras propostas de comissões de inquérito também enfrentam dificuldades para sair do papel, mesmo após a apresentação de requerimentos.
Empresária afirma que pretende fazer delação premiada
A movimentação no Congresso ocorre após uma entrevista concedida por Roberta Luchsinger à CNN, no sábado (17). Na ocasião, a empresária afirmou que pretende realizar uma delação premiada e acusou o presidente Lula de proteger o próprio filho.
A Polícia Federal investiga Luchsinger e Lulinha desde julho, segundo as informações divulgadas, por suspeitas relacionadas a um suposto favorecimento de empresas em órgãos do governo federal.
As suspeitas ainda dependem da apuração das autoridades e não representam, por si só, comprovação de irregularidades por parte dos investigados.
Questionado sobre o caso envolvendo a empresária, Lula afirmou que o assunto é um “problema da PF” e defendeu que o filho seja investigado.
A eventual criação da CPMI poderá ampliar a discussão do caso no Congresso, permitindo que parlamentares apurem os fatos dentro dos limites legais de uma comissão parlamentar de inquérito.

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