domingo , 6 setembro 2026
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Laudo aponta risco estrutural no Rei Pelé e PGE cobra comprovação de medidas emergenciais

Documento técnico identificou possibilidade de colapso parcial em rampas e risco de desprendimento em alojamentos; Governo restringiu áreas e iniciou escoramento

Reprodução

Um laudo técnico elaborado em junho de 2026 apontou problemas estruturais em diferentes pontos do Estádio Rei Pelé, em Maceió, incluindo risco de colapso parcial nas lajes superiores das Rampas 02 e 03. O documento também recomendou a interdição de três alojamentos e registrou outras estruturas que necessitam de intervenção.

A situação ganhou novo desdobramento em agosto, quando a Procuradoria-Geral do Estado de Alagoas (PGE-AL) cobrou providências e observou que os documentos apresentados até então não eram suficientes para comprovar integralmente a adoção das medidas emergenciais indicadas no laudo. O despacho foi publicado no Diário Oficial do Estado em 26 de agosto.

O caso não representa uma determinação de interdição total do estádio. As recomendações estão concentradas em áreas específicas apontadas como críticas pelo estudo de engenharia.

Rampas 02 e 03 foram consideradas pontos críticos

O Laudo Final da Situação Atual da Estrutura do Estádio Rei Pelé, produzido pelo Consórcio High Tech-Progetto, identificou risco de colapso parcial nas lajes superiores das Rampas 02 e 03.

Para esses locais, os técnicos recomendaram interdição parcial imediata e a instalação de escoramento provisório como medida emergencial.

A recomendação foi encaminhada à Secretaria de Estado do Esporte, Lazer e Juventude (Selaj), responsável pela administração do estádio, e posteriormente analisada pela PGE.

Alojamentos também deveriam ser interditados

O laudo apontou ainda problemas nos alojamentos 29, 31 e 36, localizados no Setor 05.

Nesses pontos, os técnicos recomendaram a desocupação e a restrição imediata do acesso diante do risco de desprendimento de uma grande massa da estrutura.

O documento também identificou problemas em outras áreas do estádio, entre elas o pórtico, classificado como estrutura crítica, além de intervenções necessárias no Setor 04 e na laje conhecida como “ferradura”, localizada no Setor 02.

PGE cobrou comprovação das providências

Ao analisar a documentação encaminhada pelas autoridades responsáveis pelo estádio, a Procuradoria-Geral do Estado apontou que os elementos apresentados não eram suficientes para demonstrar, de maneira conclusiva, que todas as medidas emergenciais recomendadas pelo laudo haviam sido executadas.

A cobrança envolveu também a necessidade de uma avaliação técnica posterior que pudesse indicar, com segurança, quais áreas estavam efetivamente em condições de utilização.

A recomendação da PGE foi no sentido de que as medidas emergenciais fossem adotadas mesmo diante de eventuais discussões técnicas sobre o diagnóstico produzido pelo consórcio responsável pelo laudo.

Governo restringiu acesso às áreas indicadas

Após a divulgação das conclusões do laudo, a Seinfra e a Selaj informaram que as áreas das Rampas 02 e 03 e os alojamentos indicados no documento permaneceriam com acesso restrito.

As secretarias também comunicaram que o escoramento provisório das rampas estava sendo encaminhado como providência emergencial, enquanto seriam avaliadas as intervenções definitivas pelos responsáveis técnicos.

Segundo o Governo de Alagoas, o planejamento dos eventos no estádio também estava sendo revisto em conjunto com a Federação Alagoana de Futebol (FAF), clubes mandantes e órgãos de segurança, para que as atividades ocorressem dentro das condições técnicas e operacionais estabelecidas.

Até aquele momento, não havia indicação oficial de uma interdição integral do Rei Pelé ou de redução geral da capacidade do estádio.

MPAL faz vistoria e acompanha andamento das obras

Dois dias após a publicação do despacho da PGE, em 28 de agosto, o Ministério Público de Alagoas realizou uma vistoria para acompanhar as intervenções e as condições de funcionamento do estádio.

Participaram da agenda representantes do MPAL, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Federação Alagoana de Futebol, Secretaria de Esporte e clubes que utilizam o estádio.

De acordo com o Ministério Público, durante a visita foram apresentadas informações sobre os serviços já executados e o cronograma previsto para a continuidade dos trabalhos. O órgão informou ainda que foi possível verificar áreas que já haviam passado por reparos, além da intervenção na Rampa 02.

O promotor Dênis Guimarães, da Promotoria de Defesa do Consumidor, afirmou que a vistoria permitiu acompanhar de perto as medidas adotadas e verificar o cumprimento do cronograma específico apresentado ao Ministério Público.

A constatação do MPAL, contudo, deve ser compreendida dentro da sequência dos acontecimentos. A PGE havia registrado, em 26 de agosto, que os documentos disponíveis naquele momento não eram suficientes para comprovar conclusivamente o atendimento das recomendações. A vistoria do Ministério Público ocorreu posteriormente e se concentrou no acompanhamento das obras em execução.

Rei Pelé passa por reformas há anos

Os problemas estruturais do Rei Pelé não são recentes. O estádio passou por diferentes intervenções ao longo da última década.

Em 2022, por exemplo, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL) realizou uma vistoria após ocorrências envolvendo elementos da estrutura durante partidas e cobrou documentos referentes às obras realizadas no equipamento.

Em 2025, o Governo de Alagoas entregou uma etapa de reforma que incluiu a recuperação e o reforço estrutural de vigas, lajes e pilares da Rampa 1. A obra fazia parte de um conjunto de intervenções destinadas à recuperação do estádio.

Documentos oficiais também registram a existência de contrato para obras de recuperação estrutural do Estádio Rei Pelé. Em publicação no Diário Oficial de outubro de 2025, a contratação com a empresa Jatobeton Engenharia Ltda. aparece com valor total de R$ 65,63 milhões e prazo de vigência de 365 dias.

Em maio de 2025, o MPAL já havia realizado inspeção nas obras para verificar se os serviços executados estavam de acordo com o plano de recuperação elaborado a partir de avaliações estruturais anteriores.

Escoramentos e manutenção continuam no centro da discussão

Em junho de 2026, após uma partida entre CSA e Lagarto, imagens divulgadas nas redes sociais também mostraram o desprendimento de parte de concreto em uma área do estádio. Na ocasião, o Ministério Público já acompanhava as obras e cobrava informações sobre os serviços e a atualização dos laudos de segurança.

Levantamentos publicados posteriormente apontaram que investimentos e contratos de manutenção do estádio se acumulam há anos, enquanto novas necessidades de recuperação continuam sendo identificadas.

O cenário evidencia que a manutenção do Rei Pelé envolve intervenções contínuas e que a existência de obras anteriores não impede a identificação posterior de novos problemas estruturais.

Estádio segue sendo utilizado com restrições

O Rei Pelé continua sendo a principal praça esportiva de Alagoas e recebe partidas de clubes como CRB e CSA, além de outros eventos.

Diante das recomendações técnicas, a orientação adotada pelas autoridades é manter restritas as áreas apontadas como críticas enquanto são executadas ou avaliadas as medidas necessárias.

O estádio foi inaugurado em 25 de outubro de 1970 e completa 56 anos em 2026. Ao longo de sua história, a capacidade da praça esportiva foi reduzida em relação ao público registrado na inauguração, e atualmente CRB e CSA trabalham com limite de público significativamente inferior ao original.

O que está definido até agora

O que está documentado é que o laudo de junho identificou risco de colapso parcial em estruturas específicas, recomendando interdição e escoramento das Rampas 02 e 03, além da restrição dos alojamentos 29, 31 e 36.

A PGE posteriormente cobrou comprovação suficiente das providências. Na sequência, o Governo informou que as áreas permaneciam restritas e que o escoramento estava sendo encaminhado. Dias depois, o MPAL realizou uma vistoria e informou que acompanhava a execução das obras e o cronograma apresentado.

Não há, nas informações oficiais consultadas, indicação de que todo o Estádio Rei Pelé esteja sob risco iminente de desabamento. O alerta técnico se refere a estruturas e setores determinados, cuja segurança está sendo objeto de intervenções e acompanhamento pelos órgãos responsáveis.

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