Dois homens foram presos nesta quarta-feira (2), em Maceió, durante uma ação da Polícia Civil de Alagoas integrada à Operação Nacional Proteção Integral V, coordenada pela Polícia Federal. A operação tem como alvo pessoas investigadas por crimes relacionados ao armazenamento e à circulação de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes.
Em Alagoas, a operação foi conduzida pela Delegacia de Combate aos Crimes contra Criança e Adolescente (DCCCA), sob coordenação da delegada Talita Aquino, a partir de informações encaminhadas pela Polícia Federal. Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados na capital.
Durante a ação, os policiais apreenderam equipamentos eletrônicos, entre eles celulares, notebooks e um iPad. O material será encaminhado para análise pericial, que poderá contribuir para esclarecer a origem dos arquivos, a eventual participação de outras pessoas e a extensão das atividades investigadas.
Investigação começou a partir de dados da Polícia Federal
Segundo a Polícia Civil, as informações recebidas da Polícia Federal deram início à apuração em Alagoas. Com o avanço das investigações, os suspeitos foram identificados e a Justiça autorizou as medidas de busca e prisão.
A delegada Talita Aquino informou que os dois homens são investigados principalmente pela armazenamento de conteúdo de violência sexual infantil na internet. Até o momento, não foram identificados elementos que indiquem que os presos tenham produzido os arquivos.
Um dos investigados mantinha, segundo informações divulgadas durante a operação, grande quantidade de arquivos armazenados em um serviço de nuvem. A perícia dos dispositivos deverá verificar o conteúdo existente nos equipamentos e ajudar a polícia a determinar como os arquivos foram obtidos e eventualmente compartilhados.
Os nomes dos presos não foram divulgados pelas autoridades.
Operação acontece em todo o país
A Proteção Integral V foi deflagrada simultaneamente nesta quarta-feira em todas as unidades da Federação. A operação reúne a Polícia Federal e polícias civis de 20 estados, com o objetivo de identificar e responsabilizar pessoas envolvidas em crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes praticados também por meio do ambiente digital.
A ofensiva nacional investiga diferentes condutas relacionadas ao material de abuso sexual infantojuvenil, incluindo armazenamento, compartilhamento, comercialização e produção de arquivos.
De acordo com o balanço divulgado pela Polícia Federal, as ações resultaram, em todo o Brasil, em 31 prisões em flagrante e 13 prisões preventivas, além da apreensão de três adolescentes e da identificação e resgate de duas vítimas.
Participaram da operação, além de Alagoas, as polícias civis de Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
PF já cumpriu centenas de mandados relacionados a crimes sexuais em 2026
A Polícia Federal informou que, entre janeiro e agosto de 2026, cumpriu ao menos 980 mandados de prisão de foragidos da Justiça relacionados a crimes sexuais.
A Operação Proteção Integral V dá continuidade a outras quatro fases da mesma iniciativa, além da Operação Nacional Guardião Digital, realizada em março deste ano. O objetivo é ampliar a integração entre as forças de segurança e combater crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes, inclusive aqueles cometidos com o uso de plataformas digitais.
Equipamentos serão analisados pela perícia
Em Maceió, os equipamentos recolhidos durante os mandados serão submetidos à análise técnica. A perícia poderá indicar a quantidade de arquivos armazenados, identificar eventuais compartilhamentos e auxiliar na apuração sobre outras possíveis pessoas envolvidas.
Até o momento, a Polícia Civil não informou a existência de outros suspeitos relacionados diretamente ao caso. Também não há confirmação de que os homens presos tenham participado da produção do material investigado.
As prisões são preventivas, determinadas judicialmente no curso da investigação, e os investigados ainda terão o caso submetido às etapas do processo penal. A audiência de custódia dos dois homens está prevista para esta quinta-feira (3).
A investigação permanece em andamento, e a análise dos dispositivos eletrônicos deverá fornecer novos elementos para esclarecer a extensão dos crimes e eventual participação de outras pessoas.

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