Naruna Costa foi premiada por sua atuação em “Pele de Rinoceronte”, filme inspirado no caso Ângela Diniz; atriz destacou a influência dos pais em sua trajetória
A atriz Naruna Costa conquistou o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante no 54º Festival de Cinema de Gramado, realizado no Rio Grande do Sul. O prêmio foi concedido por sua atuação no longa “Pele de Rinoceronte”, dirigido por Marcello Ludwig Maia. A cerimônia de premiação dos longas brasileiros ocorreu no sábado (22).
Embora tenha nascido em Taboão da Serra, em São Paulo, Naruna também carrega uma forte ligação com Alagoas. A mãe da atriz, Cleonice Santina de Lima, é alagoana, enquanto o pai, Agnaldo Divino Costa, é mineiro. Os dois são lavradores e aparecem como referências importantes na trajetória da artista.
Durante o discurso de agradecimento pelo Kikito, Naruna falou sobre os ensinamentos recebidos dos pais e comparou o reconhecimento à ideia de uma semente que precisa ser cultivada para crescer.
“Meus pais foram lavradores e com eles eu aprendi que quando você trata bem a terra, o que a gente planta, dá.”
Em “Pele de Rinoceronte”, Naruna interpreta Maria Thereza, uma advogada criminalista envolvida no julgamento de um crime inspirado no assassinato de Ângela Diniz, ocorrido em 1976.
A trama acompanha também a jornalista policial Helena, interpretada por Débora Falabella, e a própria Ângela, vivida por Camila Lucciola. O longa utiliza o caso real como ponto de partida para discutir violência contra a mulher, machismo e a forma como crimes contra mulheres eram tratados pela sociedade e pela Justiça.
Um dos momentos de maior impacto do filme é a preparação da personagem Maria Thereza para o julgamento. A atuação de Naruna nessa sequência recebeu destaque durante a exibição em Gramado e provocou aplausos no Palácio dos Festivais.
O assassinato de Ângela Diniz, morta em 1976 por Doca Street, tornou-se um dos casos criminais mais conhecidos do Brasil. O primeiro julgamento do empresário ficou marcado pela utilização da tese conhecida como “legítima defesa da honra”, que foi posteriormente considerada incompatível com a Constituição pelo Supremo Tribunal Federal.
“Pele de Rinoceronte” não pretende apenas reproduzir os acontecimentos do crime. A produção utiliza a história como ponto de partida para refletir sobre a violência de gênero e sobre estruturas sociais que contribuíram, ao longo do tempo, para responsabilizar as próprias vítimas.
A premiação consolidou Naruna entre os principais destaques da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, uma das mais tradicionais premiações do audiovisual brasileiro.
O festival foi realizado entre 12 e 22 de agosto e exibiu 61 filmes em diferentes mostras. Na competição principal de longas brasileiros, o prêmio de Melhor Filme ficou com “Nosso Segredo”, de Grace Passô.
Além de Naruna, o festival premiou Lázaro Ramos como Melhor Ator Coadjuvante por “Feito Pipa”. Teca Pereira ganhou o Kikito de Melhor Atriz, enquanto José Loreto e Christian Malheiros dividiram o prêmio de Melhor Ator.
Naruna Costa construiu uma carreira que vai além do cinema. A atriz também atua como diretora, cantora e compositora e possui trabalhos no teatro e na televisão.
Entre suas atuações estão produções como “Irmandade”, série da Netflix, além de trabalhos recentes em “Todas as Flores”, “Beleza Fatal” e “Falas Negras”. A artista também dirigiu vídeos da turnê do cantor Emicida e atua como professora no Curso de Atuações do Centro de Pesquisa Teatral.
Naruna também prepara seu primeiro longa como diretora, um documentário relacionado ao poeta Sérgio Vaz, segundo informações divulgadas por sua assessoria.
Ao receber o Kikito, a atriz associou a conquista à trajetória construída ao lado da família e às dificuldades enfrentadas por seus pais, trabalhadores rurais.
A referência à agricultura também ganhou um significado simbólico no discurso de Naruna: para ela, o reconhecimento representa o resultado de um processo longo de trabalho, cuidado e persistência.
A ligação com a família alagoana acrescenta uma dimensão especial à conquista para o estado. Embora tenha nascido e construído sua carreira em São Paulo, Naruna faz questão de reconhecer as origens nordestinas presentes em sua formação.
O Kikito por “Pele de Rinoceronte” chega em um momento importante para a carreira da atriz e também dá maior visibilidade a uma produção que discute violência contra mulheres a partir de um caso que permanece presente na memória brasileira.
Para Naruna, o reconhecimento em Gramado representa não apenas uma conquista individual, mas também o resultado de uma trajetória construída sobre as referências familiares que recebeu desde a infância.
A atriz sai da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado com um dos principais prêmios de interpretação da competição e com sua história pessoal, marcada pelas raízes de uma família de lavradores, ganhando destaque junto à conquista nacional.
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