A promessa de construção de 80 Clínicas da Família em Maceió, apresentada pelo candidato ao Governo de Alagoas Renan Filho (MDB) durante agenda no Benedito Bentes, coloca novamente a atenção básica no centro do debate eleitoral. Ao mesmo tempo, dois ambulatórios estaduais da capital — Denilma Bulhões, no Benedito Bentes, e Noélia Lessa, na Levada — permanecem sem atendimento após terem sido fechados para reformas em outubro de 2024.
As duas unidades tiveram as atividades suspensas em 31 de outubro de 2024. Na ocasião, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que as obras tinham duração estimada de 12 meses e orientou os pacientes a procurar outras unidades da rede durante o período de intervenção.
Esse prazo terminou em outubro de 2025. Em julho de 2026, moradores ainda denunciavam a paralisação das obras do Denilma Bulhões e cobravam uma previsão para a retomada do atendimento.
Reformas foram anunciadas como melhoria da assistência
Quando anunciou as intervenções, o Governo de Alagoas afirmou que o objetivo era melhorar a infraestrutura, a segurança e a qualidade dos serviços oferecidos nos dois ambulatórios.
A Sesau também informou que os servidores seriam remanejados para outros setores da rede estadual enquanto os prédios permanecessem fechados. Para os pacientes, a orientação era buscar atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da rede referenciada.
Na época, o secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, classificou a reforma como necessária para garantir melhores condições de infraestrutura e segurança para trabalhadores e usuários.
Denilma Bulhões continua fechado
No Benedito Bentes, a situação do Ambulatório Denilma Bulhões já havia provocado manifestações da população antes mesmo da atual campanha eleitoral.
Em julho deste ano, moradores denunciaram que a obra estava sem conclusão mesmo após o vencimento do prazo previsto. Registros divulgados na ocasião mostravam o prédio fechado e sem atendimento à população.
A unidade aparece em documentos oficiais da administração estadual e continua vinculada à Secretaria de Estado da Saúde.
Noélia Lessa também não retomou os serviços
Na parte baixa de Maceió, o Ambulatório 24 Horas Noélia Lessa, na Levada, enfrenta situação semelhante.
O fechamento também ocorreu em 31 de outubro de 2024 para a realização da reforma. A unidade, que fazia parte da rede estadual de atendimento, permanece sem a retomada regular dos serviços, segundo informações verificadas até o fechamento desta reportagem.
O caso ganhou repercussão entre servidores e usuários desde o anúncio das obras. Em novembro de 2024, uma manifestação organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social e Trabalho de Alagoas (Sindprev-AL) questionou o fechamento das duas unidades e defendeu alternativas para evitar prejuízos à assistência durante as reformas.
Renan Filho promete 80 Clínicas da Família
O novo capítulo da discussão surgiu neste domingo (23), quando Renan Filho anunciou a construção de 80 Clínicas da Família em Maceió caso seja eleito governador.
Segundo a proposta apresentada durante um evento no Benedito Bentes, as unidades deverão ampliar o acesso da população a consultas, exames, acompanhamento pré-natal e outros serviços de atenção básica. A campanha estima que a iniciativa poderá beneficiar cerca de 400 mil pessoas.
O candidato também afirmou que pretende fortalecer a atenção básica e criticou a necessidade de moradores se deslocarem ou enfrentarem filas para conseguir atendimento médico.
Promessa e obras inacabadas colocam saúde no centro da disputa
A proximidade entre o anúncio das novas clínicas e a situação dos dois ambulatórios estaduais cria um contraste no debate eleitoral: de um lado, a promessa de ampliar a estrutura de atendimento básico; de outro, unidades já existentes que foram fechadas para reforma e ainda não retornaram à atividade.
A situação, entretanto, envolve estruturas e funções diferentes. As futuras Clínicas da Família citadas por Renan Filho seriam voltadas principalmente à atenção básica, enquanto os ambulatórios Denilma Bulhões e Noélia Lessa integram a rede estadual e ofereciam serviços de atendimento especializado e de urgência, conforme a organização da rede de saúde.
Por isso, a comparação deve ser entendida como um contraste político e administrativo, e não como equivalência entre os equipamentos.
Usuários continuam sem previsão pública clara
A principal questão para os pacientes que utilizavam os dois ambulatórios é a falta de uma previsão pública atualizada para a conclusão das reformas e o retorno dos atendimentos.
A página oficial da Sesau ainda mantém os dois equipamentos listados na rede estadual, inclusive com endereço e telefones de contato, mas isso não significa que os serviços presenciais estejam funcionando normalmente durante as obras.
Até a publicação desta matéria, não foi localizada uma atualização oficial da Sesau informando uma nova data definitiva para a reabertura das duas unidades.
O espaço permanece aberto para que o Governo de Alagoas e a Secretaria de Estado da Saúde informem o estágio atual das obras, os valores efetivamente executados, eventuais alterações contratuais e a previsão para a retomada dos atendimentos.
Debate deve ganhar espaço durante a campanha
Com a disputa pelo Governo de Alagoas oficialmente em andamento, a saúde pública tende a ocupar posição central entre as propostas dos candidatos.
A promessa das 80 Clínicas da Família coloca a atenção básica entre as prioridades apresentadas por Renan Filho. Já a situação dos ambulatórios Denilma Bulhões e Noélia Lessa oferece um exemplo concreto do desafio de manter e ampliar a estrutura já existente enquanto novos equipamentos são anunciados.
O ponto, no entanto, permanece em aberto: antes que novas unidades sejam entregues, pacientes que dependiam dos ambulatórios fechados continuam aguardando a conclusão das reformas iniciadas em 2024

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