A construção do Hospital Metropolitano do Agreste, em Arapiraca, teve o prazo contratual novamente prorrogado pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). Conforme o novo aditivo informado pela pasta, a vigência do contrato foi estendida até 30 de setembro de 2028, enquanto o prazo de execução da obra também sofreu alteração.
A mudança no cronograma ocorre em um momento em que Arapiraca enfrenta dificuldades na assistência obstétrica. Reportagens publicadas ao longo de 2026 registraram o fechamento ou a interrupção dos serviços de parto em diferentes unidades que historicamente atendiam gestantes no município.
O Hospital Metropolitano do Agreste é considerado um dos principais projetos de expansão da rede pública estadual no interior. O empreendimento está sendo construído no bairro Canafístula e terá 240 leitos, incluindo unidades de internação e isolamento, clínica cirúrgica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), urgência e emergência e recuperação pós-anestésica. O projeto também prevê bloco cirúrgico e núcleo de diagnóstico por imagem.
Contrato já supera R$ 202 milhões
O contrato da obra passou a totalizar R$ 202.817.867,11 após um reajuste de R$ 8.588.689,65 realizado em 2025. Antes da atualização, o valor contratual era de R$ 194.229.177,46.
Documentos de acompanhamento da própria Sesau identificam o empreendimento como a execução das obras de construção do Hospital Metropolitano do Agreste, em Arapiraca. Relatórios de medição também registram o contrato original como RDC nº 001/2022.
Em outubro de 2024, o Governo de Alagoas havia informado que a previsão era entregar o hospital em 2026. Na ocasião, o governador Paulo Dantas afirmou que a unidade seria importante para ampliar a oferta de serviços de saúde para as regiões Agreste e Sertão.
A obra integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e conta com recursos federais e contrapartida estadual. Segundo o Governo de Alagoas, mais de R$ 80 milhões foram incluídos no plano de investimentos federal, enquanto o Estado anunciou contrapartida superior a R$ 40 milhões.
Hospital foi projetado para atender 17 municípios
O empreendimento foi planejado para funcionar como referência regional. De acordo com a Sesau, o hospital deverá beneficiar 17 municípios que integram a 7ª Região de Saúde de Alagoas. A estrutura prevista inclui 30 leitos de UTI, 30 destinados à urgência e emergência, 61 de clínica cirúrgica, 109 de internação e isolamento e 10 leitos de recuperação pós-anestésica.
A área do empreendimento é de aproximadamente 33 mil metros quadrados. Em publicação de 2024, a Sesau descreveu o hospital como um equipamento destinado a ampliar a capacidade de atendimento especializado no interior do Estado.
Além da estrutura hospitalar, o projeto prevê a instalação da nova sede da unidade de Arapiraca do Hemocentro de Alagoas (Hemoal).
Arapiraca enfrenta redução da oferta de serviços obstétricos
Enquanto o novo hospital continua em construção, a assistência às gestantes se tornou um dos principais pontos de preocupação na saúde de Arapiraca.
Em março deste ano, vereadores discutiram na Câmara Municipal o fechamento de unidades que anteriormente realizavam partos. Reportagens sobre as sessões registraram que o Hospital Santa Maria, o Hospital CHAMA e a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima deixaram de oferecer esse serviço.
Na ocasião, vereadores defenderam a realização de uma audiência pública com representantes das secretarias estadual e municipal de Saúde e de unidades hospitalares para discutir alternativas para a assistência obstétrica.
Uma das principais preocupações apresentadas durante o debate foi a concentração dos atendimentos no Hospital Regional de Arapiraca. Segundo relatos registrados durante a sessão da Câmara, a unidade passou a ser apontada como referência para os partos realizados na cidade.
O cenário também gerou manifestações públicas ao longo de agosto. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a candidata a deputada estadual Débora da Saúde questionou onde uma gestante de Arapiraca deveria ser atendida caso entrasse em trabalho de parto, retomando o debate sobre a disponibilidade de serviços obstétricos no município.
Novo prazo muda previsão para conclusão
A prorrogação do contrato altera o cronograma anteriormente divulgado para o empreendimento.
Em 2025, quando o valor do contrato foi atualizado para R$ 202,8 milhões, a previsão informada era de conclusão das obras até dezembro de 2026.
Com o novo aditivo, a vigência contratual passa a se estender até setembro de 2028, de acordo com a informação publicada no Diário Oficial mencionada na documentação que motivou esta reportagem.
A extensão do prazo, portanto, não significa necessariamente que o hospital será inaugurado em setembro de 2028. Vigência contratual e prazo efetivo de conclusão/entrega são conceitos diferentes, e a data definitiva de funcionamento da unidade dependerá da execução da obra, do recebimento do empreendimento, da instalação dos equipamentos e das demais etapas necessárias para colocar o hospital em operação.
O novo cronograma ganha relevância justamente porque o Hospital Metropolitano foi concebido para ampliar a capacidade da rede pública de saúde do Agreste e do Sertão. Até que a unidade esteja concluída e em funcionamento, a população continuará dependendo da estrutura atualmente disponível na região.
A expectativa em torno do empreendimento permanece, portanto, ligada não apenas ao tamanho do investimento, mas também à necessidade de ampliar a oferta de atendimento especializado para uma região que reúne milhares de usuários do Sistema Único de Saúde.

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