terça-feira , 18 agosto 2026
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MPAL denuncia empresa e sócios após morte de cavalos em haras de Atalaia

Ministério Público aponta supostas falhas na fabricação de rações e pede bloqueio de bens para garantir reparação pelos prejuízos

Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou a empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda., seu sócio majoritário e um administrador operacional/financeiro após a morte de dezenas de cavalos no Haras Nova Alcatéia, localizado na zona rural de Atalaia, no interior de Alagoas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Ary de Medeiros Lages Filho, a empresa teria fornecido rações associadas à intoxicação e morte dos animais. O MPAL também solicitou à Justiça o sequestro e a indisponibilidade de bens da empresa e dos denunciados, incluindo imóveis, veículos, ativos financeiros e participações societárias, como forma de garantir eventual reparação dos danos, , estimados em mais de R$ 82 milhões.

A denúncia ocorre após uma investigação que ganhou dimensão nacional em 2025 e que levou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a suspender cautelarmente a fabricação e comercialização de produtos da Nutratta.

Cavalos apresentaram sintomas graves

Segundo os elementos reunidos pelo Ministério Público, os animais apresentaram sinais compatíveis com uma intoxicação severa, incluindo letargia, alterações na marcha, movimentos em círculos, cegueira, pressão da cabeça contra objetos e insuficiência hepática.

Documentos técnicos do Mapa apontaram a presença de alcaloides pirrolizidínicos, entre eles a monocrotalina, substâncias tóxicas associadas a plantas do gênero Crotalaria. A investigação federal relacionou a contaminação a falhas no controle de matérias-primas utilizadas na fabricação das rações.

O Mapa informou ainda que, nas propriedades investigadas, os animais que adoeceram ou morreram haviam consumido produtos da Nutratta, enquanto equinos que não ingeriram as rações permaneceram saudáveis mesmo quando estavam nos mesmos ambientes.

Haras de Atalaia sofreu grandes perdas

O Haras Nova Alcatéia, tradicional criatório de Mangalarga Marchador, relatou inicialmente dezenas de mortes de animais em meio à crise sanitária.

Um dos animais que morreu foi Quantum de Alcatéia, considerado um dos principais garanhões do criatório e avaliado em cerca de R$ 12 milhões. O caso chamou atenção nacional pelo valor genético e econômico do animal.

O haras possui aproximadamente 50 anos de atuação na criação da raça e afirmou, durante o episódio, ter adotado medidas veterinárias e sanitárias assim que surgiram os primeiros sinais de intoxicação.

Informações mais recentes apontam que o número de mortes no criatório chegou a 84 cavalos, segundo dados divulgados em 2026 com base em investigação e laudos posteriores.

Investigação alcançou outros estados

O caso não ficou restrito a Alagoas. O Mapa investigou ocorrências envolvendo animais que consumiram produtos da Nutratta em diferentes estados brasileiros.

Em julho de 2025, o órgão federal havia confirmado 284 mortes de equídeos durante a investigação, número que incluía casos em Alagoas, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás.

O Mapa classificou o episódio como um caso inédito de contaminação de ração para equinos e determinou o recolhimento dos produtos destinados a equídeos fabricados pela empresa a partir de 21 de novembro de 2024.

Falhas na produção são citadas

A investigação federal identificou problemas relacionados ao controle das matérias-primas. Entre os pontos apontados estavam a possibilidade de contaminação por resíduos de plantas do gênero Crotalaria e falhas nos procedimentos de controle utilizados na fabricação.

O Mapa também determinou a suspensão cautelar da produção e comercialização de rações da empresa. Posteriormente, a medida chegou a abranger produtos destinados a diferentes espécies diante da identificação de substâncias tóxicas.

MPAL aponta possível responsabilidade criminal

Na denúncia, o Ministério Público de Alagoas enquadra os fatos, entre outros dispositivos, no artigo 56 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) e no artigo 7º, inciso IX, da Lei nº 8.137/1990, que trata de crimes contra as relações de consumo.

O MPAL sustenta que os responsáveis devem responder pelas consequências decorrentes do fornecimento dos produtos e busca garantir patrimônio suficiente para eventual reparação dos prejuízos.

É importante destacar que a denúncia representa a acusação apresentada pelo Ministério Público e que a responsabilidade criminal dos denunciados ainda deverá ser analisada pela Justiça.

Caso provocou impacto nacional

A investigação da Nutratta se tornou um dos principais casos recentes envolvendo segurança na alimentação animal no país. Além das perdas econômicas para criadores, o episódio provocou preocupação entre proprietários de equinos e levou autoridades a ampliar ações de fiscalização.

Em junho de 2025, o Mapa já havia determinado o recolhimento nacional de produtos destinados a equídeos fabricados pela empresa e alertado para o risco à saúde animal.

Agora, com a denúncia apresentada pelo MPAL, o caso envolvendo o Haras Nova Alcatéia entra em uma nova etapa na Justiça, que deverá analisar as acusações e os pedidos apresentados pelo Ministério Público.

Fonte: Ministério Público de Alagoas, Ministério da Agricultura e Pecuária e documentos públicos relacionados à investigação.

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