terça-feira , 18 agosto 2026
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Gustavo Xavier volta a comandar a Polícia Civil de Alagoas durante investigação sobre suposta fraude em concursos

Delegado havia sido afastado cautelarmente pela Justiça Federal; retorno ao cargo ocorre enquanto segue em andamento concurso da própria PCAL

Foto: Assessoria

O delegado Gustavo Xavier do Nascimento voltou a exercer o comando da Polícia Civil de Alagoas (PCAL) em meio à investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraude em concursos públicos. O nome do delegado voltou a aparecer em atos administrativos da corporação publicados no Diário Oficial do Estado, indicando a retomada das atribuições de delegado-geral.

A volta ao comando ocorre após um período de afastamento cautelar determinado pela Justiça Federal da Paraíba. Gustavo Xavier é investigado na chamada Operação Gabarito Final, deflagrada pela Polícia Federal para apurar uma organização suspeita de atuar na fraude de concursos públicos em diferentes estados.

Delegado havia sido afastado pela Justiça Federal

Em março de 2026, Gustavo Xavier foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação que investiga o esquema. Na ocasião, a Justiça determinou seu afastamento da função de delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas.

A medida tinha caráter cautelar e, conforme destacado na própria decisão judicial, não representava antecipação de condenação.

Em junho, a 16ª Vara Federal da Paraíba prorrogou por mais 60 dias o afastamento do delegado. O pedido havia sido apresentado pelo Ministério Público Federal, que apontou a necessidade de evitar possíveis interferências nas investigações.

Na mesma decisão, o agente da Polícia Civil de Alagoas Eudson Oliveira de Matos também teve o afastamento prorrogado. Ele é investigado no mesmo caso e estava preso cautelarmente à época.

Concurso da Polícia Civil foi citado na decisão

Um dos pontos que chamaram atenção na decisão de junho foi a existência de um novo concurso para agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas.

O Ministério Público Federal argumentou que a permanência dos investigados em determinadas funções poderia representar risco à regularidade do certame e às investigações.

O concurso atualmente oferece 300 vagas para os cargos de agente e escrivão e tem o Cebraspe como banca organizadora.

Até o momento, porém, não há indicação de que o concurso em andamento tenha sido fraudado ou que exista irregularidade atribuída à seleção.

O que está sendo investigado

A Operação Gabarito Final investiga uma suposta organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos.

Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o grupo teria utilizado diferentes estratégias para interferir nos processos seletivos, incluindo candidatos substitutos, documentos falsificados, equipamentos eletrônicos e acesso antecipado a informações relacionadas às provas.

As apurações alcançam concursos realizados em diferentes estados e envolvem diversos suspeitos.

Gustavo Xavier foi incluído entre os investigados após a PF realizar diligências relacionadas ao caso. A investigação, entretanto, ainda não resultou em condenação contra o delegado.

Retorno ocorre após período de afastamento

Durante o afastamento da chefia, a Polícia Civil de Alagoas passou a ter Thales Silva Araújo como delegado-geral interino. A mudança foi registrada no Diário Oficial em abril, após a determinação judicial que afastou Gustavo Xavier.

Agora, com o fim do período cautelar de afastamento, atos administrativos da corporação voltam a identificar Gustavo Xavier como delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, indicando a retomada das funções de comando.

A atuação do delegado-geral envolve decisões administrativas e institucionais da corporação, incluindo movimentações, designações e alterações relacionadas ao quadro policial.

Investigação continua

Apesar do retorno ao cargo, a investigação sobre a suposta fraude em concursos continua em andamento.

A decisão que determinou e posteriormente prorrogou o afastamento teve natureza cautelar. O próprio Judiciário destacou que a medida não significava condenação antecipada.

Dessa forma, Gustavo Xavier permanece investigado, e não condenado, pelos fatos apurados na Operação Gabarito Final.

A defesa do delegado nega envolvimento com organização criminosa e sustenta que as acusações ainda precisam ser comprovadas no decorrer da investigação.

Concurso da PCAL segue em andamento

O retorno do delegado-geral acontece em um momento de grande movimentação na Polícia Civil de Alagoas, justamente com a realização do concurso que havia sido citado pelo MPF na discussão sobre o afastamento.

A seleção é organizada pelo Cebraspe e prevê vagas para os cargos de agente e escrivão.

Até o momento, o certame permanece em andamento e não há informação oficial de suspensão ou anulação em razão da investigação.

O caso, portanto, reúne duas situações distintas: de um lado, a retomada administrativa de Gustavo Xavier ao comando da PCAL; de outro, a continuidade da investigação federal que apura uma suposta rede de fraudes em concursos públicos.

As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e o delegado mantém o direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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