terça-feira , 28 julho 2026
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PF aponta áudio sobre aumento de procedimentos e cita “parte do doutor Gustavo” em investigação que apura suposto esquema na Saúde de Alagoas

Relatório da Operação Estágio IV afirma que gravação atribuída a empresário investigado menciona ampliação de atendimentos para elevar valores de ressarcimento; defesa do ex-secretário nega irregularidades

Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou novos elementos na investigação da Operação Estágio IV, que apura um suposto esquema de irregularidades envolvendo contratos e ressarcimentos da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). Entre as provas reunidas pelos investigadores está um áudio atribuído ao empresário Reinaldo Fernandes Júnior, no qual são mencionados o aumento de procedimentos realizados pela Núcleo de Ortopedia e Traumatologia (NOT) e uma referência à chamada “parte do doutor Gustavo”.

O conteúdo integra um relatório encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e é apontado pela PF como um dos indícios que sustentam a hipótese de um possível esquema envolvendo pagamentos realizados à clínica por meio da Sesau.

Áudio cita aumento de procedimentos para “dobrar o valor”

Segundo a transcrição presente no relatório da Polícia Federal, o empresário investigado afirma que pretendia ampliar o número de sessões de fisioterapia e de exames de ultrassonografia para aumentar o valor dos ressarcimentos pagos à clínica.

Na sequência da conversa, o interlocutor faz referência à “parte do doutor Gustavo” e comenta que o então secretário estadual da Saúde dizia não possuir mais vínculo societário com a empresa.

Para a Polícia Federal, o diálogo representa um elemento relevante dentro do conjunto probatório reunido durante a investigação, indicando que, apesar da saída formal do quadro societário, Gustavo Pontes de Miranda Oliveira poderia continuar exercendo influência sobre as atividades da clínica.

Investigação apura possível influência na gestão da clínica

De acordo com o relatório, os investigadores sustentam que diversos elementos analisados durante a Operação Estágio IV apontam para uma possível permanência da influência de Gustavo Pontes sobre a administração da NOT, mesmo após sua nomeação para comandar a Secretaria de Estado da Saúde.

A Polícia Federal afirma que, além do áudio, também foram localizados outros arquivos contendo conversas consideradas relevantes para compreender a dinâmica do suposto esquema investigado.

Na avaliação da corporação, esses diálogos ajudam a reconstruir o funcionamento operacional das supostas irregularidades envolvendo pedidos de ressarcimento apresentados pela clínica ao Estado.

Operação investiga supostos desvios milionários

Deflagrada em dezembro de 2025, a Operação Estágio IV investiga suspeitas de fraudes em contratos e pagamentos realizados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apuram um possível esquema de desvio de recursos públicos que pode ultrapassar R$ 100 milhões. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além do afastamento cautelar de investigados por decisão judicial.

Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça suspendeu o afastamento do então secretário Gustavo Pontes por questões processuais levantadas pela defesa. A decisão não analisou o mérito das acusações, e o processo segue em tramitação.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Gustavo Pontes afirma que o ex-secretário não praticou qualquer irregularidade e sustenta que a investigação apresenta nulidades processuais que serão discutidas durante o andamento da ação.

Os advogados também destacam que o investigado exercerá plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa, ressaltando que não existe condenação judicial definitiva relacionada aos fatos apurados.

Até o momento, a Justiça ainda não julgou o mérito das acusações apresentadas pela Polícia Federal.

Investigação continua em andamento

Os áudios mencionados no relatório fazem parte do conjunto de provas que será analisado pelo Poder Judiciário ao longo da instrução processual. A Polícia Federal continua realizando diligências para esclarecer a participação de cada investigado e verificar a eventual existência de um esquema de favorecimento envolvendo contratos da área da saúde pública em Alagoas.

Enquanto as investigações prosseguem, os fatos descritos pela Polícia Federal representam hipóteses investigativas e ainda dependerão da análise da Justiça, respeitando-se a presunção de inocência e o devido processo legal.

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